De Anitta a Paolla Oliveira, toda mulher precisa lidar com o 'Zé IML' (até quando?)

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Paolla Oliveira e Anitta também estão cansadas do 'Zé IML' (Foto: Reprodução/Instagram@paollaoliveira/anitta)
Paolla Oliveira e Anitta também estão cansadas do 'Zé IML' (Foto: Reprodução/Instagram@paollaoliveira/anitta)

Quem é fã do Twitter e usuário frequente da rede, deve ter visto que o assunto do dia por lá é um nome um tanto quanto estranho: Zé IML. O termo surgiu numa conversa na própria plataforma e acabou viralizando. No tuíte original, uma usuária comenta sobre o conceito de homem "que não quer nada com você, mas fica te mandando mensagem de tempo em tempo pra te lembrar que ele existe" e acabou recebendo a melhor de todas as respostas: "Tem os Zé IML tbm que só aprece quando cê [sic] posta foto do corpo".

Verdade seja dita, toda mulher conhece ou já conheceu um 'Zé IML' na vida: o homem que surge só para comentar uma foto de biquíni, quando você aparece na praia de maiô ou na academia de shorts e top. Ele surge também naquelas fotos conceituais que você tira na frente do espelho ou naquela com o corpo curvado que você só tirou para, de fato, receber biscoito.

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O termo 'IML', aliás, tem um sentido. Diz respeito ao Instituto Médico Legal, ou seja, o lugar para onde os corpos são levados para receber autópsia em casos de morte violenta ou suspeita - para explicar de forma simplista. Claramente, não foi isso que a usuária quis dizer quando fez a brincadeira, mas informar um tipo de homem que só surge e demonstra interesse quando uma mulher posta uma foto do próprio corpo na internet.

Portrait of a seductive young woman dressed in swimsuit taking selfie with mobile phone isolated over pink background
Zé IML: o termo, que viralizou no Twitter, faz referência aos homens que só aparecem quando mulheres postam fosto do corpo nas redes sociais (Foto: Getty Creative)

Aliás, o fato de as mulheres brincarem com isso - o tuíte acabou virando uma lista de outros com outras mulheres listando tipos diferentes de homens -, é sinal que é mais comum do que se imagina. Nem é preciso lembrar que os corpos femininos são amplamente objetificados, e que eles são vistos, boa parte das vezes, como um meio para um fim: isto é, uma forma do homem sanar os seus desejos sexuais.

Não somos um pedaço de carne!

Não é difícil observar esse comportamento curioso dos homens. Basta olhar o perfil no Instagram de qualquer mulher famosa. De Anitta a Paolla Oliveira, de Luísa Sonsa a Juliana Paes, é necessário apenas uma olhada rápida pelos comentários para perceber que muita gente não está ali para acompanhar e apoiar o trabalho dessas mulheres, mas para desejar seus corpos a cada momento que for exposto com uma foto nova.

O emoji de foguinho na caixa de entrada das mensagens diretas até pode ser interessante se você está de olho em alguém, mas, via de regra, pode surgir como um incômodo, um "flerte" desnecessário e não solicitado, de pessoas que, muitas vezes, você nem conhece, muito menos seguem o seu perfil.

Às vezes, a pessoa em questão até é um seguidor, mas só engaja no perfil quando a mulher posta uma foto do corpo - e desaparece até a próxima. Alguns podem argumentar que as mulheres querem esse tipo de resposta quando postam fotos assim - o famoso biscoito faz bem para todo mundo, diga-se de passagem. Mas é um incômodo quando alguém claramente demonstra que não tem nenhum interesse em você, apenas no seu corpo.

Façamos um paralelo com a cantada na rua - os homens argumentam que as mulheres gostam dessa demonstração de desejo, mas, na verdade, a sensação resultante é de medo. Afinal, nunca se sabe o que um homem estranho pode fazer com você na rua (vale lembrar que quase 100% das mulheres assumiram que já sofreram algum tipo de assédio no transporte público, por exemplo). No geral, o que uma mulher sente ao receber uma cantada desse tipo é que ela não é nada além de um pedaço de carne.

Vale lembrar que toda mulher é livre para fazer o que bem entende com o próprio corpo - pelo menos, no Brasil. Isso significa que se uma mulher quiser mostrar o corpo na internet, ela pode. Não significa, no entanto, que esse corpo é domínio público ou que ela tem que aceitar comentários e cantadas desnecessárias e não solicitadas. Se num bar ou numa balada isso já é incômodo, imagina nas DMs do Instagram.

Existe ainda o ponto do padrão de beleza. Muitas das mulheres citadas neste texto seguem um padrão de beleza e possuem um corpo considerado "ideal" ou, no mínimo, que seria considerável desejável. Mas muitas mulheres gordas já comentaram como, do seu lado, as fotos de corpo recebem nos comentários não encorajamentos e elogios (como há de ser), mas críticas e xingamentos. Isso não deixa de seguir a mesma lógica do Zé IML que manda foguinho quando você aparece de biquíni, mas mostra que mesmo essa visão está sujeita a um padrão e assim como alguns homens podem curtir certas fotos, eles podem, também, criticar outras, mantendo as mulheres presas a uma visão de si mesmas que tem tudo a ver com seus corpos e nada a ver com o seu intelecto.

De qualquer maneira, vale o lembrete de que ninguém precisa de um Zé IML na vida - mas, infelizmente, a internet ainda parece cheia deles.

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