'Army of the Dead' tira Zack Snyder dos heróis, mas os heróis não libertam o diretor

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Army Of The Dead, novo filme de Zack Snyder na Netflix. Foto: Divulgação
Army Of The Dead, novo filme de Zack Snyder na Netflix. Foto: Divulgação

Depois de quase uma década mergulhado no mundo dos heróis da DC e dedicado a construir um universo que opusesse a Marvel, Zack Snyder respira novos ares. O diretor chega à Netflix em um campo seguro, onde brincou anteriormente e fez sucesso: a arena de mortos-vivos. 'Army of The Dead', porém, não representa uma evolução nem um retrocesso, mas uma consequência destes anos enfurnado em um gênero tão exposto à opinião pública. Aqui, Zack Snyder é o mesmo diretor de sempre, com erros e acertos quase idênticos aos mostrados no universo de Batman e Superman.

O conceito do filme é ridículo e incrível ao mesmo tempo. Uma contaminação zumbi assola Las Vegas e é contida dentro das ruas da famosa cidade do pecado. Entre idas e vindas de linha do tempo, o roteiro mostra uma realidade reduzida para que entendamos o que realmente importa: os motivos que levam um grupo de mercenários a entrar no cerco para levar 50 milhões de dólares a mando de um magnata. A premissa funciona, mas se dissipa com a quantidade inexplicável de arcos dramáticos em um texto pobre em diálogos, mas interessante em cenas de ação.

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Enquanto erra na parte humana e empática, seja pelo exagero seja pela cafonice, Snyder acerta na construção da mitologia zumbi dentro de Army. Aqui não há nenhuma relação entre os mortos-vivos e a humanidade da equipe liderada por Dave Bautista, o foco é entender ambos os grupos como tribos diferentes - uma formada por seres super poderosos e que agem como um bando movido pela sobrevivência, e outro inspirado por supostas relações afetivas. O percalço aí é que a relação entre os zumbis, pautada pela imagem e ação, é muito melhor desenvolvida do que os laços entre os mercenários.

E isso não é uma novidade para Snyder. Focado em dar tempo para os humanos como desculpa para um desenvolvimento, o diretor na verdade prejudica o ritmo ao invés de criar empatia, algo recorrente em outras obras dele. No fim, os maneirismos do cineasta estão esparramados na tela, o que causa uma duração desnecessária, falsos aprofundamentos de personagem e incríveis soluções estéticas, como Zeus, o tigre e o aspecto tribal dos mortos. A ideia de criar arcos dramáticos sem domínio de construção de narrativa deixa a história de Army tão opaca quanto seus monstros, seres exuberantes no exterior, mas mancos e com pouca consciência do que colocam da boca pra fora.