Zé do Caixão, que foi José del Ataúd e Coffin Joe, conquista estrangeiros há décadas

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Retrato de José Mojica Martins, o Zé do Caixão, em São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Retrato de José Mojica Martins, o Zé do Caixão, em São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A notícia de que duas produtoras internacionais de filmes de terror fecharam acordo para ressuscitar Zé do Caixão só pode ser vista com muita alegria pelos fãs de José Mojica Marins, que morreu no ano passado.

Uma dessas produtoras é do ator americano Elijah Wood, o hobbit Frodo da trilogia “O Senhor dos Anéis”. A outra é mexicana, e a ideia de ambas é trazer o personagem de unhas longas vivendo novas aventuras em inglês e espanhol.

Mas esse interesse internacional não é novidade para quem acompanhou a carreira de Mojica. Muito já se falou no Brasil a respeito de quando Zé do Caixão virou Coffin Joe. Foi em 1993, quando a distribuidora americana Something Weird comprou os direitos e lançou dez filmes de Mojica de uma vez só nos Estados Unidos.

As fitas (eram VHS) venderam cerca de 7.000 cópias nos primeiros quatro anos e renderam uma série de elogios entusiasmados da imprensa. “Uma mistura de Russ Meyer com Luis Buñuel”, cravou a Billboard.

“Não existem adjetivos suficientes para expressar quão excelente é esse filme, embora eu possa afirmar que é o melhor filme de horror já feito”, escreveu o editor da revista especializada Shocking Images sobre “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, de 1964. Já o periódico Monster International publicou uma reportagem de nada menos do que 34 páginas, assinada pelo brasileiro Horácio Higuchi, que já havia escrito sobre o cineasta duas décadas antes, para a revista francesa L’Écran Fantastique.

De lá para cá, os filmes de Mojica já passaram por três empresas americanas e seguem disponíveis em DVD. Também teve os discos vendidos na maior parte da Europa e no Japão. Quando Tim Burton veio ao Brasil, há cinco anos, para uma mostra no Museu da Imagem e do Som sobre sua carreira, fez questão de conhecer Mojica e se disse honrado.

Neste ano, uma distribuidora britânica assinou contrato com os herdeiros de Mojica para lançar oito filmes em blu-ray. Para isso, se dispôs a pagar a conversão dos filmes originais para a resolução 2K, por R$ 60 mil cada um. Os herdeiros esperam que a Cinemateca Brasileira, que abriga as latas originais, encaminhe o material para a empresa de conversão nas próximas semanas.

Nesta semana, um dos filhos de Mojica, o professor Crounel Marins, está na Espanha para apresentar o filme “A Praga” no Festival de Cinema Fantástico de Sitges, um dos mais tradicionais do gênero. Por ali, Zé do Caixão é José del Ataúd.

Sitges, aliás, premiou Mojica em vida. Em 1973, “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, de 1968, recebeu um prêmio lá. Cinco anos depois, o festival o convidou para a edição de 1978, quando Mojica exibiu três obras.

Já em 1971, Cannes recebera uma mostra de cinema brasileiro organizada pela Embrafilme, com “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”, de 1967, incluído. A França voltou a atacar em 1974. O diretor foi convidado a ir a Paris para uma convenção de filmes de terror e lá exibiu dois filmes.

O melhor momento para Mojica, no entanto, foi conhecer pessoalmente Christopher Lee, o eterno conde Drácula do cinema. O brasileiro convidou o britânico a estrelar seu próximo filme. Mas Lee, que naquela ocasião nunca havia ouvido falar em Zé do Caixão, desconversou e bateu suas asas de morcego.

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