O que podemos aprender com o casal de youtubers que "devolveu" o filho adotivo?

Myka e James Stauffer com os filhos, incluindo o pequeno Huxley (Foto: Instagram/ Myka Stauffer)

Dentre tudo o que tem acontecido no mundo, uma influenciadora norte-americana ganhou as manchetes no mundo ao anunciar que tinha recolocado o seu filho adotado em outra casa. 

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Myka Stauffer e o marido, James, adotaram Huxley, agora com quatro anos e meio, na China em outubro de 2017. O menino foi diagnosticado com autismo e, desde então, a família tem lidado com as críticas do público ao anunciar, com um vídeo no YouTube, "que se desfez do pequeno". 

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No vídeo em inglês, que você pode ver abaixo, Myka e James explicam que, durante o processo de adoção internacional, muitas vezes os pais adotivos não conseguem as informações completas sobre a saúde da criança. O que significa que, para eles, a descoberta do autismo de Huxley foi gradual. 

Bastante emocionados, os dois comentam sobre como "99% das dificuldades" não foram divulgadas nas suas redes e que os motivos que levaram a recolocação de Huxley não seriam comentados para preservar a privacidade do pequeno. 

"Nós sentimos que essa foi a melhor decisão para o Huxley", disseram os advogados do casal, Thomas Taneff e Taylor Sayers à revista ‘People'. "Desde a adoção, eles se consultaram com inúmeros profissionais das áreas médicas e educacionais para garantir os melhores cuidados para o Huxley. Com o tempo, os profissionais médicos aconselharam o casal de que seria melhor o Huxley ser colocado aos cuidados de outra família". 

Segundo o comunicado, essa notícia seria devastadora para qualquer pai, mas o casal chegou a difícil conclusão de que deveriam seguir as orientações. É aí que entra a polêmica, já que rumores diziam que Myka e James colocaram a criança no sistema de adoção, o que, de fato, não aconteceu. "Para ser claro, isso não incluiu nenhuma ideia de colocar a criança no sistema de adoção, mas selecionar à mão uma família que está equipada para atender as necessidades do Huxley. Eles foram forçados a tomar uma decisão difícil, mas essa é a coisa certa e mais amorosa a se fazer por esta criança". 

Transparência na era da desinformação 

Não é lugar de ninguém julgar as ações de Myka e James, principalmente quando não se tem todas as informações. E, aliás, esse é um ponto que precisa ser mais bem explorado. 

É muito comum as pessoas emitirem opiniões na internet considerando como certo ou errado a atitude de alguém. Em um caso como esse, quando se trata de uma criança com necessidades especiais, é difícil mensurar as dificuldades que tanto os pais, quanto a própria criança, tinham no dia a dia e o quanto, possivelmente, uma mudança como essa seria o ideal para que ela crescesse em um ambiente saudável e propício ao seu desenvolvimento. 

Segundo Myka e James, a "nova mamãe" de Huxley é uma profissional de saúde, o que, no mínimo, lhe dá mais ferramentas para cuidar de uma criança com necessidades como as dele. 

Mas, fato é: é preciso ir além das manchetes e das primeiras impressões que se têm ao entrar em contato com uma notícia que vai contra aquilo que você acredita. As ideias que temos de maternidade, hoje, implicam que a mãe não só pode como deve lidar com todo e qualquer tipo de dificuldade sem reclamar ou pensar duas vezes, desconsiderando que, muitas vezes, isso pode não ser o melhor para ela ou para a criança. 

Em uma sociedade tão reativa como a que vivemos agora, que reage à meias notícias, textos de WhatsApp e tuítes, é importante lembrar sempre de buscar entender primeiro para falar sobre depois. Se a cultura do cancelamento nos ensina qualquer coisa, é a capacidade das pessoas na internet não darem uma segunda chance para aqueles que erraram evoluírem e para aqueles que talvez nem tenham errado em um primeiro momento de serem entendidos de verdade.