‘Westworld’, uma série para “gente grande”

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Thandie Newton e Rodrigo Santoro no primeiro episódio da série (Divulgação)

Quando eu era moleque costumava assistir aos filmes “de gente grande” escondido. Meu pai, obviamente, não queria que eu visse; então eu esperava o momento em que ele ia dormir e ligava a TV. Via os filmes no mínimo de volume possível, um olho na TV e outro na porta da sala. Foi numa dessas que assisti a ‘Westworld – Fora de Controle’.

Escrita e dirigida por Michael Crichton (um dos poucos filmes no qual o escritor se aventurou na direção), o enredo mostra um parque temático no qual os visitantes usam e abusam de androides, minuciosamente idênticos aos humanos. Se não me engano, o parque era dividido em três cenários: faroeste, medieval e Império Romano.

Em determinado momento, o robô vilão do faroeste – interpretado por Yul Brinner – morre mais uma vez e é levado para conserto. Daí o pessoal da tecnologia resolve testar uma super atualização que faz com que o androide fique mais rápido, mais esperto, mais forte e com visão mais acurada. Ocorre que o sistema de gerenciamento dos robôs sofre uma pane e o comando que os impedia de ferir humanos é desligado. E eis que começa um grande massacre de visitantes. A história se concentra na obsessiva perseguição do androide de Yul Brinner a um visitante em particular.

Bem, aí temos ecos de ‘Jurassic Park’ (um dos best-sellers de Crichton) e ‘Exterminador do Futuro’. Lançado em 1973, ‘Westworld – Fora de Controle’ é um filme impressionante – pelo menos me impressionou muito quando o vi, aos 12 anos. Agora a história do parque temático de robôs ganhou releitura com chancela da HBO, produção de J.J. Abrams e Jonathan Nolan e um elenco de superestrelas, como Ed Harris, Anthony Hopkins, Thandie Newton, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright e Rodrigo Santoro.

A nova versão de ‘Westworld’ se concentra apenas no Oeste selvagem e, em seus dois primeiros episódios, mostra dilemas éticos que colocam em cheque os conceitos de bem e mal. E se o filme de 1973 já impressionava visualmente, o impacto dos efeitos especiais da série é acachapante – o mesmo pode se dizer do grandiloquente cenário, com externas filmada no Arizona e em Utah.

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‘Westworld’ teve a melhor estreia da HBO desde ‘True Detective’ e é considerada a grande aposta da emissora para este final de ano. Isso fica claro pela magnitude da produção e nomes envolvidos. A julgar pelos dois episódios que foram ao ar, tem tudo para ser uma das séries de maior repercussão dos últimos tempos, colocando a HBO como única emissora a fazer frente, em termos de impacto, às produções da Netflix. Eis aí uma produção para “gente grande”.