Warner prioriza cinema, deixa streaming de lado e se inspira na Marvel para mudar a DC

Batgirl foi cancelado (Foto: Reprodução)
Batgirl foi cancelado (Foto: Reprodução)

A semana da Warner Discovery foi uma das mais movimentadas do entretenimento nos últimos meses. Após o polêmico cancelamento do filme da "Batgirl", que já estava filmado, a empresa apresentou seus resultados do último trimestre e deu pistas do que fará daqui pra frente sob a direção de David Zaslav, novo CEO.

Para começar, o prejuízo segue na casa dos 3 bilhões de dólares, algo que moldou muitas das decisões anunciadas. Segundo Zaslav, a WB não quer volume de assinantes, nem volume de conteúdo. Ela quer ser paga e quer o colocar no ar o melhor conteúdo possível. Dito isso, eles não acreditam que "Batgirl", um filme que custou 90 milhões, daria retorno no cinema ou no streaming. Por isso também, eles vão unificar o HBO Max e o Discovery + e um só serviço a ser lançado em 2023.

Além desses movimentos, a Warner deixou claro que acredita muito no poder da TV a cabo e TV ao vivo. Segundo Zaslav, esses são modelos que além de rentáveis ainda são abraçados pelo público e, de acordo com a nova estratégia, ainda terão muito espaço na companhia. Nada, porém, é mais forte que o cinema para o CEO. Empolgado pelos números de "The Batman" e "Elvis", que fizeram 770 e 240 milhões, Zaslav acredita que nada é comparável ao poder do cinema e de Hollywood. "As pessoas vêm para aqui para realizar seus sonhos", disse ele em determinado momento.

Por fim, a Warner deu uma breve pista do que pretende fazer com a DC no cinema, e não tinha como ser mais clara: ela vai seguir a receita da Marvel em 2008, quando Alan Horn, Bob Iger e Kevin Feige decidiram montar o Universo Cinematográfico da Marvel. Agora, 14 anos depois, Zaslav acredita que é hora de repetir esta receita que, diga-se de passagem, foi executada pela gestão anterior na época de Zack Snyder e sua "Liga da Justiça".

É fato, porém, que Zaslav aposta em táticas mais conservadoras para diminuir o prejuízo recorrente nos últimos 10 anos na companhia. Se copiar a Marvel hoje vai dar certo ou não é difícil saber, mas uma coisa que fica clara é que a empresa como um todo tenta agora emular o consumo de entretenimento de duas décadas atrás para comprovar que, após a COVID, o mundo voltou a ser como nos anos 2000.

Por hora, o mercado não sentiu confiança nas decisões e as ações caíram mais de 16% nas primeiras horas da sexta-feira. Vamos ver como o público geral responderá nos próximos meses.

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