Warner Bros. se posiciona após ameaças de morte a J.K. Rowling

Warner Bros. Discovery se posiciona após ameaças de morte a J.K. Rowling, autora de
Warner Bros. Discovery se posiciona após ameaças de morte a J.K. Rowling, autora de "Harry Potter" (Foto: AP Photo/Lefteris Pitarakis)

A Warner Bros. Discovery, empresa que detém os direitos de adaptação da franquia "Harry Potter", defendeu a criadora da história, J.K. Rowling, após a escritora receber ameaças de morte nas redes sociais. O posicionamento foi emitido a jornalistas logo após ela cobrar medidas do Twitter em relação a ataques feitos por usuários da plataforma.

Na rede social, a autora havia comentado o atentado ao escritor indiano Salman Rushdie, que foi esfaqueado 15 vezes durante uma conferência em Buffalo, nos Estados Unidos, onde palestrava sobre liberdade de expressão. “Notícias terríveis. Me sentindo muito mal. Que ele fique bem”, solidarizou-se a colega. Em resposta, um usuário, identificado como Meer Asif Aziz, declarou: "Não se preocupe, você é a próxima."

Mesmo sem um posicionamento do Twitter, Rowling pôde contar com o apoio da Warner Bros., que emitiu um comunicado em sua defesa: "A Warner Bros. Discovery condena veementemente as ameaças feitas contra J.K. Rowling. Estamos com ela e todos os autores, contadores de histórias e criadores que corajosamente expressam sua criatividade e opiniões. A WBD acredita na liberdade de expressão, no discurso pacífico e no apoio àqueles que oferecem seus pontos de vista na arena pública", diz o texto.

"Nossos pensamentos estão com Sir Salman Rushdie e sua família após o ato de violência sem sentido em Nova York. A empresa condena veementemente qualquer forma de ameaça, violência ou intimidação quando opiniões, crenças e pensamentos possam diferir", ainda diz o comunicado. Rowling afirmou que a polícia já está envolvida no caso e investigará as ameaças.

Acusações de transfobia e rejeição

Criadora de uma das franquias infanto-juvenis mais bem-sucedidas na literatura e no cinema, Rowling tem sofrido retaliação, até mesmo de fãs de "Harry Potter", por ter assumido uma postura considerada transfóbica. Em dezembro de 2021, por exemplo, a escritou usou seu Twitter para criticar a linguagem utilizada em uma matéria do jornal The Times.

A notícia informa que a polícia britânica irá passar a registrar como mulheres abusadores sexuais que tenham genitália masculina, se eles se identificarem como mulheres, mesmo não tendo feito a transição de gênero legalmente.

"Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força. O indivíduo de pênis que te estuprou é uma mulher", escreveu na rede social, fazendo alusão ao livro "1984" de George Orwell. Nos comentários da publicação, fãs e internautas criticaram a escritora.

"Você literalmente criou todo um universo cheio de personagens maravilhosos, criaturas fantásticas, magia e maravilhas, mas não consegue entender que pessoas trans existem? Você decaiu muito da mulher inspiradora que escreveu Harry Potter dentro do seu carro", disse um.

"Eu tenho dificuldade de entender como alguém pode criar um mundo onde o amor humano pode literalmente salvar as pessoas da morte, e simultaneamente abraçar esse tipo de ódio", pontuou um segundo. "Órgãos sexuais não definem a identidade de uma pessoa. Eu desejo mais amor em sua vida!", disse outro.

No mês anterior ao comentário, Rowling havia recebido diversas ameaças de morte de supostos ativistas dos direitos dos transgêneros, que a acusavam de transfobia. "Recebi tantas ameaças de morte que agora poderia colocá-las de papel de parede", disse a romancista em uma série de tuítes.

Com informações da Folhapress