Wanessa relembra aborto e crise de pânico: "Foi um lugar bem assustador"

Se na frente das câmeras, Wanessa sempre aparece sorridente e pronta para qualquer performance, como mostrou em sua participação no "Show do Famosos", no final do ano passado, por trás dela, a artista é como qualquer ser humano e enfrenta problemas reais. Convidada do Yahoo Entrevista desta semana, a cantora contou que passou por fortes crises de pânico nos dois últimos anos e a situação piorou após perder um bebê.

"Tive agora, esses dias, num brinquedinho de criança. Eu entendi que era uma crise. Nossa, que vergonha. Eu fiz parar o barco pirata infantil. Eu nunca saí de um brinquedo, fiquei arrasada", relembra. "Mas eu já estou muito feliz, porque em abril de 2021 estava tendo crise praticamente um dia sim, dia não, todos os dias tendo que lidar com isso. E, às vezes, passo semanas sem e falo: 'nossa, essa semana eu passei, não tive'. É um caminho que tem que ir passo a passo, escolhi um processo sem medicação, que é um processo um pouco mais longo também."

Durante a gravação da série documental "E o amor", para a Netflix, Wanessa decidiu expor seu lado mais frágil no período mais intenso das crises. Ela conta que a decisão não partiu de coragem, mas de uma forma em tentar se curar sem esconder do grande público o que acontecia nos bastidores de sua carreira.

"Não cabia eu fingir que estava tudo bem, quando estava vivendo um processo bem pesado de pânico, não tinha nem como esconder. Tinha dois caminhos: me resguardar e não contar para ninguém o que estava acontecendo. Ou ser essa você, ser sincera. Foi um processo que não foi questão de coragem, foi questão de querer uma vida mais verdadeira, sabe? Queria e quero mais verdade na minha vida assim. 'O que está acontecendo na sua vida? Você está com pânico, você está lidando com um processo mental delicado e isso vai aparecer'. Sua família tá ali com você, mas ninguém está tendo isso. Então ninguém vai entender de fato."

A cantora relembra que precisou do apoio do marido, o empresário Marcus Buaiz para lidar com os filhos, José Marcus, de 10 anos, e João Francisco, de sete, durante as crises.

"Tinha que fingir para os meus filhos que estava tudo bem, me afastar porque eu não queria passar para as crianças. O Marcus me dando apoio, mas você se sente doida no meio do caminho. E dito e feito, a gente estava gravando, me dava crise na gravação. Assistir foi um lugar que eu fiquei um pouco emocionada de ver. É um pouco doloroso para mim olhar e ver eu tendo a crise ali. É um lugar muito delicado. Eu respiro, se eu tiver que parar, eu paro. É um caminho que eu talvez passe a vida tentando e lidando com isso."

Estopim na pandemia

Assim como muitas pessoas, a pressão do confinamento e as inseguranças causadas pela pandemia fez com que Wanessa tivesse uma piora nos gatilhos que desencadeiam as crises de pânico. Mas ela conta que, durante a descoberta de uma gravidez, sua saúde mental se agravou de vez. Wanessa perdeu o bebê no início da gestação e teve que enfrentar as consequências.

"Foi depois disso que eu comecei a ter mais crises ainda. Fiquei com muito medo porque eu passei por um processo de infecção, eu tive um aborto bem complicado porque tive que enfrentar uma cirurgia de emergência, para mim foi muito. O fato do aborto, como foi, a febre, o risco que eu corri, foi um lugar bem assustador para mim, é um lugar doloroso, cansativo. A gente cria expectativa, a gente cria sonhos, a gente já vê a criança. Eu perdi muito no comecinho, mas eu já via essa menina e eu queria muito ser mãe de menina. Então me deu uma tristeza, mas ao mesmo tempo entendi que não era para ser."

A superação para se desvencilhar dos traumas causados pela perda do bebê foi encontrar força na própria maternidade e no amor que sente pelos filhos.

"O que me ajudou bastante foi o fato de já ser mãe de duas crianças. Isso me deu uma sensação de: 'olha, isso aconteceu, mas olha para seus dois filhos saudáveis aqui e bem'. O meu corpo não aceitou de alguma forma o que ia acontecer. E foi um processo espiritual que passou por mim. Eu fui mãe dessa menina. Eu dou nome a ela. Então, a Maria veio e ela não precisou ficar. Ela fez o papel dela. E se eu tiver que ser mãe, vai acontecer, sabe?"

A vontade de ser mãe de uma menina ainda vibra no coração da cantora, mas ela ainda não consegue criar expectativas sobre uma nova gestação.

"Eu já tô com 39 anos. Não é uma gravidez que pode ser tão simples, então tem várias coisas, eu falei: 'ah, não sei se quero mais ter'. Eu não me fechei 100%, mas 90% tá resolvido que eu sou mãe de dois meninos."

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