Wajngarten sugere interferência no BB para manter publicidade em site de fake news

Fabio Wajngarten, secretário de comunicação da presidência, ao lado de Jair Bolsonaro, 2019. Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

O chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Fabio Wajngarten, sugeriu nas redes sociais uma possível interferência do governo no Banco do Brasil (BB) em defesa do financiamento de um site acusado de espalhar notícias falsas.

O Banco do Brasil informou que irá suspender a veiculação de seus anúncios programáticos no site "Jornal da Cidade Online", defendido por bolsonaristas como "mídia alternativa". Wajngarten criticou a decisão do BB e disse que estaria "contornando a situação", sem dar detalhes.

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A decisão do BB de cortar o financiamento indireto do site veio após uma campanha promovida por um movimento recém-criado com o objetivo justamente de impedir a publicidade em sites de fake news. Outras empresas também já anunciaram mudanças em suas políticas após a campanha.

O responsável pela campanha é Sleeping Giants Brasil, um perfil no Twitter, criado na última segunda-feira (18), inspirado em uma página de mesmo nome que existe desde 2016 nos Estados Unidos. "Visamos impedir que sites preconceituosos ou de Fake News monetizem através da publicidade. Muitas empresas não sabem que isso acontece, é hora de informá-las", diz a descrição do perfil, que tem 25 mil seguidores. Não há uma identificação sobre os responsáveis pela página.

Na terça-feira (19), a página cobrou o Banco do Brasil por anunciar no "Jornal da Cidade Online", dizendo que ele é "um site conhecido por espalhar Fake News". O site Aos Fatos, especializado em desmentir notícias falsas, já classificou o "Cidade Online" como "rede articulada de desinformação". Recentemente, a Justiça do Rio de Janeiro condenou os donos do site a indenizarem o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, por danos morais.

Na quarta-feira (20), o Banco do Brasil respondeu à publicação no Twitter dizendo que "os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado". O banco acrescentou repudiar "qualquer disseminação de Fake News".

Outras empresas, como Telecine, Dell e o Canal History também afirmaram que vão deixar anunciar no "Jornal da Cidade Online" após a campanha do Sleeping Giants.

Após a publicação do Sleeping Giants, e antes do anúncio do Banco do Brasil, o "Jornal da Cidade Online" publicou um texto se dizendo vítima de um ataque "obivamente orquestrado". O veículo também disse fazer parte de uma "tradição jornalística de mais de 40 anos, 13 deles em versão online" e afirmou atuar em "conformidade com todas as plataformas de anúncios e redes sociais das quais participa".

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do "Jornal da Cidade Online", afirmando que o Banco do Brasil "pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas".

Já o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Fabio Wajngarten, criticou o Sleeping Giants, dizendo que o perfil "precisa urgentemente deixar o viés ideológico de lado na hora de fazer suas supostas denúncias". Depois, em resposta a uma pessoa que citou o caso, Wajngarten afirmou estar "contornando a situação", sem entrar em detalhes.

O jornal O Globo procurou o Banco do Brasil, para saber mais detalhes da decisão, e a Secom, para saber se Wajngarten está atuando para revertê-la, mas ainda não houve resposta. O perfil Sleeping Giants Brasil também foi procurado, mas igualmente ainda não houve retorno.

**Da AGÊNCIA O GLOBO

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