'Acho que o governo hoje tem o que eu chamo dos 4 cavaleiros do apocalipse', diz Felipe Rigoni (PSB-ES), primeiro parlamentar cego do país

O deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES) foi o convidado do Vozes da Nova Política, publicado nesta terça-feira (8). Formado em Engenharia de Produção pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e com mestrado em Oxford, ele é o primeiro parlamentar cego eleito para a Câmara dos Deputados.

Sua primeira tentativa de ingresso no Legislativo foi em 2016, quando se candidatou a vereador pelo PSDB na cidade de Linhares (ES), onde nasceu. Ficou em 14º e não foi eleito devido ao coeficiente eleitoral. “Perdi, graças a Deus, e foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos 3 anos. Ao perder, tive a oportunidade de estudar e me envolver com movimentos que querem transformar a política”, detalhou ele.

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Co-fundador do Movimento Acredito, em 2017, Rigoni foi selecionado pelo RenovaBR no programa de formação de líderes. Em 2018, foi eleito o segundo deputado federal mais votado do Espírito Santo, com 84.405 votos.

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Seu compromisso com as pautas liberais - e com os ideais dos dois movimentos que integrou - o fez contrariar o fechamento de questão do PSB em votar contra a reforma da Previdência. Rigoni, assim como Tábata Amaral (PDT), votaram favoráveis e foram punidos. O parlamentar segue suspenso pelo partido.

MOVIMENTOS COMO PARTIDOS POLÍTICOS

Rigoni não negou a possibilidade de que movimentos como RenovaBR e Acredito virem partidos políticos. “São coisas diferentes, poderiam (virar partidos) com certeza. Não vejo um limitante. Mas a ideia dos movimentos é juntar pessoas de partido diferentes ao redor de pautas específicas e de pautas que os parlamentares tem em comum. Infelizmente, os partidos falharam muito no sentido de atuar em conjunto com outro. Fica sempre um tentando marcar uma posição única e fica aquela confusão danada. Ninguém trabalha junto e o Brasil não anda”.

CAVALEIROS DO APOCALIPSE

Entre suas principais bandeira, está a Educação, que segundo ele vem estagnada durante os 9 primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro. “Acho que o governo hoje tem o que eu chamo dos 4 cavaleiros do apocalipse. Os ministérios da Educação, dos Direitos Humanos, das Relações Exteriores e do Meio Ambiente. Infelizmente, ali eu percebo uma negação muito grande das evidências científicas e uma pré-disposição ao conflito que só prejudica a pauta”.