De volta a 'Salve-se Quem Puder', Flávia Alessandra diz que não cabia no figurino

KARINA MATIAS
·2 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Durante os cerca de cinco meses em que as gravações de "Salve-se Quem Puder" (Globo) ficaram suspensas por causa da pandemia, a atriz Grace Gianoukas conta que ficou cantando a musiquinha de Ermelinda em casa -e "enchendo os ouvidos da sua família", diz- para não perder a composição da personagem. Talvez, porém, ela nem precisasse da estratégia. "Quando eu vesti o figurino, ela veio inteira. Parece que o tempo não tinha acontecido, ela estava viva em mim." Outros atores, como Deborah Secco, a protagonista Alexia, também afirmam que tiveram medo semelhante. "Durante a pandemia, eu ficava me perguntando como fazer para mantê-la em mim, mas é impressionante que foi só reencontrar os outros atores, que a coisa vem automaticamente." Depois de quase um ano fora do ar, "Salve-se Quem Puder" reestreou, na íntegra e desde o início, na segunda passada (22). Para Juliana Paiva, a mocinha Luna, o fato de cada artista ser responsável por sua caracterização -medida adotada como forma de ter o mínimo de pessoas circulando nos Estúdios Globo- foi outro desafio das gravações em tempos de pandemia. "Usei muito esse tempo que eu tinha no camarim, fazendo cabelo e maquiagem, como uma imersão. Colocava músicas que tinham a ver com a personagem. Estava na TV, mas parecia bastidor de teatro. Esse foi um processo novo e muito produtivo." "Mas e quando você não entra no figurino?", pergunta, aos risos, Flávia Alessandra, a Helena na trama. Apesar do corpo escultural, a atriz afirma ter engordado cinco quilos no período em que ficou longe das gravações. "E as roupas de Helena eram todas sequinhas, justas, várias não fechavam. Era a minha maior preocupação, o Fred [Mayrink, diretor] me protegeu em vários momentos", diz. Os colegas de elenco e o próprio autor Daniel Ortiz brincam que Vitória Strada é própria Kyra: muito atrapalhada. "São a mesma pessoa", diverte-se o escritor. A atriz se justifica: "Ela foi um desafio para mim, porque os meus outros personagens eram mocinhas de época que têm uma composição completamente diferente até o jeito de falar. E aí fui para uma novela atual, uma comédia. Achava que não sabia fazer." O único jeito, afirma a artista, de conseguir interpretar o papel foi se jogar. "Eu me joguei tanto que eu gostei de ter a Kyra dentro de mim." "A minha namorada [a atriz Marcella Rica] que fala que conheceu uma Vitória séria, e viu a Kyra chegando em casa", comenta, aos risos. "E eu falei assim: quando eu fiz Júlia Castelo [a protagonista de 'Espelho da Vida', novela de 2018], levei um pouco de Júlia Castelo para casa, quando eu tiver fazendo a Kyra, será a Kyra", complementa. "Isso é ótimo, gente, cada dia uma mulher em casa", brinca Juliana Paiva.