Você pode ter o 'intestino preso' e nem saber; veja os sintomas menos comuns

Intestino preso é um problema

Por Marie Claire Dorking

Nós costumamos acreditar que saberíamos dizer se estivéssemos constipados, mas uma nova pesquisa revelou que a forma como as pessoas definem a constipação, muitas vezes, não está correta.

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A constipação ocorre quando há dificuldade de esvaziar os intestinos e eliminar as fezes, ou seja, o famoso ‘intestino preso’.

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Afetando uma em cada sete pessoas, trata-se de algo muito comum, mas os médicos e pacientes não costumam concordar em relação aos sintomas da mesma.

Isso significa que quem sofre com o intestino preso nem sempre recebe os conselhos e tratamentos apropriados para o caso.

O estudo, conduzido pela Kings College London e publicado na revista científica ‘American Journal of Gastroenterology’, descobriu que a percepção do público em relação à constipação difere da dos médicos e das diretrizes oficiais de diagnóstico.

Os pesquisadores coletaram dados de 2.557 membros do público (dos quais 934 haviam relatado ter constipação), 411 médicos e 365 especialistas em gastroenterologia.

Eles descobriram que, daqueles que relataram estar constipados, 94% realmente apresentaram os critérios formais para o diagnóstico.

No entanto, de forma surpreendente, dos 1.623 que relataram não ter qualquer indício de constipação, 29% também apresentaram os critérios formais.

Isso significa que quase um em três pacientes “saudáveis” estavam, portanto, clinicamente constipados sem reconhecer isso.

De acordo com o Dr. Kevin Barrett, da Primary Care Society for Gastroenterology, os sinais da constipação variam de indivíduo para indivíduo.

“Ir ao banheiro com menos frequência do que o normal é o principal indício, mas não há uma definição clara de qual seria a frequência ‘normal’ – para alguns é uma ou duas vezes por semana, e para outros é duas ou três vezes ao dia”.

Os médicos se preocupam com a constipação quando há uma alteração na frequência com a qual a pessoa costuma evacuar, principalmente naqueles com mais de 60 anos, embora uma mudança persistente em qualquer idade precise ser avaliada.

“Inchaço, desconforto, dor, sangramento retal, sensação de estar cheio, apetite reduzido, dores de cabeça, alterações de humor e letargia são sintomas que podem ser decorrentes da constipação,” explica Barret.

Identificando um ‘intestino preso’

Diante das descobertas decorrentes do estudo, a equipe de pesquisadores da Kings College London está destacando a importância de uma nova definição para a constipação, que pode ajudar as pessoas a reconhecer os sintomas mais facilmente.

Segundo eles, esta lista de seis grupos de sintomas pode ajudar a dar forma à nova definição:

  • Desconforto, dor e inchaço abdominal – as roupas não vestem tão bem quanto antes

  • Desconforto retal – sangramento por fazer força demais, dor ou sensação de queimação na região anal

  • Movimentos intestinais infrequentes e fezes duras – a frequência “normal” pode variar de três vezes ao dia a três vezes por semana

  • Disfunção sensorial – não sentir vontade de ir ao banheiro ou ter uma sensação de evacuação incompleta

  • Flatulência e inchaço – gases barulhentos e com odor desagradável

  • Incontinência fecal – vazamentos incontroláveis ou sangramento retal

“As pessoas supõem que, a não ser que estejam fazendo uma força excessiva para evacuar ou indo ao banheiro com pouca frequência, não podem estar constipadas, mas a constipação causa vários outros sintomas associados, como inchaço abdominal, dor retal e sangramento real,” explica a Dra. Shah.

“Esta confusão em relação ao diagnóstico significa que muitos pacientes podem esperar antes de consultar seus médicos, levando a um atraso no diagnóstico e no tratamento”.

“Na maioria dos casos a constipação é simples e facilmente tratada, mas em outros ela pode ser um sintoma de doença inflamatória intestinal ou câncer no intestino, então ter uma lista com uma definição mais ampla pode ajudar os pacientes a buscar ajuda mais cedo”.

O que causa a constipação?

A constipação pode ser causada por diversas razões.

“O mais comum é que ela surja devido a uma dieta pobre em fibras, substâncias necessárias para dar corpo às fezes,” explica a Dra. Shah.

Outras causas incluem desidratação, medicamentos (principalmente analgésicos como a codeína), gravidez e síndrome do intestino irritável.

O Dr. Barrett destaca que a genética também pode ter um papel relevante, então um histórico familiar de ‘intestino lento’ também pode ser considerado uma potencial causa.

“Esclerose múltipla ou paralisia cerebral, podem aumentar a probabilidade de surgimento da constipação,” diz Barret.

A doença celíaca também costuma resultar em constipação, e embora a síndrome do intestino irritável, a doença de Chron e a colite ulcerativa costumem causar diarreia, também podem levar à constipação.

“Às vezes o câncer de ovário pode desencadear a constipação, então os médicos são aconselhados a considerar esta possibilidade em mulheres com mais de 50 anos que estejam desenvolvendo os sintomas da síndrome do intestino irritável pela primeira vez,” afirma Barret.

Com que frequência deveríamos ir ao banheiro?

De acordo com a Dra. Shah, não há uma recomendação específica do número de vezes em que alguém deve esvaziar seus intestinos.

“Isso pode variar de pessoa para pessoa; alguns fazem isso diariamente e outros passam alguns dias sem fazê-lo. A constipação surge quando este padrão regular é perturbado e vem acompanhado de uma dificuldade para evacuar”.

As pessoas não sabem ao certo quais são os sintomas de constipação [Foto: Getty]

Formas de reduzir o risco de constipação

A Dra. Shah afirma que a melhor forma de evitar a constipação é manter uma dieta rica em frutas e vegetais, já que isso vai garantir que você está consumindo uma quantidade suficiente de fibras.

“As pessoas devem ingerir pelo menos 30g de fibras por dia,” ela diz. “As melhores fontes de fibras são frutas como maçã, ameixa e damasco, e vegetais como ervilha, brócolis e cenoura”.

“Costumo aconselhar meus pacientes a consumir damascos secos ou tâmaras para manter seus intestinos em ação”.

“Beber água regularmente também ajuda,” ela acrescenta.

O Dr. Barrett também recomenda aumentar o consumo de fibras, de água e se exercitar.

Ele também recomenda conversar com seu médico sobre os remédios que você consome, já que pode haver alternativas mais apropriadas.

“Os laxantes são úteis em alguns casos, e há muitos tipos diferentes deles, bem como novos medicamentos que podem ajudar a tratar os sintomas da constipação provocada por opioides quando uma dose reduzida ou outras alternativas não forem eficazes,” acrescenta Barrett.