Você já pensou em ter um ferret como bichinho de estimação?

Foto: Reprodução/Instagram @ferrets_mania

 por Rodrigo Macedo

Tem gente que gosta de cachorro, tem gente que prefere gatos, mas tem quem crie todo tipo de animalzinho em casa. Muita gente já teve iguana, cobra, hamsters e porquinhos-da-Índia. Teve até um tempo que ter um ratinho de laboratório era moda!

Mas e de ferret, você já ouviu falar? Talvez o conheça pelo nome brasileiro, de furão, um bichinho parecido com um roedor, mas que na verdade pertence à família dos texugos.

Dizem que os furões foram domesticados há muito tempo e que além de serem bonitinhos, já foram usados na caça. Isso porque são bichinhos meio curiosos e eram ótimos para desentocar coelhos e outros roedores. Inclusive, isso teria dado aos furões mais uma utilidade: espantar pragas de cereais.

Desde meados da década de 1970 começou a ficar popular criar furões como animais de estimação nos Estados Unidos, e o hábito começou a se espalhar. Por lá e pela França, são pets que só perdem em popularidade para os gatos e cachorros.

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No Brasil, também tem seus adeptos. Como o advogado André Troesch Oliveira, que em novembro de 2016 trouxe o Mustela dos Estados Unidos, mesmo sabendo do alto custo de um bichinho desses e do fato de que não vivem muito — a expectativa média de vida de um é entre 7 e 8 anos.

Troesch explica que sempre ouvia que os furões eram fedidos, mas que a coisa não é bem assim, ainda que tenham seu cheirinho característico. O Mustela é um bichinho asseado, cuja gaiola precisa ser limpa sempre, apesar de bem bagunceiro.

André também precisou realizar mudanças em sua rotina para se adequar ao novo amiguinho: manter portas fechadas na cozinha e nos banheiros, além de usar sempre capas nos sofás, por que seu bichinho é tão atentado que quer se enfiar em qualquer vão. Fora da gaiola, que precisa ser um lugar confortável, o Mustela só fica se tiver companhia de um adulto. Apesar de independentes, os ferrets requerem atenção, um pouquinho de chamego e cuidados.

Foto: Reprodução/Instagram @ferrets_mania

Além de caros, os ferrets precisam de rações especiais que não custam barato. Uma embalagem de 5 kg custa aproximadamente R$ 280 e dura, em média, 4 meses. A veterinária Juliana Guarnieri, que desde 2000 – data em que os primeiros furões começaram a chegar no Brasil – já teve 8 ferrets e hoje possui 3: a Nina, a Gina e o Gino. Além de apaixonada pelos bichinhos, Juliana é pós-graduada em animais silvestres e exóticos.

A especialista conta que antes de chegar ao Brasil, os ferrets precisam ser castrados. Como isso é feito de forma muito precoce, há correntes que acreditam que isso pode trazer problemas de saúde. Por aqui, criar é ilegal, então todos os ferrets precisam ser importados com autorização do IBAMA, que exige a microchipagem e a transação com nota fiscal. Comprar sem atender a estes requisitos pode render multa e processo.

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Entre os cuidados com estes animaizinhos estão a vacina contra raiva e cinomose, além de medicação preventiva de pulgas. É recomendado, também, um check-up com um especialista a cada seis meses. “No geral, a manutenção é barata, mas quando ele tem alguma doença ou necessita de cirurgia, os valores são bem altos”, explica Juliana.

“Se você é uma pessoa que não tem tempo, vai deixá-lo sozinho na gaiola e ficar 5 minutos por dia com ele, não tenha um furão. Se não quiser limpar sempre a gaiola, não tenha também”, explica o dono do Mustela. Juliana coloca, na lista de recomendações, a informação de que é importante pesquisar, antecipadamente, a existência de um veterinário especialista por perto para casos de emergência. “Se possível, sempre se deve adquirir mais de um furão para que interajam e brinquem entre eles”, acrescentando que se adaptam a cães e gatos, mas de forma gradativa. “Mas evite o contato dos ferrets com hamsters, aves e coelhos”, recomenda a veterinária.