Você está preparado para viver o verão do amor versão 2021

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Em países da Europa e nos Estados Unidos, o momento é de reabertura e comemoração - inclusive na cama (Foto: Getty Creative)

Resumo da Notícia:

  • Países da Europa e dos Estados Unidos comemoram o primeiro verão após a reabertura

  • Cresce a venda de camisinhas e festas de sexo têm ingressos esgotados

  • Ainda assim, a procura maior é por relacionamentos longos e não por sexo casual

Dois Carnavais cancelados. Uma celebração de Ano Novo (até agora). Inúmeras baladas, barzinhos, festas de aniversário, de casamento. Até os encontros arranjados pelo Tinder não aconteceram - ou, se aconteceram, podem não ter passado da conversa a céu aberto. Vamos combinar, o último ano e meio não foi bom para a vida sexual de ninguém, nem mesmo daqueles que já namoram ou são casados - a queda na libido, muito influenciada pela ansiedade, o estresse e todas as questões politico-econômico-sociais que assolam o Brasil desde o começo da pandemia de coronavírus, foi real.

Por outro lado, estamos vemos um retorno à normalidade, com muitas ressalvas, em países da Europa e nos Estados Unidos, onde a vacinação segue avançada e algumas das principais medidas preventivas estão sendo dispensadas, incluindo o uso de máscaras. Dessa forma, o que vemos por lá é algo como uma reedição dos anos 1960, o que muitos têm chamado de uma nova forma de "verão do amor".

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No Reino Unido, o aplicativo Hinge - um dos mais populares por lá -, liberou um estudo feito com seus usuários no começo do ano que disse que 85% das pessoas estavam prontas para irem a encontros assim que o lockdown terminasse. No meio de abril, quando as pessoas puderam se encontrar pessoalmente e mais livremente por lá, metade dos usuários já tinham encontros marcados, e muitas redes de farmácias viram as vendas de camisinhas explodir nesse mesmo período. Segundo o jornal britânico The Guardian, a marca de preservativos Durex anunciou um aumento de "dois dígitos" no número de vendas em vários países, inclusive a China.

E tem mais: as festas de sexo nunca foram tão populares. Também de acordo com o "The Guardian, a rave sexual Crossbreed anunciou para este ano o seu primeiro evento presencial, parte de uma série de festas que vão acontecer entre os meses de junho e setembro, quando acontece o verão no Hemisfério Norte. O mais impressionante é que todos os 800 ingressos foram vendidos em menos de uma hora. Em setembro, aliás, a Klub Verboten, uma festa de fetiches, vai comemorar o seu aniversário com uma festa em um local secreto - mas todos os mil ingressos já foram vendidos.

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Outros aplicativos além do conhecido circuito Tinder-Bumble-Happn ganharam muita popularidade porque exploram o outro lado da vida sexual: aquela mais experimental, que trabalha fetiches e desejos. O Feeld (desenvolvido para conectar pessoas interessadas em sexo em grupo) viu o seu número de membros crescer 50% no último ano. E mais de 40% dos usuários colocaram "sexo à três" na lista de desejos dentro do aplicativo.

Mas e a F.O.D.A?

Aqui no Brasil, a relação com tudo tem sido diferente - por conta do desencontro de informações governamentais e falta de direcionamento unificado a respeito do coronavírus, o país nunca entrou em lockdown de forma concreta, por isso, muita gente tem lidado com o distanciamento social e o isolamento de maneiras diferentes.

Ainda assim, a Hinge cunhou um novo termo que define bem tanto uma sensação encontrada por pessoas solteiras no Reino Unido, quanto em qualquer outro lugar do mundo: a F.O.D.A ou "fear of dating again", o medo de voltar a namorar, na tradução livre. Um toque, um abraço, um beijo… tudo isso ganhou um novo significado quando se fala no contexto COVID: o medo de transmissão da doença é real, e o número de mortes por aqui - já passamos de 540 mil mortos - colabora para o medo de encontros e relações íntimas com desconhecidos.

Por mais que seja possível retomar o encontro cara a cara aos poucos e respeitando aquilo que é considerado confortável por cada um, como uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social, parece que o desejo por saciar o tesão reprimido em mais de um ano dentro de casa e o medo dessas interações conflitam.

Um estudo liderado pela Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, colocou o Brasil como primeiro lugar em níveis de ansiedade e depressão no período de pandemia até agora - 63% dos entrevistados relataram ansiedade e 59%, sintomas de depressão. Ou seja, até o verão, mais do que uma nova versão da libertinagem e descoberta sexual que aconteceu na década de 1960, espera-se maiores dificuldades na vida do brasileiro, muito guiadas por questões de saúde mental.

De qualquer maneira, e ainda considerando esses medos, parece que o desejo de fazer o que se tem vontade, sem apegos, não é de toda verdade nem contempla todo mundo. Uma pesquisa feita pelo Kinsey Institute, também nos Estados Unidos, mostrou que mais da metade dos entrevistados (52%) disseram que têm mais interesse em encontrar um relacionamento sério no pós-pandemia do que manter uma série relações sexuais casuais.

Há 100 anos, o Rio de Janeiro viveu "o maior Carnaval de todos os tempos": foram três meses de comemoração pelo fim da pandemia da Gripe Espanhola que também manteve a população em isolamento, o comércio fechado e os hospitais lotados. Se teremos novos três meses de celebração nas ruas, é difícil saber (mas fácil de prever), no entanto, resta esperar para que a folia volte para cá com a chegada do verão, em alguns meses, assim como aconteceu com os vizinhos do Norte.

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