Vocalista do Glass Animals diz que remixes 'movem a música para outro nível'

MARIANA ARRUDAS
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As músicas remixadas, muitas vezes amadas, mas também odiadas por fãs, foram uma das saídas encontradas pela banda britânica de pop psicodélico Glass Animals para não perder o contato com os fãs durante o isolamento social. O projeto começou com uma competição entre internautas e terminou com o lançamento de três dessas novas versões, frutos da disputa. "É muito bom ter interpretações diferentes de uma mesma música", afirma Dave Bayley, 31, vocalista da banda. "Eu tenho um único estilo quando faço uma música, então é muito bom ver outra pessoa interpretando também. As pessoas fazem remixes incríveis e isso move a música para outro nível", completa Bayley em entrevista por telefone à reportagem. A competição foi feita pela internet. Os fãs poderiam fazer tudo apenas acessando o site da banda e gravando sua própria versão do sucesso do quarteto "Heat Waves". O resultado foi o lançamento de "Heat Waves Expansion Pack", no início de fevereiro, com três faixas remixadas, todas fruto da competição. O projeto veio como uma forma de promover o mais recente álbum da banda, "Dreamland" (2020), cuja música "Heat Waves" faz parte. Além de fãs anônimos, participaram da brincadeira de remixar o DJ holandês Oliver Heldens, 26, e do músico australiano Sonny Fodera, além do DJ americano Diplo, 42. Após o sucesso da competição, Dave foi misterioso quanto a possíveis novos discos e singles. "Temos coisas vindo, não necessariamente um novo álbum, mas temos algo a mais vindo em breve, nas próximas semanas", afirma. "Ainda não posso contar porque são segredos", brinca. "Heat Waves" chegou à posição 99 no Top 200 do Spotify, a mais alta alcançada pela banda até agora. Dave conta que escreveu o sucesso sozinho, e que não fazia ideia da repercussão que a música teria. "Parecia um segredo meu, que, sem eu saber como, cresceu por aí", brinca. Quanto à competição de remixes, ele diz não saber de onde veio a ideia, mas ressalta que queria muito fazer. "Queria isso porque não podemos fazer turnês agora, algo que realmente amo", explica Dave, que diz que a criatividade o ajudou muito nesse período difícil e, por isso, achou que o projeto ajudaria outros a "se manterem sãos". "Isso é tão bom de ver, é a razão para eu acordar todos os dias", conta o vocalista da banda. Para ele, ver que as pessoas fazem trabalhos a partir de sua música é fundamental, especialmente no ano passado e nesse começo de 2021. "Agora nós perdemos tudo isso, toda essa interação", lamenta. Mesmo com isolamento e sem shows, ele comemora os resultados de "Dreamland", lançado em meio à pandemia. "As respostas ao álbum vêm sendo incríveis", comenta o cantor. "Mas é difícil falar sobre, porque é um período estranho. Normalmente nós lançamos o álbum e fazemos uma turnê, e você vê as pessoas ouvindo as músicas e cantando de volta." Além da competição, a banda formada por Dave, Joe Seaward, Ed Irwin-Singer e Drew MacFarlane apresentou em abril do ano passado a série musical intitulada "Quarantine Covers" (Covers da Quarentena, em português). Nela, a banda fez releituras a partir de sugestões enviadas pelos fãs. O grupo esteve no Brasil no ano de 2017, no festival de música Lollapalooza. Dave relembra com carinho da experiência e garante que a plateia do Brasil é maravilhosa. "Todo mundo é muito animado e canta para valer. É lindo, e eu mal posso esperar para voltar", afirma. Na ocasião, a banda teve alguns dias para conhecer o país, e se deliciou com os churrascos, praias e pôde até jogar futebol. "Basicamente tivemos a melhor experiência de todas. Nós amamos, ficamos por aproximadamente cinco dias", recorda animado.