Vitor diCastro sobre preconceito na carreira de ator: "Que diferença faz se eu sou gay, bi ou hétero?"

O ator e influenciador digital Vitor diCastro é um fenômeno da astrologia nas redes sociais. Ele é a estrela do canal Deboche Astral no YouTube e faz vídeos "zoeiros" sobre particularidades de cada signo do zodíaco desde 2014. "Descobri que eu sou câncer com ascendente em câncer e lua em câncer. Comecei a me aprofundar mais nesse conhecimento e, depois, virei uma pessoa insuportável que sabe até o mapa da Susana Vieira", brinca o artista no Yahoo! Entrevista.

Mas não é apenas sobre astrologia que Vitor conversa com seus milhões e milhões de seguidores. Ativista na luta pelos direitos LGBTQIA+, ele encontrou na internet um lugar para ser quem realmente é e dizer o que pensa. "Era uma necessidade minha. Tinha vontade de trabalhar sem que as pessoas me julgassem por ser gay", conta.

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Ator por formação, o influencer já foi discriminado em testes para a televisão. "O papel do ator não é justamente se transfigurar? Não é brincar de incorporar uma outra personalidade? Que diferença faz se eu sou gay, bi ou hétero?", questiona.

"Mas eu já sofri muito com comentários como: 'na hora de fazer um teste, você não pode dizer que você é gay' e 'você é muito afeminado para esse papel'. Tudo isso me enchia o saco!"

"Na internet, as pessoas buscam pessoas diferentes. Tem muitas pessoas LGBT que querem se ver representadas", completa.

POLÍTICA NAS REDES SOCIAIS

Vitor não foge do assunto quando outras questões políticas vem à tona. Ele lembra que sofreu ameaças de morte quando fez um vídeo sobre o assassinato da socióloga e vereadora carioca Marielle Franco. "Foi assim que eu 'debutei' na internet, entendeu?", ironiza. "Recebi ameaças de morte, recebi mensagens de ódio sobre a minha sexualidade, sobre mim, sobre a minha aparência... Naquele momento, entendi o lado negativo da internet", explica.

Hoje, o artista sabe que é preciso ser didático ao abordar um assunto "polêmico" e que também não deve dar opinião sobre tudo — principalmente sobre o que não sabe. "Se eu vou cutucar o vespeiro, não posso esperar sair de lá com flores. Se eu quiser abordar determinados assuntos, vou tomar cuidado com os comentários e as mensagens", afirma.

CANCELAMENTO

Veterano na internet, ele não tem medo do "cancelamento", mas lamenta as consequências negativas desse movimento tanto para a audiência quanto para os influenciadores digitais. Segundo Vitor, quem promove o "cancelamento" pode se fechar em uma bolha. "A pessoa não se permite entrar em contato com outras experiências, histórias e vivências. Fica cada vez mais fechada dentro de uma realidade que pode não ser a realidade mais empática, mais solidária ou mais inteligente", completa.

"O 'cancelamento' corta a naturalidade dos influenciadores. Ficam com muito medo de falar besteira na internet, com muito medo de dar opinião", avalia.

"Nós, influenciadores digitais, não podemos esquecer que o nosso trabalho é influenciar. Influenciar o seguidor a melhorar de vida, a melhorar o pensamento, a ser mais empático, a sorrir um pouco mais a entender mais as pessoas... O influenciador que ainda não entendeu isso em 2021... Desculpa, ele é burro!"