Virada Cultural 2022 tem funk e forró com Hariel e Barões da Pisadinha

SÃO PAULO, SP, 29.05.2022 - Show dos Barões da Pisadinha no palco de São Miguel Paulista, na avenida deputado Dr Jose Aristodemo Pinotti,  na zona leste de SP. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 29.05.2022 - Show dos Barões da Pisadinha no palco de São Miguel Paulista, na avenida deputado Dr Jose Aristodemo Pinotti, na zona leste de SP. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em contraste com as apresentações que rolaram no centro --que foram marcadas pela violência--, na periferia, o clima era pacífico e a sensação éra de segurança. No palco São Miguel Paulista, na região leste, após a apresentação do grupo Batuqueiros e Sua Gente, que abriu o domingo de shows, o público encheu a avenida Deputado Dr. José Aristodemo Pinotti à espera do MC Hariel e da dupla Barões da Pisadinha.

Entre copos com bebidas coloridas, óculos Juliette e narguilés, o público que se reuniu em frente ao palco --que ficava em frente ao Duas Pistas, um pequeno açougue local--, era composto na maioria por adolescentes e crianças e viu Hariel subir ao palco às 15h16.

A recepção ao funkeiro foi enérgica. A pista --que tem capacidade para 20.000 pessoas-- estava lotada e até os muros ao redor do palco estavam ocupados. A música escolhida para abrir o show foi "Cracolândia" --canção que ele divide a autoria com o DJ Alok.

"Muito prazer de estar na casa do Coringão", afirmou o cantor, referindo-se ao Corinthians, seu time do coração.

Conhecido pelo funk consciente, antes de começar a música "Vou Buscar", Hariel disse que o funk tira os jovens do crime e dá oportunidade. Na sequência ele cantou "Vai Ter que Aguentar", música que divide com o MC Don Juan.

"Cuidado. Priorize os parceiros do bem, que te levantam." Com essa afirmação, o MC homenageou o funkeiro MC Kevin --morto em maio de 2021, após cair da sacada de um quarto de hotel.

Ele cantou "Manto do Timão ", "Coração na Geladeira" e "Loco É Nois", canções que ele divide com Kevin. "Sempre faça tudo por quem você ama. Pode ser a última vez que você vai ver ele", comenta Hariel, emocionado no palco.

O momento alto do show foi a música "Maçã Verde", do disco "Avisa que É o Funk". Mas, antes de sair do palco, Hariel lembra que é ano de eleição, fala da importância de saber votar e critica Bolsonaro. "Não venda seu voto para mentiroso, criminoso, vamos tirar aquele homem de lá", diz o funkeiro.

Mesmo o público sendo grande e mostrando ansiedade enquanto aguardava a apresentação dos Barões da Pisadinha --dançado e cantando os famosos piseiros da dupla--, nenhuma ocorrência mais grave aconteceu. O ambiente tinha clima mais familiar e seguro, contraste do que foi visto nos palcos do centro.

O Barões da Pisadinha surgiu no palco às 17h em ponto. "Recairei", do disco ao vivo de 2021, foi a música que deu a largada no show.

O público, que era jovem, se transformou em questão de poucos minutos: agora era possível ver pessoas mais velhas e pais com filhos. "Zero Saudade", música que os Barões dividem com a dupla Maiara e Maraisa, foi a segunda entoada pela banda.

Agora, além dos que ocupavam os muros ao redor do palco, surgem pessoas em cima das lajes e nas janelas. E o mais inusitado: no céu surgem drones e pipas.

A banda mesclou seu repertório com músicas famosas do sertanejo, como "Meu Pedaço de Pecado", do João Gomes, e do funknejo, como "Toma Toma Vapo Vapo". E até tocou "Desenrola Bate Joga de Ladinho", do Os Hawaianos.

Todas as músicas foram cantadas em alto e bom tom pelo público, uma indicação clara de como a dupla sertaneja se identifica com a periferia. O show chega ao fim, após 1h15 de apresentação, com gritos de "bis" e "mais um". E, assim que as luzes se apagam, encerrando as atrações da Virada Cultural, parte do público volta a gritar: "Fora Bolsonaro".

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