Violência contra a mulher, homofobia e mais: 'Mulheres Apaixonadas' é mais atual do que nunca

(Foto: Divulgação/TV Globo)

Mulheres Apaixonadas’ estreou no horário nobre da TV Globo em fevereiro de 2003. A trama de Manoel Carlos foi sucesso de audiência e não à toa. A novela tratava de questões sociais muito importantes e que seguem relevantes.

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Infelizmente, o país não avançou como gostaríamos em alguns dos assuntos discutidos na história. Pautas como o desarmamento, violência contra a mulher e homofobia seguem precisando de toda a nossa atenção.

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A novela já foi reprisada duas vezes no ‘Vale a Pena Ver de Novo’ (em 2008 e 2015), mas a reexibição dessa obra se faz cada vez mais necessária atualmente. A sorte é que ‘Mulheres’ vai voltar ao ar em 2020 no canal pago Viva.

Abaixo, listamos cinco temas abordados na novela que provam que sua reprise é urgente:

1. Violência contra a mulher

Raquel (Helena Ranaldi) é vítima do marido Marcos (Dan Stulbach), que a agride com uma raquete de tênis dentro de casa (Foto: Divulgação/TV Globo)

‘Mulheres Apaixonadas’ mostrou uma triste realidade das casas brasileiras na trama de Raquel (Helena Ranaldi) e Marcos (Dan Stulbach). A professora de educação física era frequentemente espancada pelo marido ciumento com uma raquete de tênis. As cenas eram dramáticas e a história do casal precisa estar fresca na nossa memória. Isso porque o Brasil registrou um caso de agressão a mulher cada quatro minutos entre 2014 e 2018 segundo levantamento do Ministério da Saúde. As mulheres continuam sendo violentadas e morrendo - o número de casos de feminicídio no país também só aumenta. Vamos falar sobre isso?

2. Homofobia

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) eram um casal em 'Mulheres Apaixonadas' (Foto: Divulgação/TV Globo)

As novelas têm um papel muito importante na educação da população sobre determinados temas e a homossexualidade é um deles. A novela de Manoel Carlos levantou a questão lá atrás com o casal Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli), duas jovens que se amavam e sofreram com o preconceito da família e amigos. Na época, o beijo entre pessoas do mesmo sexo ainda era muito rejeitado pelo público, mas as estudantes deram um selinho no último capítulo de ‘Mulheres’. E você tem alguma dúvida de que é extremamente necessário dar visibilidade para os casais LGBTQ depois do caso da Bienal do Livro do Rio de Janeiro?

3. Amor próprio

(Foto: Divulgação/TV Globo)

Heloísa (Giulia Gam) era uma mulher que amava demais. Seu relacionamento com Sérgio (Marcello Anthony) não era nada saudável: irmã de Helena (Christiane Torloni), era dependente do afeto do marido e cismava que ele a traía. Por isso, vivia como uma “stalker”. Seguia o amado, cheirava suas roupas, suspeitava de toda e qualquer mulher que se aproximava dele... Tudo por causa da insegurança. Mas Heloísa foi pintada como louca pelo público e até pelo ‘Caceta & Planeta Urgente’ - quem não se lembra de Helouquisa? E isso não era nada legal. A personagem não tinha amor próprio e, hoje, mais do que nunca, sabemos que isso é consequência de uma sociedade patriarcal que insiste em dizer às mulheres que elas não são boas o suficiente. O empoderamento feminino, que não é só uma onda, está aí para combater o machismo e fortalecer as mulheres.

4. Alcoolismo

(Foto: Divulgação/TV Globo)

Santana (Vera Holtz) é outra personagem inesquecível. A professora do colégio da novela era alcoólatra e causava transtornos na vida de todos a sua volta. No auge da sua dependência, ela chegou a tomar perfume quando se viu sem nenhuma bebida. Santana foi afastada do trabalho por não conseguir controlar o vício. O alcoolismo, infelizmente, ainda é tabu e questão de saúde pública: em 2018, a OMS anunciou que o consumo de álcool per capita no Brasil está acima da média mundial. Alcoolismo é doença e precisa deixar de ser um estigma para que a gente avance de fato.

5. Violência urbana

Helena (Christiane Torloni) protesta pelo desarmamento no Brasil (Foto: Divulgação/TV Globo)

O desarmamento era uma das questões mais discutidas no Brasil em 2003 e Manoel Carlos fez campanha contra o posse de armas na novela para pressionar a aprovação do Estatuto do Desarmamento no Congresso Nacional. Depois da morte de Fernanda (Vanessa Gerbelli), que foi vítima de bala perdida no Rio de Janeiro, os personagens participaram do protesto Brasil Sem Armas. De acordo com a TV Globo, a manifestação reuniu cerca de 40 mil pessoas em Copacabana. Hoje, 16 anos depois, assistimos o país retroceder: o presidente Jair Bolsonaro se empenha em flexibilizar o porte e a posse de armas do fogo, enquanto o Senado também trabalha em um projeto de revisão no Estatuto do Desarmamento.