Vilã de 'Falcão e o Soldado Invernal' diz que se divertiu dando surra nos heróis

VITOR MORENO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na série "Falcão e o Soldado Invernal", da Disney+, uma garota aparentemente inocente dá uma surra nos super-heróis da Marvel. Na trama, Karli Morgenthau é apresentada como a líder de um grupo terrorista que possui uma força sobre-humana. "O que faz essa cena ser ainda mais legal é o susto que os personagens tomam com ela, já que eles acham que a Karli está sendo feita de refém", lembra a atriz Erin Kellyman, 22, que interpreta a personagem, em entrevista com a imprensa internacional. "Eles não poderiam estar mais errados (risos)." Kellyman diz que a cena, assim como muitas das sequências de ação da série, são muito complexas e planejadas nos mínimos detalhes. "Tem horas que parece que nada está acontecendo, porque você tem que fazer uma sequência de dez segundos só mostrando o cabelo e corta, depois outra coisa e corta", explica. "Mas quando você vê tudo junto pensa: 'Uau, isso ficou muito foda!" Trata-se da estreia da atriz no universo cinemático da Marvel, em que os personagens costumam aparecer em diversos filmes e agora, também, em produções para o streaming. "Isso é muito maluco, estou muito animada", comenta. "Lembro de ter assistido a um filme da Marvel pela primeira vez com uns 11 anos." A atriz afirma que participou de audições até conseguir o papel, mas não sabia exatamente para qual personagem estava sendo testada. "Sabia que era para a Marvel", diz. "Fiz a audição e depois tentei esquecer. Não queria ficar animada demais para o caso de não ficar com o papel." Depois de ser aprovada, ela recebeu mais detalhes da diretora Kari Skogland. "Quando soube o papel, fiquei: 'Meu Deus, eu estava sendo testada para esse papel esse tempo todo e não fazia ideia!' Ainda estou me acostumando a isso até agora", admite. Essa não é a primeira grande franquia da Disney na qual ela se envolve. Ela já havia aparecido como Enfys Nest no filme "Han Solo: Uma História Star Wars" (2018). "Levo como um elogio da Disney ter me escalado de novo para um papel como esse", diz. "Adoro ambas, mas poderão ver ao longo da série que as duas personagens são bem diferentes." Kellyman evita definir Karli simplesmente como uma vilã. "Ela tem muitas camadas e uma personalidade muito complexa", avalia. "Ainda vimos pouco dela, então, mesmo que você avalie que ela é uma vilã ou uma boa pessoa, acho melhor esperar um pouco. Não tem ninguém 100% bom ou ruim, e Karli está no meio disso." Durante a preparação, ela não procurou ler tudo o que os quadrinhos poderiam revelar sobre a trama. Até porque sua personagem, nas HQs, é um homem (Karl). "Não foquei muito nisso, até porque sabia que eles iam mudar bastante", diz. "Pesquisei os personagens, mas percebi que a melhor forma de me preparar era ler os roteiros e entendê-la." As gravações ocorreram em plena pandemia, sendo que a produção chegou a ser paralisada por algum tempo. "A Disney fez o ambiente ser o mais seguro possível para nós", diz. "Quando voltamos, a parte mais difícil era manter a máscara até o último minuto e ensaiar com a máscara cobrindo parte do rosto." Contudo, justamente a personagem dela não é das que mais sofreram com isso. Ao longo dos episódios, Karli é vista frequentemente usando uma máscara. "Tinha poucos momentos no roteiro em que ela tirava, mas conversando com a direção senti que havia momentos em que era importante que ela pudesse se conectar com os outros mostrando o rosto", conta. "Às vezes era um pouco complicado atuar com o rosto coberto, mas, para ser sincera, na maior parte do tempo me sentia bem descolada." Kellyman passou por treinos físicos para poder simular a força da personagem na tela. "Já comecei a malhar antes mesmo de me mudar para os Estados Unidos para as gravações", diz a atriz britânica. "Quando cheguei, eles me fizeram treinar ainda mais. Como a minha personagem também luta, eu fiz também boxe, o que foi bem divertido. Foi um bônus do trabalho poder fazer essas cenas." A trama da série envolve os acontecimentos pós-BLIP (quando Thanos dizima metade da população mundial nos últimos filmes dos Vingadores). Contudo, quando o vilão é derrotado e as pessoas reaparecem, o grupo terrorista dos Flag Smashers (esmagadores de bandeiras) passa a atormentar os governos que não permitem mais a livre circulação -algo que com menos pessoas na Terra tinha se tornado comum. "Karli é muito veemente com isso, mas é diferente querer que as pessoas sumam e querer que a sociedade funcione de uma forma específica", compara. "Sou muito sortuda porque a Marvel e a Disney fazem um ótimo trabalho abordando problemas que estão realmente acontecendo e mostrando coisas com as quais as pessoas podem se identificar." "Não são só super-heróis de capa voando por aí e brigando uns com os outros", avalia. "Estamos falando de questões reais e penso que isso é o que faz esse universo ser tão próximo. É importante não esconder o que está acontecendo, isso é muito político e muito importante que as pessoas vejam."