Vídeo nazista, suspense e noivado: ida de Regina Duarte ao governo Bolsonaro foi uma verdadeira novela

Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images

Entre a queda de Roberto Alvim e o ‘sim’ de Regina Duarte houve uma extensa novela. Convidada no dia 17 de janeiro, a atriz aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria da Cultura apenas no dia 29. Apoiadora antiga do governo, fica a expectativa de como será a sua atuação diante das polêmicas questões culturais que pairam sobre o país.

Relembre os capítulos da novela que conduziu Regina Duarte ao Governo Bolsonaro.

Capítulo 1: Discurso nazista e queda

Após a repercussão negativa de um vídeo em que parafraseia Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do Partido Nazista de Adolf Hitler, Roberto Alvim foi demitido por Jair Bolsonaro no dia 17 de janeiro.

O presidente Jair Bolsonaro demitiu o secretário de Cultura, Roberto Alvim, após a repercussão do vídeo em que ele parafraseia Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do Partido Nazista de Adolf Hitler.

"Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência. Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, como o nazismo e o comunismo, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas", afirmou o presidente à época.

Capítulo 2: Convite

No mesmo dia, Bolsonaro telefonou para Regina Duarte e a convidou para assumir o posto de Alvim. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, ela revelou que se assustou ao receber a ligação do presidente.

“Estou com este convite, me assusta muito. Não é a primeira vez que sou convidada para esse cargo, me assusta muito, porque tem um ministério completo aí. Não estou preparada, não me sinto preparada para isso, acho que a gestão pública é uma coisa muito complicada e uma pasta como a da cultura muito mais”, avaliou.

Capítulo 3: Afago ao presidente

No dia seguinte ao convite, a atriz foi a uma rede social para exaltar o governo do presidente. Na legenda, Regina Duarte escreveu que “nunca é demais lembrar o tanto de respeito que este governo tem pelo seu povo”.

Capítulo 4: Início do noivado

No dia 20, Jair Bolsonaro e Regina Duarte almoçaram no Rio de Janeiro e, ao final do encontro, a atriz manteve o mistério ao afirmar que estava “noivando” com o governo. O presidente, por sua vez, também entrou na brincadeira.

Capítulo 5: Período de testes

No dia 22, Regina Duarte vai a Brasília acompanhada da reverenda Jane Silva, convidada pela atriz (que ainda não havia aceitado o convite) para assumir a secretaria-adjunta da pasta. Questionada sobre a possibilidade de integrar o governo, ela despistou.

“O protocolo diz que não posso falar ainda. Estou começando a tomar pé, dá um tempo aí, gente", disse ela aos repórteres.

Capítulo 6: Anúncio adiado

Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images

Apesar do otimismo do governo e da presença da atriz na capital federal, o “sim” ficou para depois. O presidente Jair Bolsonaro viajou à Índia enquanto Regina Duarte alegava que iria se dedicar a questões pessoais e profissionais antes de resolver aceitar o cargo oferecido a ela.

Capítulo 7: Lei Rouanet

Tida como certa como a nova secretária da Cultura do governo Bolsonaro, a atriz viu seu nome ser manchete de uma denúncia no dia 24 de janeiro: ela estaria devendo, por meio de sua empresa, cerca de R$ 320 mil por irregularidade com a Lei Rouanet.

Vale lembrar que o financiamento à cultura é um dos principais atritos entre o governo Bolsonaro e a classe artística no Brasil.

Capítulo 8: dia do ‘sim’

Após o retorno do presidente ao Brasil, em uma reunião entre Bolsonaro e a atriz, o “sim” ao convite foi sacramentado. Ainda assim, não há uma data oficial para a posse.

Vale lembrar que, após oficializar sua presença em um cargo público, a atriz deixará a TV Globo, com quem tem contrato vigente há cerca de 50 anos.