VÍDEO: Bastidores mostram momento em que o Butantan recebe dados da eficácia da CoronaVac

João Conrado Kneipp
·3 minuto de leitura

Um vídeo mostra bastidores do momento em que diretores e pesquisadores do Instituto Butantan receberam os dados demonstrando a eficácia da CoronaVac contra a Covid-19 nos testes realizados no Brasil.

Nesta quinta-feira (7), foi anunciado a eficácia de 78% da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo governo de São Paulo em parceira com a empresa chinesa Sinovac Biotech. Os estudos clínicos da vacina foram apresentados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em reunião com membros do Butantan.

Após o encontro, o Butantan oficializou o pedido para registro emergencial do imunizante. O instituto espera que o rito para pedido de uso seja concretizado entre hoje e amanhã, em novas reuniões já agendadas com o órgão.

Os dados foram revisados na Áustria pelo Comitê Internacional Independente, que acompanha os ensaios realizados em 8 estados do país.

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O vídeo, gravado na quarta-feira (6) e publicado no canal oficial do Butantan no YouTube nesta quinta (7), exibe uma reunião com diretores e especialistas em Saúde do Butantan, entre eles o diretor-presidente, Dimas Covas.

Nas imagens, um funcionário do Butantan informa que recebeu os dados preliminares da equipe austríaca comprovando 77,96% de eficácia para casos leves, e 100% para evitar internações e hospitalizações. Ou seja, daqueles voluntários imunizados e que mesmo assim tiveram a doença, nenhum deles desenvolveu quadros graves, moderados ou precisaram de hospitalizações.

Confira o vídeo na íntegra:

O governador João Doria (PSDB) classificou a divulgação dos dados dos testes de fase 3 como um “dia histórico” e de celebração “da vida”. No anúncio, Doria também pediu que a Anvisa que mantenha sua “independência” e não atenda a “pressões de ordem ideológica” na análise do pedido de uso emergencial.

OS TESTES DA CORONAVAC NO BRASIL

Os testes da CoronaVac no Brasil começaram em 20 de julho e envolveram 13 mil voluntários da área da Saúde em 8 estados. Os profissionais, divididos em um grupo que recebeu o imunizante e outro que recebeu um placebo, tiveram duas doses da CoronaVac aplicadas em um intervalo de 2 semanas.

Desses, cerca de 220 foram infectados pelo Sars-CoV-2.

O anúncio ocorre após três adiamentos da divulgação da eficácia da CoronaVac. O governo de São Paulo disse que divulgaria os dados preliminares da fase 3 em 15 de dezembro, mas na véspera mudou de tática porque a alta circulação do vírus no Brasil permitiu chegar a um patamar de voluntários infectados suficiente para fazer o estudo para pedir um registro definitivo.

A nova data para o estudo final seria 23 de dezembro, mas foi novamente adiada. O motivo: a Sinovac viu discrepâncias entre os resultados de eficácia no Brasil e na fase 3 que conduz em locais como Turquia e Indonésia.

Pessoas com acesso às conversas sugerem que a eficácia no exterior ficou algo acima da brasileira porque o estudo aqui foi feito com pessoas mais expostas, só profissionais de saúde, enquanto lá fora os grupos representavam a população em geral.

O Butantan já tem em solo brasileiro 10,8 milhões de doses da CoronaVac. A expectativa do instituto é chegar a 46 milhões de doses em janeiro e 100 milhões em maio. Doria reiterou na véspera que a vacinação no Estado começará dia 25 de janeiro.

EMBATE ENTRE DORIA E GOVERNO BOLSONARO

A CoronaVac é a aposta do governador no combate à Covid-19 e trunfo político contra seu rival Jair Bolsonaro. A vacina do Instituto Butantan ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente e o governador, prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

No fim de 2020, Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro pelo seu próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem.

No entanto, nesta semana, o próprio Pazuello elencou a CoronaVac dentro das vacinas previstas no PNI (Plano Nacional de Imunização), e afirmou que o Brasil está preparado e tem seringas suficientes para iniciar a vacinação contra a Covid-19 ainda em janeiro.