Vídeo: Suspeito atira contra sinagoga em ataque que matou 2 na Alemanha

Atirador usava uma roupa camuflada quando saiu do carro e fez os disparos. (Foto: Reprodução)

Um vídeo feito por uma testemunha mostra o momento em que o atirador faz disparos durante o ataque que matou duas pessoas, nesta quarta-feira (9), no meio de uma rua em Halle, a 170 quilômetros da capital Berlim, na Alemanha. O suspeito foi preso.

Testemunhas apontam que um homem com roupa camuflada saiu de um carro e atirou contra o local. Segundo uma testemunha, os tiros foram direcionados a um restaurante turco, enquanto, de acordo com o jornal "Bild", o tiroteio ocorreu em frente a uma sinagoga. Uma granada também teria sido lançada em um cemitério judeu nas proximidades. Esta informação não foi, porém, confirmada pela polícia.

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"Duas pessoas foram mortas em Halle, de acordo com informações preliminares. Vários tiros foram disparados. Os supostos autores fugiram em um veículo", disse a polícia no Twitter, pedindo aos moradores que fiquem em casa. Uma pessoa foi presa logo depois, anunciou a polícia, sem fornecer mais detalhes.

Várias pessoas também relataram disparos, incluindo de granada, contra um restaurante de kebab turco. "Um atirador usava capacete e roupas militares", testemunhou um homem, que estava dentro do restaurante, em entrevista ao canal de notícias NTV.

"Ele jogou uma granada no local. A granada bateu na porta e explodiu", acrescentou a testemunha, ainda em choque. "Em seguida, o homem atirou pelo menos uma vez na loja. O homem sentado atrás de mim deve ter morrido. Eu me escondi no banheiro e tranquei a porta", disse ele.

O atentado ocorreu no dia do Yom Kippur, o mais sagrado do ano para o judaísmo. Nesta data, os fiéis fazem jejum de mais de 24 horas. Todo bairro foi isolado, e a estação de trem de Halle (estado da Saxônia-Anhalt), fechada.

O ataque ocorre meses após o assassinato em Hesse de Walter Lübcke, um político pró-migrantes do partido conservador da chanceler Angela Merkel (CDU). O principal suspeito é membro do movimento neonazista.

Esse caso chocou o país, onde a extrema direita anti-imigrante tem registrado sucessos eleitorais. Isso despertou o medo de um terrorismo de extrema direita, como o do pequeno grupo NSU, responsável pelo assassinato entre 2000 e 2007 de uma dúzia de migrantes.

Vários são os precedentes violentos: um ataque a faca contra a prefeita de Colônia, Henriette Reker, em 2015, e dois anos depois contra o prefeito de Altena, Andreas Hollstein. Ambos escaparam da morte por pouco. Os dois defendiam uma política de acolhimento generosa dos migrantes, como Walter Lübcke.

A Alemanha é confrontada com "uma nova RAF", uma "RAF marrom", estimou o "Süddeutsche Zeitung", em referência ao grupo terrorista de extrema esquerda Fração do Exército Vermelho, também conhecido como Grupo Baader-Meinhof, ativo entre 1968 e 1998.

Mais de 12.700 extremistas de direita considerados perigosos já foram identificados pelas autoridades.

As autoridades alemãs também estão em alerta após vários ataques jihadistas nos últimos anos. O mais mortal foi em dezembro de 2016, quando um tunisiano, Anis Amri, invadiu um mercado natalino em Berlim com um caminhão roubado, matando 12 pessoas.

com informações da FolhaPress e AFP