Vício em atividade física é quase quatro vezes maior em pessoas com transtornos alimentares

Athletic young man doing some cross training exercises with a rope. Determined fit guy doing battle ropes exercise at the cross training gym. Handsome man training with effort.


Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

Pessoas que apresentam características de um distúrbio alimentar têm 3,7 vezes mais chances de se tornarem viciadas em atividades físicas em comparação àquelas sem qualquer transtorno do gênero. É o que mostra um estudo liderado por Mike Trott, pesquisador da área de Ciência do Esporte e Exercício da Universidade de Anglia Ruskin, no Reino Unido. 

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O trabalho, que foi publicado recentemente na revista Eating and Weight Disorders – Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity, é o primeiro a medir as taxas de dependência de exercícios físicos em grupos de pessoas com e sem transtornos alimentares como bulimia, anorexia e compulsão alimentar, entre outros. Para isso, o pesquisador analisou dados de 2.140 pacientes com idade média de 25 anos e que fizeram parte de nove estudos diferentes realizados nos Estados Unidos, Austrália, Itália, além do próprio Reino Unido. 

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A pesquisa mostrou que os 408 pacientes que relataram qualquer tipo de relação negativa ou compulsiva com os alimentos tinham um risco 3,7 maior de se viciarem em exercícios. “É de conhecimento da medicina que pessoas com distúrbios alimentares apresentam mais chances de exibir personalidade dependente e comportamentos obsessivo-compulsivos em outras áreas, mas esta é a primeira vez que o risco de dependência desses pacientes em relação ao exercício físico é calculado”, disse Trott à Agência Einstein. 

A explicação está no fato de que as dependências, sejam elas por comida, compras ou sexo, são processadas pelo sistema cerebral: o de recompensa. Trata-se de um esquema que aciona várias estruturas do cérebro durante a realização de ações compreendidas como prazerosas. As substâncias liberadas após o acionamento são responsáveis pela sensação de bem-estar. Porém, uma combinação de fatores que inclui de predisposição genética a condições ambientais (família, trabalho etc), pode levar o indivíduo a desenvolver a vontade permanente de sentir mais e mais o bem-estar assegurado pelas atividades que servem de gatilho. Por esta razão, é comum que os indivíduos desenvolvam mais de um tipo de compulsão. O tratamento para dependência em exercícios segue a cartilha da terapia para controle de transtornos do gênero: medicamentos (ansiolíticos e antidepressivos), quando necessários, psicoterapia e prática de atividades que reduzem a ansiedade como a ioga ou a meditação.

O estudo inglês é importante para que educadores físicos e profissionais da saúde estejam atentos aos sinais de quem parece exagerar na prática de atividades físicas. “Honestamente, não sabemos ainda ao certo que tipos de danos um relacionamento compulsivo com exercícios pode trazer, mas há relatos de que pessoas com dependências em exercícios manifestam mais dificuldades financeiras, por exemplo, além de lesões em longo prazo”, conta Trott. A resposta completa a esta questão será respondida na segunda etapa do estudo. “A avaliação dos danos da dependência é parte essencial da próxima fase do nosso trabalho”, afirma. 

 (fonte: Agência Einstein)

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