Vice-presidente do Paraguai renuncia após ser acusado de corrupção pelos EUA

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Uma acusação dos Estados Unidos desencadeou uma crise política no Paraguai nesta sexta-feira (12), culminando em questão de horas na renúncia do vice-presidente, Hugo Velázquez.

O embaixador americano no país, Marc Ostfield, anunciou que o político foi designado por Washington como personagem "significativamente corrupto". O Departamento de Estado americano acusa um ex-promotor ligado a Velázquez de tentativa de suborno a uma autoridade, com US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões), para travar uma investigação.

No mês passado designação similar havia sido feita contra o ex-presidente Horacio Cartes. O atual vice é considerado homem de confiança do poderoso ex-mandatário.

Milionário e proprietário de bancos, fábricas de tabaco e cadeias de supermercados, Cartes lidera uma ala do Partido Colorado que se opõe à de Mario Abdo Benítez. O atual presidente, porém, deve favores ao antecessor, desde que teve um recente processo de impeachment interrompido devido a uma costura de congressistas ligados a Cartes.

O ex-presidente (2013-2018) também foi alvo de um pedido de prisão no Brasil, por suposto envolvimento em casos investigados na Operação Lava Jato. Em novembro de 2019, porém, o Superior Tribunal de Justiça derrubou a ordem e lhe concedeu um habeas corpus.

O nome de Cartes havia surgido na delação do doleiro Darío Messer, que ficou foragido no Paraguai e foi preso em São Paulo, em meio a apurações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro internacional.

A crise instalada agora devido à acusação a Velázquez e a sua renúncia ainda pode ter uma série de desdobramentos. O político era pré-candidato da ala de Cartes para as eleições presidenciais de 2023. Já nesta sexta, ao saber das notícias vindas de Washington, anunciou que sairia da corrida e deixaria a Vice-Presidência.

O Congresso, de maioria cartista, deve se reunir na próxima terça (16) para apontar seu sucessor --que não necessariamente precisa ser um parlamentar.

As declarações de Ostfield foram dadas em entrevista coletiva, na qual também foram apontados outros nomes que o Departamento de Estado incluiu como integrantes da lista de corruptos. Entre eles está o ex-promotor Juan Carlos Duarte, também amigo de Cartes, acusado de ter oferecido o suborno para obstruir investigações contra Velázquez.

"[O vice-presidente] é responsável por atos de corrupção significativos, como o oferecimento de suborno a um funcionário público e a ingerência em processos da Justiça", disse. "Velázquez teria pago a Duarte para que oferecesse mais de US$ 1 milhão a um funcionário em troca de silêncio em declarações à Justiça por conta de casos de corrupção."

Segundo o embaixador, as designações foram enviadas pelo secretário de Estado, Antony Blinken.

No último dia 22, o próprio ex-presidente Cartes havia sido acusado de corrupção pelos EUA, que também impuseram sanções ao ex-mandatário, incluindo proibição de entrada no país a ele e seus filhos Sofia, Juan Pablo e María Sol.

Ostfield afirmou que a divulgação de uma lista de políticos corruptos por parte do Departamento de Estado é uma maneira de "promover a prestação de contas de funcionários do governo envolvidos em casos de corrupção". E acrescentou: "Também é um apoio a qualquer esforço para interromper e desalentar futuros abusos e combater a impunidade".

Segundo ele, os EUA continuarão usando "todas as ferramentas disponíveis para combater a corrupção e o crime organizado, sem considerar a afiliação política, a riqueza e as conexões pessoais".