Por que levar o trabalho para a praia pode ser uma boa ideia?

·6 min de leitura
Woman Holding Coffee Cup and Using Laptop Next to Swimming Pool
Woman Holding Coffee Cup and Using Laptop Next to Swimming Pool

Acompanhando as redes sociais ou até mesmo pelas notícias, você deve ter percebido que muita gente decidiu "quarentenar" na praia ou em uma casa de campo. Talvez você mesmo tenha entrado na onda do wellness sabbatical, como já comentamos sobre por aqui. E, de fato, parece que esse exercício tem sido muito importante (para quem pode, claro) em um ano em que boa parte da população passou tanto tempo entre quatro paredes - principalmente se você vive em um grande centro como São Paulo.

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O ambiente de casa se tornou o lugar em que fazemos tudo. Trabalho, estudo, cuidar (e entreter) os filhos, comida, lazer… Tudo ficou reservado a um único espaço e é natural que isso gere um sentimento duplo: tanto de preocupação e cuidado com o conforto, uma valorização desse lar, quanto um cansaço de passar tempo demais ali dentro.

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"Diferente do que deveriam, algumas pessoas estão um pouco brigadas com as suas casas. A casa virou motivo de trabalho doméstico, de briga de criança, de homeschooling, local de trabalho...", explica a psicóloga Daniela Faertes. "Então, tenho visto esse movimento das pessoas de 'mal' com as próprias casas. Essa saída é uma espécie de afastamento desse lugar que, de repente, virou um enclausuramento obrigatório. A viagem é uma estratégia de fuga."

Bruna Chieco é jornalista freelancer e passou a última semana em uma casa na praia com amigos, dividindo os horários de trabalho com momentos na piscina e à beira-mar. Apesar da viagem ter acontecido só em outubro - e considerando que a quarentena começou oficialmente em São Paulo, sua cidade natal, em março deste ano -, a ideia de passar um tempo longe da cidade não era algo novo para ela.

"Desde o início do isolamento social eu considerei passar alguns dias trabalhando fora de São Paulo", diz. "Acredito que esse período mostrou que é possível trabalhar e manter a produtividade, independente do local em que estamos. Quando surgiu a oportunidade de alugar uma casa em outra cidade para passar uma semana, achei que seria uma experiência interessante para colocar isso em prática."

Para ela, todo o período de quarentena mais a experiência de viagem demonstrou que não é preciso ficar em um lugar fixo para trabalhar, mas que é possível ter mais flexibilidade quando se fala dele - uma ideia, aliás, que era impossível para muita gente antes do período de quarentena e da adoção do home office por boa parte das empresas.

Marina Pinto, gerente de serviços e projetos, esteve junto de Bruna nessa vivência longe de São Paulo. No começo da pandemia, ela dividia um apartamento de 50 metros quadrados com a mãe antes de se mudar para uma casa maior, em que vive hoje com amigos, e mais espaço e verde por perto. No entanto, o desejo de ficar mais próxima da natureza ainda era vivo. "A casa tinha uma boa estrutura para a gente ficar só lá, sem precisar sair. Juntou também o fato de que iriam pessoas que eu gosto muito, e seria uma grande oportunidade de ficar junto, perto da natureza, um pouco longe de São Paulo", explica ela.

Marina Pinto e Bruna Chieco passaram mais de uma semana em uma casa na praia com outros amigos, equilibrando o trabalho com os momentos de descanso (Foto: Divulgação / Bruna Chieco)
Marina Pinto e Bruna Chieco passaram mais de uma semana em uma casa na praia com outros amigos, equilibrando o trabalho com os momentos de descanso (Foto: Divulgação / Bruna Chieco)

Recarregar as baterias - mesmo trabalhando

Entre mudanças definitivas para o interior ou para a praia e viagens como a de Marina e Bruna, a verdade é que mudar de ares tem ajudado as pessoas a, oficialmente, recarregar as energias.

"A pessoa volta mais energizada e um pouco mais motivada, ou menos desmotivada, a dar conta das tarefas do dia a dia, que são um pouco repetitivas", continua Daniela. "Volta com um pouco mais de gosto em cuidar do lar, de ficar com as crianças... Além disso, independente se a pessoa for ao melhor hotel ou a melhor casa, existem confortos que apenas a nossa casa tem. Então, ela também volta valorizando muito mais o conforto do próprio lar."

Bruna reforça que a experiência foi importante tanto para fortalecer a ideia de que é possível manter a produtividade profissional independentemente do espaço, como também para gerar uma quebra: "A convivência com outras pessoas em um ambiente novo foi benéfica e trouxe uma sensação de sair um pouco da rotina", diz.

"Eu percebi que, durante essa viagem, como a gente viajou entre amigos e são pessoas que eu já convivo, foi uma bela oportunidade da gente se permitir se curtir", complementa Marina. "No dia a dia, você fica muito no automático na sua rotina, parece que você perde contato com esses pequenos detalhes que lembram de que a vida é boa e gostosa e que você gosta das pessoas que estão perto de você. Eu percebi que fiquei mais próxima das pessoas, com mais interesse em escutá-las do que antes."

Tudo isso, somado, tem um efeito que, de acordo com Daniela, é equivalente a um período oficial de férias. "A pausa das atividades e do cotidiano é um estimulante de criatividade e de motivação para voltar às atividades atuais, seja para a dona de casa ou para quem trabalha numa empresa ou escritório. E é importante parar para ter essa renovação e esse reequilíbrio cerebral quando chegamos em uma zona de estresse", explica ela.

Praia e trabalho: funciona?

Considerando este como um ano totalmente atípico, a pergunta "Trabalhar na praia funciona?" parece sem contexto. Bruna conta, por exemplo, que já precisava gerar um equilíbrio com as tarefas domésticas e os compromissos profissionais. A única diferença é que, na semana fora de São Paulo, o equilíbrio incluía algumas horas no sol e no mar.

"Trabalhando em casa, eu passei a gerenciar mais minha agenda de trabalho conciliando com as tarefas de casa (cozinhar, lavar roupa, arrumar a casa, fazer pausas durante o dia, etc.). Na praia, foi igual, mas com o elemento de que as pausas eram mais para descanso e lazer. Mas a agenda se manteve praticamente a mesma, não precisei mexer muito nela", conta.

Marina tem horários muito regrados, já que o seu trabalho contempla estar disponível para o seu time no horário comercial - o que significa muitas conversas e reuniões em conjunto, tudo à distância, claro. "Ou eu trabalhava mais cedo, ou eu estendia… Se eu trabalho das 09h às 18h e eu começo às 08h, então eu tenho uma hora de almoço maior. E a ideia era que nesse período, eu estendesse um pouco e ficasse na piscina!".

A praia ficou para os finais de semana, às vezes antes do dia de trabalho começar, às vezes, depois que o expediente acabou, ou em uma pausa rápida no meio da tarde para um mergulho. Qualquer que fosse o caso, a sensação de relaxamento e leveza foi garantida e o trabalho se manteve como sempre foi: profissional, com entregas em dia, reuniões e e-mails respondidos como normalmente acontece.

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