Venezuelano Gustavo Dudamel é o novo diretor musical da Ópera de Paris

Anna PELEGRI
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O maestro Gustavo Dudamel em Barcelona, em 15 de setembro de 2020

O venezuelano Gustavo Dudamel será o novo diretor musical da Ópera de Paris, anunciou nesta sexta-feira (16) a instituição, uma das mais prestigiosas do mundo.

O aclamado maestro, de 40 anos, ocupará o cargo a partir de agosto e por um mandato de seis anos, ao mesmo tempo que permanecerá à frente da Orquestra Filarmônica de Los Angeles.

Ele será o primeiro latino-americano a assumir o comando de uma grande ópera europeia desde que o argentino-israelense Daniel Barenboim foi nomeado diretor musical do La Scala de Milão em 2011, cargo que deixou em 2014.

"Estou muito emocionado e agradecido por estar aqui hoje, nesta casa magnífica", disse Dudamel no Palácio Garnier, templo histórico da ópera parisiense, durante uma entrevista coletiva transmitida por Zoom.

"Após um ano muito difícil pela pandemia, sinto uma profunda responsabilidade", completou.

Dudamel, que dirigiu pela primeira vez a orquestra da Ópera de Paris para "La Bohème" de Puccini em 2017, substituirá o suíço Philippe Jordan.

- "Lar espiritual" -

"Apenas quando me vi diante desta ópera que encontrei meu lar espiritual", disse o venezuelano.

Considerado desde muito jovem um prodígio da batuta, o estilo de Dudamel é singular: com seu cabelo cacheado, o maestro comanda a orquestra com um gestual enérgico, movido por uma emoção que deixou o público de pé nos maiores palcos do mundo.

A Ópera de Paris representa um novo desafio, pois é mais conhecida por dirigir orquestras sinfônicas que líricas.

O diretor-geral da Ópera de Paris, Alexander Neef, chamou Dudamel de maestro "emblemático" e um dos "mais talentosos e prestigiosos do mundo".

Durante seu primeiro ano, Dudamel será responsável por no mínimo três produções líricas e coreográficas, um trabalho que aumentará durante a segunda temporada, segundo Neef.

- Simón Bolívar, sua "família" -

Além da função dupla como diretor musical em Paris e Los Angeles, Dudamel garantiu que seguirá colaborando com a orquestra Simón Bolívar da Venezuela.

"É minha família, o grupo com o qual me desenvolvi desde criança", disse, antes de recordar seu mestre, José Antonio Abreu.

Dudamel é um dos maestros mais bem pagos do mundo, segundo a imprensa americana, que calcula seu salário anual em três milhões de dólares.

Ao ser questionado sobre a remuneração na Ópera de Paris, Neef respondeu que "não tem a menor intenção" de divulgar o valor, porque isto seria "muito incomum".

Desde adolescente, Dudamel se destacou graças ao Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, um programa fundado por Abreu que deu acesso à educação musical a milhares de crianças de classes populares e que foi replicado em mais de 40 países.

Grandes maestros como o britânico Simon Rattle perceberam o talento do jovem prodígio, que aos 17 anos passou a comandar a orquestra juvenil Simón Bolívar.

Em 2004, ele venceu o primeiro concurso de regência Gustav Mahler na Alemanha, o que abriu as portas para a Orquestra Sinfônica de Gotemburgo, na Suécia.

Posteriormente, com apenas 28 anos, foi contratado como diretor musical em Los Angeles.

Em 2012, Dudamel venceu seu primeiro Grammy com a direção de "Brahms: Sinfonia No. 4".

Também se tornou o primeiro maestro a tocar durante o Superbowl, assim como o primeiro venezuelano a ter uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, o que aumentou sua fama de astro.

Dudamel, casado com a atriz espanhola María Valverde, também é alvo de críticas por parte daqueles que consideram que durante muito tempo evitou denunciar os abusos do chavismo na Venezuela, ao se apresentar em atos oficiais, como no funeral de Hugo Chávez.

Um silêncio que rompeu em 2017, ao criticar a brutal repressão que deixou quase 200 mortos durante protestos em seu país.

app/mar/fp