Veja o que 7 mulheres realmente comem quando estão doentes (e por que isso é importante)

Com a chegada do fim de janeiro, já podemos voltar a falar normalmente sobre comida.

A quantidade de “planos detox” das celebridades, para combater os excessos do fim do ano, é cada vez maior, levando à ideia tola de que certos alimentos irão transformá-lo em uma pessoa melhor e mais “limpa”. Um passeio rápido pela hashtag #foodporn no Instagram pode fazer com que você pense que a aparência da comida é o que realmente importa (você já viu os cappuccinos de glitter?), mas hoje queremos falar sobre um assunto um pouco mais realista.

Quando fazemos escolhas alimentares realmente importantes – quando estamos nos sentindo mal e precisamos comer algo que aumente nosso bem-estar – será que Gwyneth Paltrow e o Instagram seriam nossas fontes de pesquisa? Quando estamos doentes, por exemplo, a comida que faz com que nos sintamos melhor tem este efeito por ser nutritiva, ou há outras razões por trás deste efeito?

Conversamos com sete mulheres, de diferentes lugares, para descobrir o que elas comem quando estão doentes e por que estes alimentos específicos favorecem o seu bem-estar. As tendências alimentares que vemos nas redes sociais costumam ignorar a conexão emocional que temos com a comida, mas vale a pena parar por um minuto, para entender como e por que certas escolhas levantam o nosso astral.

Torradas de pão branco com marmite cortado em triângulos Foto de Anna Jay.

Nina

Minha primeira escolha quando estou doente são torradas de pão branco com marmite [extrato de levedura muito comum no Reino Unido]. Precisa ser pão branco, e a não ser que ele esteja sufocado sob camadas ofensivas de manteiga e marmite, não tenho interesse. Isso começou quando eu era criança e minha mãe usava o sabor deste prato como um teste para comprovar que eu estava me sentindo melhor depois de uma gripe ou mal-estar, geralmente causada por alguma doença que eu havia trazido da escola para casa. Ela dizia: “Se você conseguir manter o marmite no estômago, pode jantar mais tarde”. E eu gostava muito de jantar.

Hoje, apesar de eu ser a adulta que precisa comprar o pão, tostá-lo e untá-lo, antes de me jogar no sofá para comê-lo, assim que vejo aqueles quatro pequenos triângulos viscosos na minha frente, volto a ter 7 anos de idade. Eu fecho meus olhos e me vejo enrolada num cobertor da Disney, sendo mimada com um nível de afeto condizente com o drama que eu fazia para valorizar a doença. Esse pão é uma máquina do tempo para uma época em que a vida adulta parecia um mundo distante, uma época em que Imposto de Renda e a diferença entre detergente biodegradável e não-biodegradável não eram problemas meus.

Um aviso: se você ainda estiver doente e acabar vomitando o pão com marmite, a cena não é nada bonita – acredite.

Suco de limão e mel Foto de Anna Jay.

Yoana

Quando estou doente eu sempre tomo suco de limão com mel, três vezes ao dia. Eu espremo um limão inteiro em uma xícara e adiciono uma colher de chá de mel – é um pouco azedo e as pessoas que não gostam de sabores azedos podem não gostar, mas para mim é muito refrescante. Eu cresci na Bulgária e quando eu ficava doente minha avó sempre preparava esta receita para mim, e posso dizer, com convicção, que ajuda. Agora que sou adulta, ainda não gosto de tomar medicamentos e tento evitá-los sempre que possível, então o truque da minha avó é minha primeira opção quando preciso enfrentar um resfriado. Hoje moro em Londres, então tenho menos de uma semana por ano para ver a minha avó. Embora eu não possa mais estar com ela quando estou doente, o limão e o mel são um agradável lembrete de que ela ainda está comigo.

Ribena e torradas (cortadas em quadrados) com aros de espaguete e queijo ralado por cima Foto de Anna Jay.

Sass

Esta é a minha refeição preferida quando meu apetite começa a voltar, depois de um período de mal-estar. Parte do apelo é o fato de que eu costumo ter os três ingredientes (pão, queijo, lata de aros de espaguete) sempre à disposição em casa, por isso não preciso me arrumar ou, pior ainda, ir lá fora. O pão torrado precisa ser cortado em pequenos quadrados (idealmente 16 por fatia) e coberto com uma lata de aros de macarrão com um pouco de queijo cheddar ralado por cima. O sabor muda completamente se a torrada não estiver cortada, e o prato precisa ser servido da mesma forma que minha mãe fazia quando eu era pequena. Isso, combinado com uma caneca quente de Ribena [bebida comum na Inglaterra] já salvou minha vida, muitas vezes (por exemplo, quando eu estava gripada).

Limonada caseira Foto de Anna Jay.

Anna

Quando eu era pequena, minha mãe costumava fazer limonada quando eu e meu irmão estávamos doentes. Minha avó fazia o mesmo por ela, então é uma espécie de tradição familiar. A receita é uma colher de sopa de açúcar para cada meio limão, deixado de molho com casca, em água quente, antes de espremer o suco e completar com água gelada. Por este motivo a bebida está sempre um pouco quente e “choca”, exatamente como deve ser. Não é uma opção para quem não gosta de consumir açúcar (por favor não tente substituí-lo por xarope de agave), mas é carregada de vitamina C, deliciosa e reconfortante.

Macarrão cozido em caldo de frango Foto de Anna Jay.

Rose

Quando eu era pequena, meu pai dizia que o frango era o “paracetamol judaico”, e sempre que eu e os meus irmãos ficávamos doentes, ele fazia macarrão cozido em caldo de frango caseiro para nós. Meu quarto era no último andar e eu ainda me lembro do som de quando ele trazia uma tigela, na bandeja; ele até arrumava tudo, como se estivesse colocando a mesa, para dar um ar mais elegante. Meu pai é uma fofura e ainda se oferece para me trazer comida quando estou mal, mas mesmo quando estou à beira da morte, consigo me arrastar até o mercado para comprar macarrão e caldo de frango. Comer isso me faz sentir que alguém está cuidando de mim, como meu pai fazia – até o cheiro faz com que meu apartamento pareça a casa dos meus pais.

Purê de qualquer coisa Foto de Anna Jay.

Katy

Quando estou doente, quero purê de qualquer coisa. Quando eu era criança minha mãe me trazia pequenas tigelas de purê de nabo e cenoura. É nutritivo e fácil de engolir, se você tiver uma inflamação na garganta ou simplesmente estiver se sentindo mal. Um purê de batata macio com manteiga e ervilhas também é delicioso – é como uma papinha de neném, e todo mundo se torna um pouco criança quando fica doente. Além disso, todas as mães irlandesas insistem que devemos tomar uma 7Up “choca” quando estamos mal; talvez elas façam algum tipo de ritual mágico enquanto mexem a bebida, mas seja o que for, funciona.

Sopa de legumes com frango da minha avó Foto de Anna Jay.

Kirstie

Quando voltei para Londres, morei com minha avó por três anos. No minuto em que eu chegava em casa, vindo do trabalho, bastava eu espirrar para que ela preparasse uma sopa caseira. A mistura perfeita de frango, vegetais, batatas, sal, pimenta, e aqueles pequenos macarrões estranhos que nunca encontramos no supermercado, mas que ela parecia ter um estoque interminável, juntamente com o amor incansável da minha avó, faziam com que eu me sentisse melhor com uma única tigela! Também é ótimo para curar a ressaca.

Rose Lander

Refinery 29 UK