Tricotar em público, pode? Veja 5 dicas para lidar com a ansiedade pós-pandemia

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TOKYO, JAPAN - AUGUST 01: Tom Daley of Great Britain knits as he watches the Women's 3m Springboard Final on day nine of the Tokyo 2020 Olympic Games at Tokyo Aquatics Centre on August 01, 2021 in Tokyo, Japan. (Photo by Clive Rose/Getty Images) (Clive Rose via Getty Images)

Resumo da notícia:

  • O atleta Tom Daley tricota para combater a ansiedade

  • A retomada das atividades pode ser tão estressante quanto ficar em casa

  • Como encontrar os próprios limites e o que fazer com eles

A cidade é Tóquio, no Japão. O contexto é esportivo, afinal, são os Jogos Olímpicos que acontecem por lá. Na arquibancada, entre uma e outra competição, uma cena totalmente inesperada: um atleta tricota. O profissional em questão é Tom Daley, o britânico que é medalhista olímpico e busca o quarto pódio na Olimpíada que acontece agora do outro lado do mundo. O tricô, por mais estranho que pareça, é um hobby do atleta, que com frequência posa no Instagram com as próprias criações: de casacos coloridos, a coletes, capuzes e até roupinhas para o seu cachorro.

Mas não estamos falando sobre isso à toa. Em um vídeo no seu perfil de tricô e crochê, Tom explica como a prática o ajudou a manter o foco e controlar a ansiedade, principalmente em um ambiente de alta pressão como são os Jogos Olímpicos. E, vamos combinar, o último ano e meio tem sido extremamente estressante não só para os atletas que se preparavam para a Olimpíada (e se frustravam com o seu adiamento), mas para o mundo inteiro. A ansiedade e o estresse atingiram níveis máximos, a ponto da Organização Mundial de Saúde alertar para um boom de depressão em um futuro não tão distante assim.

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E se a insegurança e a incerteza iniciais diminuíram, o que vemos agora é um crescimento da ansiedade e do estresse relacionados com a volta ao "normal" (se é que, de fato, estamos voltando ao normal - a pandemia ainda não acabou). As arquibancadas vazias na Olimpíada são prova de que muita coisa ainda precisa caminhar para o "normal" acontecer, mas, pouco a pouco, vemos uma retomada das atividades pré-pandemia no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Muitos escritórios começam a pensar em retomar o presencial, as escolas voltaram a abrir e, enfim, começa-se a pensar em eventos novamente.

Se o pânico bateu por aí, não se assuste. Perceber ansiedade em retomar as atividades que, antes, eram tão comuns, pode, mesmo, gerar uma série de sensações conflituosas. Afinal, passamos quase dois anos cuidado para nos mantermos longe uns dos outros com medo de transmitir e contrair uma doença sem cura. Pensar em ir a um bar lotado ou um show - ou até algo mais simples, como voltar a trabalhar lado a lado com a sua dupla no escritório -, pode mesmo gerar desconfortos.

Pensando nisso, aí vão algumas dicas de como contornar a ansiedade de retomar a vida pré-pandemia.

1.Seja paciente com você mesmo

O mundo pode seguir um ritmo, mas isso não significa que você precisa acompanhá-lo. É importante retomarmos uma vida fora de casa, as convivências sociais, mas isso não significa que você precisa se sentir absolutamente pronto para entrar em um estádio de futebol lotado de gente de um dia para o outro. É importante identificar o seu próprio tempo e ter paciência com o seu processo - todos ficamos mais de um ano ouvindo repetidamente que tínhamos que ficar em casa, manter distância das pessoas e usar máscaras de proteção. Não espere que essa mensagem saia da mente de uma hora para a outra. É uma questão de treino.

2.Estabeleça pequenos objetivos

Usando o exemplo acima, se você não se sente preparado mentalmente para ir a um estádio lotado, não se sinta obrigado a isso. Você pode retomar o contato social com as pessoas aos poucos, de forma que seja confortável para você. Uma ideia é marcar um café presencial com um amigo diferente por semana (escolhendo até lugares e horários menos movimentados) ou uma nova atividade para experimentar por fim de semana.

3.Evite se comparar com os outros

Reconhecer os seus próprios limites é importante para evitar novas crises de ansiedade e até ataques de pânico. Tenha certeza: você não precisa fazer tudo o que as outras pessoas estão fazendo, e se, para você, ainda não é confortável ir a um happy hour, por exemplo, você não é obrigado a fazê-lo. Nesse ponto vale a pena, inclusive, evitar as redes sociais e concentrar-se no que você consegue, quer e pode fazer a cada momento. Autocuidado é chave. Falando nisso…

Conhecer os seus próprios limites, conversar com as pessoas e buscar se manter longe das redes sociais são boas ideias para retomar a vida fora de casa no seu ritmo (Foto: Getty Creative)
Conhecer os seus próprios limites, conversar com as pessoas e buscar se manter longe das redes sociais são boas ideias para retomar a vida fora de casa no seu ritmo (Foto: Getty Creative)

4.Cuide-se o máximo que puder

Assim como Tom, ter um hobby ou uma atividade à mão que ajude a lidar com os sentimentos de ansiedade é muito importante. Seja em casa ou no espaço público - por exemplo, enquanto você espera as pessoas com quem vai encontrar -, ter uma válvula de escape para concentrar-se no momento presente, controlar a respiração e tirar o foco da espiral de pensamentos ansiosos é sempre uma boa ideia. Uma opção interessante é ter à mão também uma lista de atividades que você gosta de fazer, que são prazerosas e que, principalmente, acalmam - algo como uma "lista de bem-estar". Dessa forma, sempre que sentir que essas sensações estão crescendo você pode buscar fazer alguma coisa dessa lista.

5.Comunique os seus limites

Se estamos falando sobre voltar ao convívio social, isso significa retomar a proximidade de muitas relações, mesmo as de trabalho. Por isso, é importante que não só você saiba os seus limites, mas os outros também. Converse com as pessoas sobre o que você tem sentido e o que você se sente confortável em fazer agora. A pandemia de coronavírus afetou as pessoas de maneiras diferentes e é uma ilusão imaginar que todo mundo vai lidar com a retomada das atividades da mesma maneira. Ou seja, converse com amigos, com empregadores e colegas de trabalho sobre o que você se sente confortável em fazer e o nível de proximidade que pretende manter conforme as atividades presenciais voltam a acontecer. E não tenha medo! Muitas vezes, essas conversas podem, inclusive, ajudar você a rever os limites e reajustá-los mais rapidamente.

Bônus: na dúvida, peça ajuda

Aqui, tudo o que oferecemos são dicas práticas que podem colaborar para uma retomada mais tranquila das atividades consideradas "normais". No entanto, uma coisa é certa: nunca se falou tanto sobre saúde mental e a importância de cuidar da mente tanto quanto cuidar do corpo. Por isso, se você sente dificuldades extremas em sair de casa, se tem lidado com ataques de pânico e de ansiedade ou se tem se percebido mais estressado do que o normal, não hesite em pedir ajuda. Você pode buscar atendimento psicológico ou psiquiátrico, inclusive de forma gratuita em algumas cidades brasileiras, para cuidar e reverter essas sensações.

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