Vasco: Técnico Ricardo Sá Pinto sente pressão e clima no vestiário não é dos melhores

Bruno Marinho
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Diante da má fase sem fim do Vasco, Ricardo Sá Pinto mostrou o seu lado coração de leão, apelido que ganhou nos tempos de Sporting, parte pela identificação com o clube de Lisboa, cujo mascote é o felino, parte pela personalidade forte que possui. O treinador dá sinais de irritação diante dos questionamentos ao seu trabalho no Cruz-Maltino.

A pressão é grande sobre o português. Após a derrota para o Defensa y Justicia, ele não gostou da pergunta sobre ter mexido na equipe somente na metade para o fim do segundo tempo, quando os argentinos já tinham o placar que eliminava o Vasco.

— Depois me dê o telefone do repórter que perguntou isso para eu saber com ele quando devo substituir — retrucou o técnico para o assessor responsável pela leitura da pergunta.

A relação entre ele e os jogadores já acumula alguns ruídos, apesar do tempo curto de trabalho. O fato de o treinador, às vezes, pedir aos atletas que façam nas partidas movimentos diferentes daqueles que foram treinados na véspera tem incomodado.

Na sexta-feira, conforme o Ge informou, Fellipe Bastos teve um desconforto com o treinador e deixou o centro de treinamento do Vasco sem trabalhar. Com o contrato para acabar em dezembro, o jogador pode estar se despedindo do clube, uma vez que tem sido muito pouco utilizado por Sá Pinto. Bastos é considerado uma das principais lideranças do elenco e, mesmo reserva na maior parte do ano, é um dos vice-artilheiros, com quatro gols.

O treinador chegou à Colina caindo nas graças do elenco com um estilo descontraído, mas com as dificuldades para encontrar um time e conseguir os resultados para tirar o Vasco da zona de rebaixamento, o desgaste começou a aparecer.

Leandro Castan, na saída do gramado após a derrota para o Defensa y Justicia, reconheceu que o elenco está em um momento delicado na temporada.

— Está todo mundo no limite físico e psicológico aqui, mas vamos fazer de tudo para dar a volta por cima — afirmou o zagueiro.

Números ruins

São 11 partidas até o momento, com duas vitórias, cinco empates e quatro derrotas. Já existe uma cobrança de torcedores e conselheiros para que Alexandre Campello demita o treinador. Por enquanto, ele está mantido, com o apoio do ainda presente do clube e também de José Luis Moreira, vice de futebol que foi um dos responsáveis pela contratação. O dirigente é português e foram os seus contatos no país que indicaram Ricardo Sá Pinto.

O técnico português é o terceiro treinador do Vasco em 2020 e o que possui o pior aproveitamento de pontos até o momento: 33%, contra 56% de Ramon Menezes e 40% de Abel Braga — este último tendo enfrentado adversários teoricamente mais fáceis, no Estadual e nas primeiras fases das Copas do Brasil e Sul-Americana.

As duas competições de mata-mata ficaram para trás e o Vasco faz de tudo para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Domingo, o time vai até Porto Alegre para enfrentar o Grêmio. O time de São Januário é o 17º colocado, com 24 pontos. No primeiro turno, o jogo terminou em 0 a 0.