Vaporização de útero e banho de assento: o que são e para que servem?

Fernanda Lopes
·4 minuto de leitura
Women health - Oncology. Anatomical scheme of Carcinoma - or other Gynecological cancer tumor with metastases
Duas práticas da ginecologia natural são ancestrais e podem trazer diversos benefícios, mas ainda pouco praticadas e divulgadas entre boa parte das mulheres. Foto: Getty Images

Nos últimos anos, muitas mulheres têm aderido a um movimento chamado ginecologia natural, em que decidem cuidar de sua saúde ginecológica sem tantos remédios, hormônios e soluções artificiais. É uma escolha para que percebam melhor o funcionamento de seus organismos e busquem soluções mais naturais, que promovam não só alinhamento e cura por meio de plantas e rituais como também maior conexão com si mesmas e seus elementos femininos.

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“A ginecologia natural enquanto forma de compreender e lidar com nosso corpo é a novidade mais velha dos últimos tempos: resgata coisas que a vovó fazia e de repente até tentou nos ensinar, mas a indústria e as propagandas nos convenceram que não funcionavam porque moderno é tomar remédio e viver no tempo acelerado das máquinas”, afirma Bel Saide, ginecologista, autora do livro Ginecologia Sem Hormônios e do podcast Ginecologia Natural.

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Duas práticas da ginecologia natural são ancestrais e podem trazer diversos benefícios, mas ainda pouco praticadas e divulgadas entre boa parte das mulheres: o banho de assento e a vaporização do útero.

Banho de assento é uma técnica mais conhecida, pois pode ser usada de maneira medicinal no tratamento de vários problemas do trato ginecológico, como candidíase, herpes e HPV. É recomendado por médicos, mas a ginecologia natural amplia a técnica com a inclusão de mais ervas e o entendimento de que a mulher pode realizar ali um ritual de reconexão com si mesma.

“O banho de assento atua através da imersão na água com as ervas, pode ser quente ou frio, indicado em casos como por exemplo tratamento de candidíase, leucorréias, herpes, HPV, entre outros desconfortos. É necessário o contato com a água, e também há a opção de mudar a temperatura da água”, diz Carolina Lana, terapeuta natural especializada em ginecologia natural e dona do perfil Curandeira de Si no Instagram.

Para fazer um banho de assento, a mulher deve se sentar numa bacia profunda suficiente para que sua vulva fique imersa na água. Esta água deve conter um preparado de ervas relativas à questão que ela deseja tratar —o que deve ser avaliado com auxílio de profissionais. O tempo de imersão varia, mas em geral não passa de 40 minutos. A ideia é de que este banho seja, além de uma cura, uma prática de autocuidado.

A vaporização de útero é uma técnica tão ancestral quanto o banho de assento, mas com finalidades diferentes. Enquanto o banho é mais medicinal, a vaporização pode ajudar a tratar até as emoções e memórias relacionadas ao útero e ao feminino, segundo as especialistas.

Nesta prática, a mulher não tem contato com a água diretamente, mas deve sentir o vapor de um preparado de água com ervas em contato com sua vulva. Para isso, é indicado que se sente em cima de uma bacia ou recipiente que contenha o líquido (existem até banquinhos com um furo no meio, feitos especialmente para facilitar o processo).

As ervas podem auxiliar no funcionamento do sistema reprodutivo de várias formas, como no alívio de cólicas, regulação do ciclo menstrual, melhora dos sintomas da TPM e até ajudar na libido. “A vaporização atua através do vapor da água com as ervas (não tem contato direto com a água) e não tem como fazer fria. É muito usada para limpeza das memórias uterinas, tratamentos de patologias e ajuda a liberar e trabalhar as questões emocionais relacionadas à saúde íntima”, explica Carolina.

Assim como banho de assento, a vaporização do útero também funciona como um momento da mulher consigo mesma, em que ela pode até meditar sobre suas questões e se reconectar com sua intimidade.

Cada problema ou desconforto que a mulher quiser tratar tem suas ervas específicas, então é importante consultar profissionais sobre isso (uma vez que também há contraindicações, e o uso equivocado de ervas pode trazer outras complicações). Há inclusive diversos e-books e cursos online que ensinam mais sobre as técnicas de banho de assento e vaporização de útero.

“Quando se trata da medicina natural muitos fatores devem ser considerados para a indicação de um tratamento. Sempre lembrando que não existe receita mágica. A Ginecologia Natural trata a mulher e não a doença. A vaporização é linda, mas é uma medicina e deve ser praticada com consciência e aprofundamento”, afirma Carolina.

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