Vale a pena ter uma Alexa em casa?

Foto: Andrew Matthews/PA Images via Getty Images

A Amazon lançou oficialmente no Brasil na última semana a Alexa, sua assistente digital que responde a comandos de voz. Junto com ela, estreou também no País a linha de caixas de som inteligentes (smart speakers) da empresa.

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Antes disso, porém, a Amazon realizou um programa de testes da Alexa em português com clientes brasileiros. A experiência começou no início do ano e garantiu a cada participante uma caixa de som Echo importada de graça.

Eu fui um dos participantes do programa de testes da Alexa em português e tenho usado o Echo de segunda geração em casa desde março de 2019. E a pergunta que eu mais ouvi neste período foi: vale a pena ter uma Alexa em casa?

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A Alexa, como a Siri, da Apple, e o Google Assistente, é capaz de fazer buscas na internet e responder algumas perguntas, como "que dia é hoje?", "vai chover amanhã?" e "quanto foi o jogo do Flamengo?". E também pode sincronizar a secretária digital com sua agenda do celular para marcar eventos, fazer listas de tarefa e solicitar lembretes.

Além disso, a Alexa pode se conectar a alguns apps e executar funções específicas, como a de tocar alguma música do Spotify ou uma rádio do TuneIn, e até pedir comida pelo iFood. Para isso, basta dizer o nome da assistente em voz alta - "Alexa" - e a caixa de som se acende para prestar atenção ao que o usuário diz.

Mas assim como Google Assistente e Siri, a Alexa também permanece atenta 24 horas por dia - ou durante todo o tempo em que estiver ligada na tomada. Isto significa que o microfone das caixas Echo ficam ligados o tempo todo, "ouvindo" tudo o que você e outras pessoas dizem ao redor dele.

O áudio só é gravado, armazenado e enviado para os servidores da Amazon a partir do momento em que o microfone detecta a palavra-chave de gatilho - "Alexa". O problema é que, por vezes, o sistema falha e a assistente confunde ruído de TV e ou de uma conversa aleatória na sua sala de estar com o som de alguém dizendo o seu nome.

Nesses casos, o Echo acaba gravando, sim, mais do que só as suas ordens. É possível conferir no aplicativo da Alexa no celular todos os trechos de áudio que a caixa de som tem gravado, e não é raro encontrar por ali uma ou outra breve conversa que a assistente acabou registrando por acidente.

É importante frisar que este não é um problema só da Alexa em português. A tecnologia de reconhecimento de fala da Alexa, ainda que precisa, corre o risco de se confundir a qualquer momento, assim como qualquer algoritmo de identificação de padrões.

Anos atrás, uma propaganda da Alexa na TV dos EUA chegou a causar alvoroço por ativar, acidentalmente ou não, centenas de dispositivos Echo que ouviram a voz da assistente na televisão e acharam que seus "donos" estavam querendo conversar.

Não precisa ter medo: a Alexa não vai fazer compras na Amazon sem a sua ordem. A inteligência artificial da assistente já consegue perceber quando foi ativada acidentalmente e volta a dormir quando se dá conta que não é com ela que você está falando.

Mas não se engane: a tecnologia não é perfeita, e erros de interpretação de comandos são comuns. Especialmente na hora de pedir um artista ou música de origem estrangeira no seu aplicativo de streaming.

A Alexa foi treinada para entender a maneira “brasileira” de pronunciar palavras em inglês, mas nem todo mundo pronuncia da mesma forma, de modo que acertar o jeito certo de falar aquilo que a assistente consiga entender pode exigir algumas tentativas.

Dependendo da sua pressa e da importância da tarefa que você está delegando à Alexa, corrigir o erro pode te tomar alguns preciosos segundos. Mas o problema não chega a impactar de forma considerável a experiência de uso. Momentos assim são raros.

A Alexa que tudo ouve

No dia a dia, a utilidade da Alexa em casa é questionável. Muito ajuda ter uma secretária eletrônica preparada para te lembrar de tomar o remédio, te despertar pela manhã e te avisar quando é hora de sair para um compromisso ou para tirar o bolo do forno.

É conveniente também poder conferir e-mails e mensagens só com comandos de voz, sem precisar pegar o celular, especialmente se você estiver com as mãos ocupadas. Tudo isso sem falar na liberdade de ouvir suas músicas do Spotify e outros serviços de streaming pela caixa de som do Echo, em alto e bom volume.

Mas controverso, mesmo, pode ser o preço que se paga por essa comodidade. A linha Echo vendida no Brasil começa em R$ 249, na versão Dot, e vai até R$ 699 no modelo mais potente. Quanto você está disposto a pagar por uma secretária eletrônica que anota seus lembretes e responde (à maioria das) suas perguntas?

Além do custo financeiro, há também o desafio ético e moral de colocar na sua casa o que algumas pessoas chamam de "aparato de vigilância em massa" da Amazon, uma das maiores corporações do mundo e alvo de críticas pela maneira como lida com a privacidade de seus milhões de clientes.

Já se sabe que a Amazon coleta grandes volumes de dados pessoais de usuários, muito além daqueles que eles mesmos entregam, como nome completo, endereço e número do cartão de crédito. Com base nessas informações, a empresa oferece serviços de direcionamento de anúncios para revendedores parceiros e fatura milhões.

A Amazon já foi flagrada pagando funcionários terceirizados para ouvir clipes de áudio gravados pela Alexa, dentre os quais aqueles trechos registrados por engano que podem, ou não, incluir conversas privadas que usuários não gostariam de compartilhar com desconhecidos.

A empresa diz que faz isso para continuar aprimorando a tecnologia de reconhecimento de fala da Alexa. Mas é natural que nem todo mundo se sinta confortável com a ideia de um microfone super sensível ligado o tempo todo na sala de casa enviando suas conversas a estranhos do outro lado do mundo.

A categoria de caixas de som inteligentes é recente no Brasil e promete ser rapidamente dominada pela Amazon. São poucos os modelos que vêm com Google Assistente instalado à venda no país. E o Homepod, smart speaker feito pela Apple, não é vendido oficialmente por aqui, tal qual o Google Home.

Colocando em perspectiva, o preço da linha Echo não chega a ser tão alto, especialmente se considerarmos o padrão brasileiro e o fato de que os dispositivos não são fabricados por aqui - o valor foi basicamente apenas convertido de dólar para real, sem taxas abusivas ou margem de lucro.

Mas cabe a cada um decidir se no seu orçamento há espaço para um aparelho que faz tudo o que seu smartphone já faz, mas sem as mãos.

Conheça cada um dos dispositivos Echo com Alexa em português vendidos no Brasil.

Echo Dot: de R$ 349,00 por R$ 249,90 (compre)

O Echo Dot é o smart speaker mais vendido da Amazon nos EUA, onde o mercado de caixas de som conectadas é mais maduro. O aparelho se conecta à internet para fazer buscas na web, consultar produtos na Amazon, rastrear pedidos e também toca música, conectando-se a apps como Spotify, Apple Music, Deezer e o recém-lançado Amazon Music.

Echo Show 5: de R$ 599,00 por R$ 449,00 (compre)

O diferencial do Echo Show é a tela de 5,5 polegadas que pode ser usada para mostrar as horas ou como um porta-retratos eletrônico, exibindo suas fotos favoritas. Também dá para usar o aparelho para fazer videochamadas e até para assistir filmes e séries do Amazon Prime Video, além de todas as funções dos outros modelos da linha Echo.

Echo de 3ª geração: R$ 699,00 (compre)

O produto premium da linha é o Echo. A versão que chega ao Brasil é a de terceira geração, anunciada nos EUA na semana passada, e por isso ainda não está disponível. O produto se diferencia pelo som mais potente, contando com um woofer de neodímio de 76,2 milímetros e um tweeter de 20 milímetros para sons mais altos e fortes.

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