Vacina do COVID pode alterar ciclo menstrual; saiba porque isso acontece

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Mulheres relatam mudanças no ciclo menstrual (Foto: Getty Images)
Mulheres relatam mudanças no ciclo menstrual (Foto: Getty Images)

O ciclo menstrual de Esther Nascimento, 21, desenvolvedora de software, sempre foi muito regulado e ela nunca sofreu atrasos na menstruação. Mas tomou um susto logo após tomar a 1ª dose da vacina de COVID-19.

"Nunca tinha atrasado e surtei quando isso aconteceu. Foi quando vi vários relatos em um grupo do Facebook sobre como a vacina tinha impactado o ciclo e assim liguei uma coisa com a outra", conta a jovem, que chegou a fazer teste para colocar o DIU e garantir que não estava grávida.

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O que aconteceu com Esther também foi visto em outros países em todo o mundo. Segundo relatos nas redes sociais, muitas mulheres e meninas enfrentaram efeitos colaterais como aumento do fluxo menstrual, escapes fora do comum e atrasos na menstruação após a primeira dose da vacina.

Um levantamento que o site "The Times" teve acesso mostrou que ao menos 4 mil mulheres reportaram mudanças em seus períodos menstruais no Reino Unido após terem recebido a vacina contra coronavírus.

Impacto no ciclo é passageiro e acontece em qualquer vacina

De acordo com os especialistas ouvidos pelo Yahoo!, ainda não há estudos que expliquem o porquê isso pode acontecer com algumas mulheres, mas, de fato, é uma reação ao tomar qualquer vacina.

“Todas as vacinas provocam uma reação imunológica no nosso corpo. As mais comuns são febre, dores musculares, articulares e etc. Mas nas mulheres essa alteração no ciclo menstrual pode acontecer porque a vacina pode impactar o endométrio, que é o tecido que reveste a cavidade do útero. A menstruação consiste na descamação desse tecido”, explica Cláudio Bonduki, ginecologista e obstetra do Hcor.

Sendo assim, acredita-se que esse processo que o corpo passa para criar imunidade, possa liberar substâncias no endométrio que fazem com que a descamação aconteça de forma desordenada. “Isso pode fazer com que a menstruação venha antes da data prevista, tenha alguns dias de atraso e também pode impactar no aumento ou diminuição do fluxo”, explica Bonduki.

Karen Rocha De Pauw, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, deixa claro que esse evento adverso não é exclusivo da vacina da COVID-19. “Quando a gente toma uma vacina, a gente precisa que o corpo crie essa reação contra a doença que estamos buscando a prevenção. Então esse é um evento adverso possível em vacinas da gripe, febre amarela e etc. não é exclusividade da COVID-19”, afirma.

Essa alteração no fluxo menstrual, segundo os especialistas, é passageira e pode durar até o terceiro ciclo após tomar a vacina. “Se as alterações persistirem por muito tempo é recomendado buscar um especialista para investigar melhor, já que uma alteração permanente é uma reação adversa bem rara, destaca Pauw.

Vacinação tem que continuar, mas redobre os cuidados com a contracepção

Cuidado com os métodos contraceptivos durante a vacinação (Foto:Getty Images)
Cuidado com os métodos contraceptivos durante a vacinação (Foto:Getty Images)

“O benefício da vacinação é muito mais impactante do que qualquer irregularidade transitória causada pela vacina”, afirma Bonduki. O ginecologista e obstetra do Hcor é categórico que no momento o mais importante é manter a vacinação em dia para contribuir com o controle da pandemia.

Pauw também destaca que essa alteração de ciclo também tem acontecido inclusive com pacientes diagnosticadas com COVID-19. “Não adianta fugir da vacina por medo de alteração no ciclo. Porque o COVID também traz um estresse pro corpo tão intenso que impacta o ciclo menstrual por ainda mais tempo do que a vacina”, diz.

Com a mudança no ciclo menstrual, no entanto, as mulheres que não querem engravidar devem redobrar os cuidados. “Com a mudança do padrão menstrual, a mulher perde a referência do período fértil e, por isso, alguns métodos como tabelinha e etc. podem falhar”, avisa Bonduki.

Já as mulheres que querem engravidar não têm o que se preocupar, já que não existe relação entre as vacinas e infertilidade.

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