Vacina da Pfizer: Brasil tem poucos dias para selar acordo

Rafael Garcia
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Ao anunciar ontem que vai adotar o imunizante desenvolvido pela farmacêutica americana Pfizer e o laboratório de biotecnologia alemão BioNTech, o Reino Unido se tornou o primeiro país ocidental a autorizar uma vacina contra a Covid-19 aprovada por uma agência reguladora. A vacina estará disponível a partir da “próxima semana”, anunciaram ontem autoridades britânicas. A vacina usa a tecnologia de RNA mensageiro, que leva para nosso organismo uma cópia de parte do código genético do vírus.

Executivos da Pfizer afirmam que estão trabalhando intensamente para conseguir fechar um acordo de aquisição de lotes de sua vacina de Covid-19 com o governo federal do Brasil e dizem que já têm uma proposta que soluciona a questão logística de distribuição do produto. O intervalo que resta para fechar um negócio, porém, é pequeno.

— O tempo é curto, de alguns dias, ou talvez uma semana — disse ao EXTRA Alejandro Lizarraga, diretor da área de vacinas da Pfizer Brasil. — A disponibilidade aqui depende de quando será fechado acordo com o governo federal, porque o número de doses para todos os países tem diminuído consideravelmente em vista do interesse mundial.

As primeiras doses da vacina da Pfizer serão aplicadas em hospitais britânicos com estrutura para o armazenamento a -75ºC. Enquanto isso, grandes centros de imunização em todo o país e postos de saúde serão preparados para receber o imunizante.

Pelo Twitter, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, celebrou o feito: “O Reino Unido é o primeiro país do mundo a dispor de uma vacina aprovada clinicamente”. Os resultados dos testes em massa desta vacina mostraram uma eficácia de 95%. “O NHS (sistema nacional de saúde) está pronto para começar a vacinar, a partir da próxima semana”, declarou Hancock.

Entre as pessoas prioritárias para receber a vacina, estão os idosos, especialmente aqueles que vivem em lares para a terceira idade, profissionais da área da saúde e cidadãos considerados vulneráveis.

As doses vão chegar aos poucos. A primeira remessa, com 800 mil, desembarca no Reino Unido já nos próximos dias. Elas estão sendo embaladas na Bélgica e viajam de balsa ou avião em caixas térmicas com capacidade de mil a 5 mil doses cada, segundo o diretor comercial da BioNTech, Sean Marett.

A vacina da aliança Pfizer e BioNtech precisa ser armazenada a -75ºC. No Brasil, que ainda não fechou acordo com as farmacêuticas, o plano de imunização elaborado pelo Ministério da Saúde não prevê o uso de imunizantes que exijam temperaturas de armazenamento tão baixas.

A principal carta que a Pfizer tem na mão para persuadir o governo brasileiro é o prazo com que a empresa conseguiria entregar doses do imunizante.

— Para o Brasil, a gente pode considerar algumas semanas, podendo chegar a um mês ou mais, ou até dois meses, mas sem precisar exatamente quanto tempo — afirmou Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.

Ela explica que a empresa já submeteu na semana passada documentação dando início ao processo de registro, que em princípio iria requerer até 60 dias (três ciclos de avaliação de 20 dias) para ser efetivado.

Com as novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que a partir de ontem passou a aceitar pedidos de registro em caráter emergencial, é possível que esse prazo possa ser encurtado.

— Já começamos a estudar de forma detalhada o que foi divulgado hoje (ontem) pela Anvisa sobre autorização de uso emergencial. Se avaliarmos que preenchemos os critérios necessários, temos interesse sim em seguir com essa submissão — diz Márjori Dulcine, da Pfizer.

Rússia começa a vacinar

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin anunciou ontem que a vacinação voluntária em massa contra a Covid-19 também começará na próxima semana.

A Sputnik V tem eficácia, de acordo com o governo russo, de até 95% em testes preliminares. A Rússia tem o quarto maior número de casos de Covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, Índia e Brasil.