Um pai presente muda tudo: três histórias

O Yahoo Vida & Estilo traz três histórias verídicas que são também a história de muita gente Você se identifica com alguma? (foto: Pixabay/Creative Commons)

O Yahoo Vida & Estilo traz três histórias verídicas que são também a história de muita gente. Alguns nomes da reportagem foram modificados para preservar a identidade dos entrevistados.
1. Pai é quem cria
Às vezes, uma figura paterna funciona melhor que um pai. Foi o caso de Marta* (hoje com 92 anos) e de seus quatro primeiros filhos, Aparecida, Ney, Tereza e Preta.
O primeiro marido de Marta, Luiz Rodrigues Meira, trabalhava como peão de fazenda no norte de Minas Gerais. Na virada dos anos 40/50, a família migrou para Marília, interior de São Paulo. Logo depois Luiz ficou muito doente.
Diagnosticado com seríssimos problemas no estômago, o homem fez a viagem à capital paulista para se tratar no Hospital das Clínicas – àquela época, o Brasil inteiro se deslocava para lá, já que a saúde era (talvez) mais precária que hoje.
Luiz nunca mais voltou nem foi visto pela família. Marta só recebeu uma notícia: ele havia morrido e sido enterrado como indigente. Ela nunca obteve mais detalhes devido às limitações daquele tempo e de suas condições (analfabeta, mãe de quatro filhos pequenos e em pobreza extrema).
Anos depois, Aparecida, a mais velha dos quatro filhos, se casou com José Petronílio. Pelas décadas seguintes, segundo a família, ele foi o verdadeiro pai dos quatro filhos de Marta, e com quem Aparecida teve mais três filhos.
“Ele criou nós sete de forma igual, com a mesma dedicação, e todos nós o chamávamos de pai. Ele não era expansivo; pelo contrário, era fechadão, mas você sentia nele um afeto igual para todo mundo, e um senso de responsabilidade enorme com a gente”, diz Aparecida.
Talvez por isso, hoje os quatro filhos de Marta sentem mais falta e se lembram com mais frequência do padrasto do que do pai que mal conheceram.

2. Pai, só por DNA
Se Marta e filhos ganharam um novo pai, o mesmo não aconteceu com Fabrízia. Em 1986, sua mãe, Malu, engravidou após um rápido namoro. Chegou para o namorado, disse que estava grávida e que não queria nada dele, nem mesmo dividir a filha.
Quinze anos depois, já adolescente, Fabrízia quis conhecer o pai e ter seu sobrenome. O pai reagiu mal à aproximação. Só autorizou a inclusão de seu nome no da filha após processo na justiça no qual exigiu, inclusive, exame de DNA.
A justiça determinou o pagamento de pensão a Fabrízia e o pagamento da faculdade de veterinária que ela fez.
Desde então, pai e filha mal se falaram, e praticamente não tiveram contato nos 16 anos decorridos. Nem mesmo nos últimos cinco anos. Hoje, a filha trabalha como veterinária bem longe: começou na Arábia Saudita e hoje está em Dubai.
Por algum tempo, Fabrízia chamou de pai o segundo marido da mãe, mas não durou muito tempo.
3.O pai que não aceitou
A presença de um pai também pode causar dor como a sentida por Amélia, caçula de uma família de quatro filhos em uma cidade do Mato Grosso. Sua mãe, Miquiko, estava grávida de oito meses de Amélia quando ficou viúva.
Algum tempo depois, a mãe de Amélia passou a namorar o comerciante mais rico da cidade. O namoro durou anos, apesar do homem se recusar a ser pai ou padrasto dos filhos de Miquiko. Queria apenas ser o amante.
Como o homem era conhecido, o caso ficou público. Os quatro filhos de Miquiko foram discriminados e sofreram bullying na escola e na rua por causa do “comportamento moral” da mãe – até porque o amante era casado e manteve a outra família na cidade.
Amélia, a filha, tem trauma da situação até hoje e acompanha a relação do marido com os filhos de perto, inclusive cobrando que ele fique mais próximo dos filhos. “Eu não sei como é ser criada por um pai e por isso fico nessa, cobrando do meu marido que ele seja cada vez mais pai para meus filhos.”

4.Problema de rico?
Se esperar até a adolescência pra ter a paternidade reconhecida é difícil, que dirá esperar 50 anos? Foi o tempo que levou o taxista gaúcho Noé Oliveira.
Em 1989, Noé provou na Justiça ser filho legítimo do ex-presidente João Goulart, o Jango, com uma empregada da fazenda da família Goulart. O taxista ganhou o direito a participar da divisão da herança com a viúva, Maria Tereza, e os filhos de Jango, João Vicente e Denise. Pelo acordo coube-lhe uma série de bens do espólio do ex-presidente, o que incluiu fazendas e imóveis.
Já o empresário carioca Álvaro Luiz Catão Filho não tinha dúvidas sobre quem era seu pai, mas foi surpreendido. Após guardar segredo por 50 anos, sua mãe, a socialite Lourdes Catão revelou que Álvaro era filho não de seu marido Álvaro, mas de um caso dela com o cunhado, Francisco João Catão.
Álvaro Filho sempre manteve ótimas relações com o pai que não era seu pai. A revelação, porém, desencadeou uma briga familiar em torno de uma herança calculada em US$10 milhões. É o valor do espólio deixado por Francisco, que não teve filhos oficialmente.
Neta de Otto Prazeres (secretário particular do presidente Getúlio Vargas), Lourdes Catão trabalhou com decorador por anos em Paris e Nova York, e costumava aparecer com frequência nas listas das Dez (mulheres) Mais Elegantes do Brasil, publicadas pelos colunistas sociais Jacintho de Thormes e Ibrahim Sued.