Um dos favoritos ao Oscar, The Power of The Dog é cinema de primeira - e foi criado no streaming

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Exibido no Festival de Cinema de Vancouver,
Exibido no Festival de Cinema de Vancouver, "The Power of The Dog" conta a história de dois irmãos que precisam lidar com a chegada de novos membros na família e a manutenção de um rancho herdado. Foto: Divulgação

Dá pra reclamar de uma série de coisas do streaming, esse canal que não é mais moda, e sim novo jeito de consumir. Há quem diga que ele trabalha em cima da ansiedade, não deixa ninguém digerir muito as histórias e até que repete de um jeito formulaico seus maiores sucessos. Os defensores dizem, porém, que o acesso ao entretenimento foi mais democratizado, novas obras chegam a mais olhos e histórias diferentes ganham atenção que nunca ganharam antes.

Entre todos esses argumentos, a maior das empresas de streaming, a Netflix, tenta cavar seu lugar no mundo do prestígio cinematográfico que teoricamente só é ocupado por quem produz filmes para tela grande. Houve tentativas com Roma, Mank, História de Um Casamento, mas nenhum deles consegue chegar ao nível de The Power of Dog, novo filme de Jane Campion e protagonizado por Benedict Cumberbatch. Sem medo algum dá pra dizer que a consolidação da Netflix no panteão do prestígio chega com esse lançamento.

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Exibido no Festival de Cinema de Vancouver, o longa conta a história de dois irmãos que precisam lidar com a chegada de novos membros na família e a manutenção de um rancho herdado. Cumberbatch e Jesse Plemons fazem os irmãos, e Kirsten Dunst e Kodi Smit-Mcphee as novidades no ambiente. A relação entre os três é tratada com a crueza e honestidade necessária para entender a jornada de cada um deles, e sem nenhuma necessidade de diálogos explícitos ou monólogos reveladores.

Isso acontece, principalmente, pelo poder quase tangível da trilha sonora de Jonny Greenwood e pela fotografia e design de produção incríveis - tudo é perfeitamente montado para você sentir o ambiente proposto, se sentir sozinho naquele deserto, mas agoniado pelos desdobramentos de uma história tão rica. Nada disso, claro, seria possível sem a condução de Campion, que exala uma parcimônia admirável entre cenas e atos. 

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Sempre com a intenção de dar tempo de tela para os personagens respirarem, Campion nos faz entendê-los, cada um em seu tempo, sem ansiedade, sem fórmulas, mas com a maestria que pouquíssimos diretores tiveram em 2021 - o que faz de Power of Dog não só o melhor filme do ano, como um dos melhores da recente história da Netflix.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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