Você deveria experimentar passar um dia inteiro sem fazer nada

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Aprender a descansar e atender aos próprios desejos e vontades é essencial depois de um ano tão caótico quanto 2020. (Foto: Getty Images)

"Il dolce fare niente". Se você é descendente de italianos, ou é conhecedor de sua cultura e sua língua, se deparou com essa frase em algum momento. Seu significado literal é "a doçura de não fazer nada", o que parece absolutamente absurdo em tempos de produtividade em massa.

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Desde março do ano passado, quando a bomba do coronavírus explodiu por aqui e o estado de São Paulo, assim como tantos outros estados brasileiros, decretaram a quarentena, nos deparamos com um movimento curioso: munidos apenas de janelas digitais para entender o que acontecia no mundo, percebemos uma necessidade quase patológica de ocupar o tempo antes gasto do lado de fora com outras coisas, como cursos online, experiências gastronômicas (quem lembra da febre do pão?), cuidados com plantas, um novo projeto pessoal… enfim, a falácia da "quarentena produtiva".

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Fato é que usar a produtividade como um mecanismo de culpa (para si mesmo e para os outros) em um momento tão delicado da história da humanidade é quase cruel. Enquanto tentávamos todos lidar, de formas diferentes, com o caos que se desenrolava lá fora (ainda mais para quem é brasileiro), havia a pressão online, quase sub-reptícia, para que todos fossemos mais produtivos no período de quarentena.

Ao contrário, o que o momento pedia era de cuidado: com o próprio corpo, mantendo a imunidade alta e evitando contrair um vírus ainda sem cura, quanto com a mente, que de fato espiralou em crises de ansiedade, de estresse, de burnout e, até mesmo, de depressão para muitos.

Chegado o fim do ano, a sensação era de completo cansaço e, para muita gente - alô, geração millennial! -, o principal era reaprender a descansar. Mas como se, para muitos de nós, o descanso vem necessariamente acompanhado de uma tela de celular e infinitas atualizações de uma rede social?

Por que ter um tempo de folga?

Seja um descanso de uma hora durante o dia, um dia inteiro sem mexer em telas ou qualquer coisa relacionada a trabalho, um feriado em um sítio distante, no meio do mato, ou férias propriamente ditas, buscar um momento de pausa é essencial para quebrar o ciclo de estresse que domina o cérebro quando trabalhamos demais ou buscamos ser produtivos o tempo inteiro.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o estresse crônico pode diminuir a criatividade, gerar questões relacionadas à memória e até causar debilidades físicas mais sérias, como problemas de pressão e cardíacos. Ao contrário, fazer pausas e brecar esse processo deixa o pensamento mais aguçado e melhora e aumenta a criatividade para todas as áreas da vida.

O resultado disso? Você trabalha melhor, fica mais disponível nos seus relacionamentos, têm mais energia para lidar com a família e consegue aproveitar mais a vida por mais tempo.

Mas como não fazer nada?

É quase contraditório, mas o "não fazer nada" é como uma forma pejorativa de definir o descanso. Descanso esse, aliás, que pode acontecer de muitas maneiras. Às vezes, você pode sentir vontade de passar o dia na cama, entre longas sonecas e momentos de preguiça. Outro, de dar uma volta no quarteirão, observando o movimento da rua e as árvores. Em outro ainda, descanso pode significar reorganizar o seu armário. Mas, independentemente do formato, o principal é se deixar levar por aquilo que você sente vontade de fazer.

A obrigação não tem vez aqui. Assim como o "preciso fazer mais" ou o "preciso fazer melhor". Cansado, é impossível atingir qualquer um dos dois. Outra dica preciosa é: quer seja longo ou curto, esse descanso é melhor quando acontece bem longe do celular e das redes sociais. Descansar só o corpo não significa que a mente está descansada e passar o dia no modo doomscrolling não ajuda ninguém a diminuir os níveis de estresse.

Descansar, em qualquer formato é, sim, uma questão de prioridade. E uma necessária, considerando o pico de estresse pelo qual passamos no último ano. Segundo um estudo feito no início da quarentena, em março passado, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os casos de depressão dobraram e os de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80% como resultado do isolamento social. Jogue sobre isso a pressão por dias ultraprodutivos e a salada está feita.

Se a ideia de passar um dia inteiro "sem fazer nada", ou seja, descansando, parece igualmente intimidadora para você, não tema. Existem algumas adaptações que você pode fazer para aumentar os seus níveis de descanso ao longo da semana, antes de tirar uma folga completa:

  1. Faça pequenas pausas de cinco ou dez minutos entre uma tarefa e outra no trabalho;

  2. Eleja uma noite da semana para não trabalhar;

  3. Se possível, durma por alguns minutos (o ideal é até 40 minutos, segundo estudiosos), depois do almoço;

  4. Busque fazer as refeições distante do computador e do celular.

São pequenos passos que, a longo prazo, podem re-ensinar o quanto descansar e dar pausas são importantes para os seus níveis de criatividade, memória, e até de pensamento analítico. A sua mente (agora, bem descansada), agradece.

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