Um antigo osso de vaca lança luz sobre o alfabeto eslavo

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Esta imagem de folheto divulgada pela Universidade de Masaryk em 08 de fevereiro de 2021 mostra a costela bovina quebrada com inscrição rúnica encontrada no sul da República Tcheca em 2017

Um osso de vaca coberto de inscrições do século 7 mostra que as runas germânicas eram a escrita mais antiga usada pelos antigos eslavos, anunciaram cientistas tchecos na quinta-feira (11).

Até agora, o alfabeto eslavo mais antigo era considerado o glagolítico, inventado pelo monge bizantino São Cirilo no século IX.

São Cirilo e seu irmão São Metódio chegaram em missão em 863 à antiga Grande Morávia, território que hoje corresponde à República Checa, Hungria e Eslováquia, além de partes da Alemanha, Polônia, Ucrânia e Bálcãs.

Mas a costela da vaca, encontrada no sul da República Tcheca em 2017 e examinada por uma equipe internacional de cientistas, mostra que a hipótese sobre o primeiro alfabeto estava errada.

"A equipe descobriu que é a inscrição mais antiga encontrada entre os eslavos", disse o líder da equipe Jiri Machacek, da Universidade Masaryk em Brno, em um comunicado.

A equipe fez testes genéticos e de radiocarbono para examinar o osso.

"Essas análises delicadas mostraram que o osso era de um bovino doméstico que viveu por volta de 600 DC", disse Zuzana Hofmanova, analista da Universidade de Friburgo (Suíça) e membro da equipe.

Robert Nedoma, da Universidade de Viena, identificou a inscrição como as chamadas runas antigas do futhark, usadas pelos habitantes de língua alemã da Europa central do século II ao século VII.

O antigo alfabeto Futhark tinha 24 signos. Os últimos sete aparecem na costela, segundo os pesquisadores.

“É provável que o osso tivesse originalmente todo o alfabeto rúnico. Portanto, não é uma mensagem específica, mas sim uma ferramenta pedagógica”, segundo os cientistas.

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