"Último Duelo" relembra talento de Ridley Scott para contar histórias difíceis em fantasias cheias de realidade

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Fica claro que o trabalho de Scott e do roteiro de Damon/Affleck foi um sucesso devido à esta maestria de construir uma narrativa simples dentro de uma situação tão difícil. Foto: Divulgação
Fica claro que o trabalho de Scott e do roteiro de Damon/Affleck foi um sucesso devido à esta maestria de construir uma narrativa simples dentro de uma situação tão difícil. Foto: Divulgação

Antes de falar de O Último Duelo em si, queria notar a admirável capacidade de Ridley Scott, aos 83 anos, de se manter em alto nível na profissão. O primeiro filme em quatro anos não deixa em nada a desejar às outras obras criadas ao longo da carreira, e ainda deixa evidente que sua capacidade de contar histórias complexas com uma narrativa simples e envolvente continua em dia.

O Último Duelo conta a história do derradeiro julgamento em combate que aconteceu na França nos idos de 1300. A trama é sobre um crime entre amigos e durante guerras, e o roteiro escrito por Ben Affleck e Matt Damon (o primeiro desde 1998 com O Gênio Indomável) revela visões de cada uma das partes protagonizadas por Marguerite (Jodie Comer), Jacques Le Gris (Adam Driver) e Jean de Carrouges (Damon).

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Sem entregar os detalhes, dá pra dizer que o crime em si é a essência da complexidade de O Último Duelo. No entanto, a narrativa de Scott opta por evidenciar uma verdade própria e deixar claro que o problema está nos relacionamentos e na visão de mundo que até hoje, muitas vezes, permanece a mesma. A construção de mitologia ajuda nessa atmosfera, que se pauta no tempo cinza e ambientes escuros, frios como uma cortina que esconde o rosto real daquele cenário misógino dolorosamente tão atual.

As quase três horas de filme passam rápido devido a esta capacidade, de misturar personagens e visões que poderiam soar repetidas, mas que se tornam complementares a visão principal. E mesmo que bata o pé na versão na qual acredita (evidenciando isso inclusive nos títulos dos capítulos), Scott entrega possibilidades de leitura que vão além da dele, com um terceiro ato potente e sem vergonha de mergulhar na ação bruta.

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Ao sair de O Último Duelo fica a sensação que uma história muito simples, quase maniqueísta, foi apresentada. Ao pensar nos detalhes de cada capítulo, porém, e digerir as cenas finais fica claro que o trabalho de Scott e do roteiro de Damon/Affleck foi um sucesso devido à esta maestria de construir uma narrativa simples dentro de uma situação tão difícil, com mundo envolvente, atual e doloroso.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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