Clarice Falcão vive influencer governadora em série: "Política de forma mais leve"

"Eleita" estreia no Prime Video no dia 7 de outubro (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)
"Eleita" estreia no Prime Video no dia 7 de outubro (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)

Resumo da Notícia:

  • "Eleita" estreia no Prime Vídeo para 195 países e territórios em 7 de outubro

  • A série conta a história de uma influenciadora que se elege governadora do RJ

  • Yahoo conversou com Clarice Falcão sobre a trama que quase imita a realidade

Imagina se o influenciador digital a que você assiste todos os dias nas redes sociais anuncia que vai se candidatar a governador e ganha a eleição. É assim que Clarice Falcão desenrola a história de Fefê em “Eleita”, nova série brasileira do Prime Vídeo.

Em conversa com o Yahoo, a roteirista e protagonista contou que o projeto vem se tornando cada vez mais real, mas ainda é ficção. “Começamos a escrevê-la há cerca de cinco anos, na era Temer, e queríamos falar de um futuro próximo e distópico, mas não descolado da realidade”, ressaltou.

A trama conta a história de uma influenciadora que está revoltada com o sistema político do seu estado e decide mudar a política de dentro do sistema. Eleita, Fefê percebe que a mudança não é tão simples quanto reclamar nas redes sociais e vive dilemas ao administrar a carreira na internet com o cargo chefe do Executivo do Rio de Janeiro.

Sem jogo de cintura político ou entendimento da função, ela é confrontada com problemas que agora são sua responsabilidade. “Tem uma mensagem importante. De saber de verdade em quem está votando, com responsabilidade, não como protesto, ou ódio. O pensamento tem que ser: ‘o que eu quero para a sociedade?’”, ressaltou.

A história é séria, mas o tom abarca a comédia que é marca na carreira de Clarice.

A série tem uma coisa muito legal que é olhar para a política de uma forma mais leve. No lugar da raiva, queremos falar e pensar sobre rindo um pouco. É importante para a sanidade mental”Clarice Falcão, protagonista de "Eleita"

Durante o processo de roteiro, que ela assina com Célio Porto (roteirista-chefe), Matheus Torreão, Rafael Spínola e Carolina Jabor, Clarice descobriu outros políticos pelo mundo que se elegeram a partir de suas carreiras fora do meio, como Jon Gnarr, que fundou um partido e se tornou prefeito Reykjavík, na Islândia, e Volodymyr Zelensky, que era humorista antes de ser presidente da Ucrânia, que está em guerra com a Rússia.

Esse último, inclusive, chegou a estrelar uma série no papel de um homem que, após um vídeo viral, ganhava apoio, se candidatava e se elegia presidente. Como a vida às vezes imita a arte, o ator migrou para a política e acabou no posto mais alto do país.

"Eleita" (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)
"Eleita" (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)

Mas as referências de Clarice não pararam por aí. “Também pegamos exemplos mais antigos, e próximos, como o macaco Tião, que era um chimpanzé que foi ‘eleito’ no Rio de Janeiro. As pessoas revoltadas elegeram um macaco. Em São Paulo, ‘elegeram’ um rinoceronte vereador, sabe?! Quando olhamos hoje em dia, vemos muitos Tiãos e rinocerontes eleitos. É uma mensagem importante”, destacou.

O macaco Tião recebeu pouco mais de 400 mil votos fictícios pelos cariocas e fluminenses em 1988 nas eleições para prefeito da cidade. A campanha foi encabeçada pela turma do “Casseta e Planeta” em dois jornais da cidade. No pleito real, Marcelo Alencar (PSDB) foi eleito nas urnas.

Já a rinoceronte Cacareco disputou eleições reais em 1959 pelo município de São Paulo. Atração principal do zoológico da cidade, sua candidatura foi lançada por Itaboraí Martins, no jornal “O Estado de São Paulo”, e teve aderência popular. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) considerou os votos nulos, mas estima-se que cerca de 100 mil pessoas depositaram o nome do animal nas urnas da cidade, o que seria quase 10% dos votos válidos naquele ano.

Votos dados ao rinoceronte Cacareco para a Câmara Municipal de SP em 1959 (Foto: Reprodução/Arquivo público)
Votos dados ao rinoceronte Cacareco para a Câmara Municipal de SP em 1959 (Foto: Reprodução/Arquivo público)

Aprendizados

Durante o processo de pré-produção, Clarice pôde aprofundar seu conhecimento na política do Rio de Janeiro e comemora os ganhos para vida pessoal. “Entendi muito melhor como funciona a eleição para o presidente da Assembleia Legislativa, por exemplo. As organizações que são necessárias para ganhar esse posto. Fiquei especialista em eleição para presidente da Alerj (risos)”, revelou.

Durante a série, eles também abordam o sistema de ônibus da cidade do Rio de Janeiro, que é um tema complicado até para os mais experientes e a força motriz da economia estadual. “Também [falamos] sobre petróleo, que é muito importante para o Rio de Janeiro. Como a personagem é governadora, o Estado é quase um personagem também”, completou.

"Eleita" (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)
"Eleita" (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)

Engajada politicamente desde que estreou na TV, aos 18, ela conta que o interesse pelo tema só cresceu durante a vida e se consolidou ao criar o projeto para atingir diversos públicos. “Não queríamos conversar só com quem entende, queríamos quase especialmente [conversar] com quem não se interessa tanto”, avaliou.

Eleições 2022

A série estreia no Prime Vídeo para 195 países e territórios em meio a um segundo turno presidencial polarizado e um cenário mais conservador no legislativo federal. “Muito desespero em ver a chancela dada ao governo Bolsonaro com as pessoas que ele elegeu. Por outro lado, tenho lido coisas de pessoas mais otimistas que contam que os números para eles estão bons, mas para nós melhorou um pouco”.

“A direita moderada perdeu espaço para a extrema direita. E a esquerda ganhou cadeiras. Mas é desesperador. Se o segundo turno tiver o resultado que eu espero, os próximos quatro anos serão de muita luta para aprovar qualquer coisa”, projetou. No último domingo (2), os eleitores brasileiros foram às urnas e agora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno.

"Eleita" (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)
"Eleita" (Foto: Divulgação Prime Video/Laura Campanella)

Para Clarice, crítica do governo federal, os cidadãos precisam refletir sobre os erros que trouxeram à sociedade ao atual cenário. “Temos uma parcela de culpa com o que aconteceu com Bolsonaro. O ‘CQC’ deu muita plataforma e nós assistimos, rimos e compartilhamos. Temos que pensar melhor no que fazemos porque as coisas têm saído do controle.”, ponderou.