Turistar na pandemia? A moda agora é buscar novos ares sem sair da cidade

Marcela De Mingo
·6 minuto de leitura
Blick vom "Casa Italia" (42. Stock) auf Stadt (u.a. Copan-Gebäude - vorne), Sao Paulo, Brasilien, Südamerika, Häuser, Gebäude, Reise, BB, DIG; P.-Nr.: 328/2007, 13.01.2007;  (Photo by Peter Bischoff/Getty Images)
Passar um feriado em um estúdio no Copan com vista para o centro da cidade virou tão atrativo quanto viajar para fora da cidade, em tempos de pandemia (Foto: Getty Images)

O cenário (ainda) é de pandemia de coronavírus. Viajar a turismo para o exterior está fora de cogitação. Conhecer outros estados brasileiros é uma opção, mas talvez não seja a mais indicada quando os números de casos e mortes continuam a subir. Ao mesmo tempo, passar os dias no mesmo ambiente já passou o estágio do cansativo e agora beira o raivoso - ainda mais quando as informações se desencontram e não há uma orientação clara de como agir ou do que fazer.

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Em 2020 percebemos como o descanso é importante, mas muita gente teve dificuldade de encontrá-lo quando trabalho e lazer ocupam o mesmo ambiente. Trabalhar de casa tem as suas vantagens, mas também gerou um nível de desgaste que nem mesmo saber a hora de parar de trabalhar e ter uma rotina de auto-cuidado foi o suficiente para gerar o tão desejado descanso mental. Uma ideia, então, passou a dominar os sites de hospedagem para suprir essa demanda: virar turista na própria cidade.

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Segundo Ana Luna, sócia e responsável pela área de operações da Go Guest, quando a pandemia começou, em março passado, a quantidade de cancelamentos foi gigantesca. Já conhecida no ramo, a plataforma tinha passado de um turismo de negócios e saúde, quando o assunto é a capital São Paulo, para outro perene, em que pessoas vinham à capital também por lazer, o ano inteiro. Até aí, a estada média na cidade ficava entre 3 e 4 dias. Pós-pandemia e o susto inicial, elas passaram a ser muito mais longas.

"Os motivos são diversos - e sabemos disso porque alguns hóspedes verbalizaram seus motivos na hora da busca -, eram pessoas que se divorciaram durante a pandemia ou que são do grupo de risco ou trabalham diretamente na área da saúde e precisavam de um lugar mais seguro para ficar", explica.

O tédio também gerou buscas: pessoas que se viram absolutamente sem ideia do que fazer ou de como aproveitar a própria casa, e perceberam a necessidade de mudar de ares, mesmo que fosse dentro do próprio bairro. Uma informação interessante, segundo Ana Luna, é que condomínios mais bem estruturados, com piscina, parquinho, coworkings e quadras valorizam muito, principalmente por conta da demanda de famílias com crianças, que se viram desesperadas em ter que manter os pequenos em casa o dia inteiro.

Viagem aos prédios icônicos de SP

O Copan é tão marcante no cenário paulistano, que só seu nome já tem um peso gigante. Desenvolvido pelo icônico Oscar Niemeyer e inaugurado em 1966, esse prédio de 35 andares é um ponto histórico da cidade - e virou refúgio de fim de semana na pandemia. Oferecendo estúdios modernos e práticos até apartamentos gigantescos, com jacuzzi e uma vista deslumbrante da cidade, o prédio se viu como o destino de muita gente que buscava uma mudança de ares, sem necessariamente correr o risco de pegar um avião ou mudar de estado.

Fernanda Meirelles é jornalista e contou nos Stories do Instagram sobre a experiência de passar algumas noites em dois apartamentos diferentes do Copan. "Eu já tinha visto alguns amigos ficando por lá, e eu queria muito fazer isso em algum momento", explica. A oportunidade veio como uma forma de celebrar o casamento, cuja festa aconteceria em outubro do ano passado, mas foi cancelada devido às circunstâncias. Os dois acabaram assinando os papéis no civil, com uma celebração intimista para familiares e amigos muito próximos.

"Eu queria muito ter um momento de exploração, de viagem. Eu falava que era uma 'mini-proposta de lua de mel in house'. E uni o útil ao agradável - achei que poderia ser um momento legal de ir ao Copan, ficar um pouco lá e descolar do nosso dia a dia de São Paulo para viver a cidade de um jeito diferente", conta.

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Na dúvida entre quais apartamentos visitar durante o feriado de lua de mel, Fernanda e o marido, Renan, decidiram ter duas experiências em uma só: alguns dias em um dos apês badalados do prédio e outros dias num segundo, fazendo o check-out de um direto para fazer o check-in no outro.

"Foi muito legal mesmo, eu tinha muita vontade de entrar em algum apartamento do Copan um dia, visitar o mirante, tinha vontade de ter essa experiência, de viver aquela região do centro, mesmo que por pouco tempo, mas um pouco mais intensamente. Eu sabia que tinha muita coisa legal para conhecer, entender e explorar. Apesar de frequentar bastante a região, eu nunca tinha parado para entender o prédio e descobrir as possibilidades em volta, sorveterias, galerias, e outros prédios e construções muito lindas que têm ali", continua.

Para ela, o objetivo era tanto explorar e conhecer quanto sentir a experiência de estar no centro e ver a perspectiva da cidade a partir dali. Tanto que ela nem hesita ao pensar em repetir a dose. "Eu, de fato, me senti viajando. Foi uma mudança de ares familiar e muito diferente ao mesmo tempo, porque eu me senti em outro lugar. Foi uma baita experiência, de não querer voltar, de me sentir voltando de viagem, de querer ficar por lá mais tempo", continua.

Para ela, o período também ajudou: ainda em outubro, quando a situação da pandemia parecia mais controlada em SP e a fase de reabertura já seguia em curso, ela conta que se sentia segura o suficiente para esse deslocamento não ser encarado como uma questão complexa.

"Viajar, que foi o que a gente fez, de certa forma, refresca muito o nosso espírito, a nossa energia, o ânimo, o humor. Eu me senti muito numa experiência fresca, de frescor, que me tirou da minha rotina dentro de São Paulo", diz.

Seja um apartamento incrível em um prédio histórico no centro da cidade ou um condomínio com piscina e quadra para as crianças, uma coisa é certa: o aluguel de imóveis nunca mais será o mesmo após a pandemia de coronavírus. Por quê? Simples, a exigência pela estrutura compatível com o home office agora é obrigatória.

"Teve um aumento de buscas por lugares com estrutura de trabalho", diz Ana Luna. "As pessoas tiveram que reforçar o nível da internet nos apartamentos, todos os proprietários aumentaram os pacotes. Era uma demanda exigida. Tiveram proprietários que investiram em cadeira de home-office, mesas confortáveis e aceitaram essas sugestões."

A boa notícia é que, mesmo que seja para um descanso de alguns dias ou para ter o sossego necessário para se concentrar em uma grande entrega de trabalho, ter um lugar fixo não parece mais obrigatório e, porque não, é possível explorar sua terra natal e virar turista sem nem sair da cidade para encontrar o descanso e o frescor que você tanto precisa.

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