Turismo de Wellness: você vai querer fazer uma viagem de bem-estar nas férias

Entenda o que é o turismo de bem-estar (Foto: Getty Creative)


Wellness é a palavra do momento. Muito se fala sobre bem-estar e a necessidade de cuidarmos mais de nós mesmos - e existem muitas formas de fazer isso, claro. Tanto que o turismo de wellness, ou turismo de bem-estar, é uma tendência crescente.

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Se você não sabe o que é, não tem problema, a gente explica: é a junção de duas das maiores indústrias em crescimento hoje em dia, o turismo e o bem-estar. Segundo o Global Wellness Institute, esses programas englobam viagens que combinam o cuidado consigo com o conhecer lugares novos, sendo uma extensão do autocuidado fora de casa. Basicamente, é uma viagem com o objetivo de manter ou aumentar o bem-estar de uma pessoa.

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"O mundo contemporâneo veio de uma era de desintegralização muito forte. Mas, agora, essa noção está acabando. Podemos dizer que as pessoas estão buscando cada vez mais uma regeneração por meio das relações – sejam com os outros, com o mundo, com a natureza e, principalmente, com si mesmas", explica Agatha Abrahao, sócia do Coletivo BASE, uma curadoria de encontros que nasceu com o propósito de conectar pessoas de forma leve e transformadora.

Segundo ela, uma viagem carrega o potencial de transformar as pessoas pelo poder da presença. "Ao nos depararmos com novas culturas, novas pessoas e novos lugares, nos tornamos mais presentes e ampliamos a nossa consciência e a nossa conexão com o mundo. Uma viagem de bem-estar utiliza essa potência da presença e alia isso a ferramentas de desenvolvimento humano e integralidade".

Agatha explica que o turismo de bem-estar consiste em reencontrar-se, em reconectar-se consigo, com os outros e com a natureza, cuidando da saúde forma integral. Muitas delas aliam atividades físicas, exercícios de reflexão, alimentação consciente e momentos de conexão, sem necessariamente entrar em rituais ou dogmas religiosos. "O objetivo primordial é encontrar o nosso próprio equilíbrio a partir do autoconhecimento".

O turismo de wellness visa manter ou aumentar o bem-estar individual. (Foto: Getty Creative)

Turismo de bem-estar não é turismo médico

Existe uma confusão sobre o objetivo real dessas viagens - e que elas, talvez, sejam reservadas apenas para pessoas privilegiadas, que passam alguns dias do ano em um spa em lugares paradisíacos ou praticando ioga na Tailândia. Por mais que isso possa, sim, acontecer, existem alguns pontos a serem entendidos.

1. Turismo médico tem a ver com recuperação física

Também segundo o Global Wellness Institute, o turismo médico ajuda o paciente a se recuperar fisicamente de algum ferimento grave ou doença. Você viaja com o objetivo de receber algum tipo de tratamento médico especializado - e as atividades são sempre acompanhadas de perto por um médico.

Já no turismo de wellness, os objetivos primordiais são prevenção e manutenção. Você viaja para algum lugar para cuidar do seu bem-estar físico e mental, sem necessariamente ter alguma condição física a ser tratada. É como escolher passar alguns dias no interior e topar fazer caminhadas, trilhas ou uma aula de ioga ao ar livre.

2. É uma questão de autoconhecimento

"Essas viagens provocam um profundo autoconhecimento. Fica mais fácil entender como manejar o próprio estresse, quais são nossos gatilhos emocionais, como criar novos hábitos alimentares", explica Agatha. "O importante é ampliar a consciência e aproveitar a oportunidade para entrar em contato consigo, com amor e respeito".

Para ela, cada pessoa tem o seu tempo - e isso precisa ser respeitado. O suco verde, por exemplo, pode não funcionar para todo mundo, e uma aula de ioga pode deixar alguém mais angustiado do que relaxado. Por isso, colocar o seu bem-estar como norte e buscar atividades que ajudem você com isso é uma forma de respeitar esse timing pessoal.

3. É também um espaço de descompressão

Uma viagem de bem-estar serve como uma caixa de ferramentas para lidar com questões como depressão e ansiedade, mas isso não significa que é a resposta para elas. "Por ser um espaço de descompressão muito forte, ficamos mais atentos e presentes para escutar nosso corpo, nossa mente e espírito. É um processo no qual precisamos ser extremamente autorresponsáveis", continua Agatha.

4. Existe mais de um tipo de viajante de bem-estar

É verdade que existem turistas que escolhem viajar porque podem passar uma semana em um spa na Suécia. Porém, esse não é o único motivo pelo qual essas viagens acontecem. Existem dois tipos de turistas de wellness:

  • Turista de Wellness primário: são pessoas que decidem viajar com o objetivo de cuidarem do seu bem-estar (como ir para um spa ou retiro de meditação);

  • Turista de Wellness secundário: um viajante que procura manter o bem-estar viajando ou que participa de algumas atividades relacionadas ao bem-estar enquanto está viajando.

E esses tipos se cruzam com frequência. Tanto os dois viajantes se misturam como é possível que, em algum momento, um turista secundário escolha fazer uma viagem de bem-estar primária.

5. O importante é a manutenção

"Essas viagens estimulam um exercício diário de reconexão, presença, equilíbrio, escolhas conscientes, manejo do estresse e atenção", continua Agatha. "Por exemplo, durante esse período da viagem, você pôde comprovar que uma hora de caminhada diária melhora a sua disposição, que comer fibras pela manhã ajuda a regularizar o seu intestino e que, para a sua surpresa, se relacionar com pessoas novas é um desafio".

Ela explica, porém, que no dia a dia, a realidade tem outro ritmo, que pode nos manter desconectados. Na correria da rotina, talvez andar uma hora por dia não seja possível, nem mesmo aplicar tudo o que você descobriu que faz bem durante a viagem.

Entra aí a importância de saber como adaptar a sua rotina para que ela inclua também práticas de bem-estar. Se você não pode caminhar todos os dias, que tal uma ou duas vezes na semana? Se não consegue comer fibras todo café da manhã, por que não levar uma marmita saudável para a hora do almoço?

"Lidar com a vida real também é um exercício de integralidade e, para que ele aconteça, é fundamental estar atento e presente, nos conectando diariamente conosco - e talvez seja essa a maior e melhor prática que uma viagem de bem-estar possa trazer para o nosso dia a dia", diz.