Tudo que você precisa saber sobre receitas com leite materno

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Por Gabriela Kimura

A amamentação exclusiva até os seis meses de idade é fundamental e está na lista de recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). O aleitamento traz muitos benefícios para o desenvolvimento do bebê, bem como para a própria mãe.

O que também pode ser feito são variações de comidas utilizando o leite materno como ingrediente principal. “Utilizar o leite em receitas é seguro, se forem respeitados os cuidados de higiene desde a retirada até a oferta”, afirma a nutricionista do Hospital e Maternidade São Cristóvão de São Paulo, Cyntia Bassi. “Porém, devemos lembrar que até os seis meses de idade a criança deve ser amamentada exclusivamente. A partir daí, aos poucos, novos alimentos vão sendo introduzidos e, em geral aos oito meses, já é possível oferecer as receitas”, explica.

Seguindo a recomendação da OMS, entre 9 e 24 meses devem ser oferecidas entre três e quatro refeições complementares para além do leite, ainda que você possa também usá-lo para fazer papas salgadas e purês. Mas a especialista faz um alerta: “Devemos concentrar a oferta desse nutriente fora do almoço e jantar, para que o cálcio não atrapalhe a absorção de ferro. Além disso, não devemos deixar de ofertar o leite materno puro e, por isso, utilizar, esporadicamente ou uma vez ao dia, algum alimento acrescido do leite materno é suficiente.

Para preservar os nutrientes – e não só do leite, mas como de muitos alimentos -, é melhor consumí-lo in natura. “Alguns como vitamina C e do complexo B são termolábeis, ou seja, se decompõem no aquecimento. Para reduzir essa perda, a melhor maneira é aquecer o leite em banho-maria, evitando, assim, sua exposição direta ao calor e pelo menor tempo possível”, ensina Cyntia.

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Colostro, transição e maduro

O leite materno conta com, na verdade, três formas ao longo do período da amamentação. Nos primeiros dias de vida é o colostro que alimenta o bebê. “Tem alta concentração de proteínas e baixa quantidade de carboidratos e gordura, é um importante agregador de fatores imunológicos para o bebê”, pontua a nutricionista.

Já o leite de transição, de acordo com Cyntia, é aquele que sofre alterações graduais entre o colostro e o leite maduro, ganhando maior quantidade de gordura e carboidrato, ao passo que reduz a concentração de proteína.

É, então, ao final do primeiro mês de vida da criança que surge o chamado leite maduro, quando o sistema gástrico do bebê está mais desenvolvido.”Ele é mais aguado no início para saciar a sede do bebê e depois fica mais denso com gordura, calorias e nutrientes”, define. E é esse o leite que pode ser utilizado em receitas.

Se quiser testar uma receita em casa, a nutricionista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Cyntia Bassi, sugere esta papinha, fácil de preparar:

Papinha de pera com Leite Materno

Ingredientes
1 pera
1 ou 2 colheres de sopa de leite materno
1 colher de sopa rasa de farinha de aveia
Modo de preparo
Pique a pera sem a casca e coloque em uma panela com duas colheres de sopa de água.
Após fervura, abaixe o fogo e deixe por aproximadamente 5 minutos;
Acrescente a aveia e deixe cozinhar até engrossar bem (se necessário acrescente mais água).
Amasse a mistura obtida ou bata com o mixer.
Ao final, misturar o leite materno e servir.

Rendimento: 1 porção

É importante lembrar que o (a) pediatra responsável sempre deve ser consultado antes de fazer alterações na alimentação infantil.