Trombonista Raul de Souza, um dos maiores do mundo, morre aos 86 anos

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 13.08.2013: Retrato do musico Raul de Souza em seu apartamento do bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 13.08.2013: Retrato do musico Raul de Souza em seu apartamento do bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O trombonista Raul de Souza morreu aos 86 anos em decorrência de um câncer na noite deste domingo (13). O anúncio foi feito pela família do músico em suas redes sociais. Ele estava na França.

Nascido João José Pereira de Souza, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 23 de agosto de 1934, Souza era um influente nome da música brasileira, em especial do jazz -ele era tido como um dos maiores trombonistas do estilo no mundo.

Em 1969, o músico radicou-se na Califórnia, onde conviveu com diversas lendas do jazz americano -gente do calibre de Sonny Rollins e George Duke.

Uma matéria publicada na Folha de S.Paulo em 2013 conta que a trajetória do músico começou nos anos 1950, quando, ainda moleque, ficou "hipnotizado" com uma música de Louis Armstrong que ouviu pelo rádio.

O trombone velho que ganhou de um amigo lhe abriu um novo mundo. Autodidata, Raul era rejeitado pelos grupos regionais e nas gafieiras por ser estilo intuitivo.

"Eu não conseguia tocar 'Parabéns a Você' sem improvisar. Os caras odiavam, falavam 'não chama o Raul, não, que ele atravessa tudo'", disse ao jornal à época.

Em 1963, um amigo avisou que precisavam de um trombonista para gravar um disco. Era "Você Ainda Não Ouviu Nada!", de Sergio Mendes.

Apesar de Mendes ter feito carreira nos EUA com o disco, que apresentou como se fosse uma obra só sua, o trabalho também rendeu prestígio a Souza. Varou noites tocando com Altamiro Carrilho (1924-2012) e João Donato no mítico Beco das Garrafas, gravou com Baden Powell e fez arranjos para Roberto Carlos.

Nos EUA, gravou "Colors" (1974) pela Milestones Records, e o aclamado "Sweet Lucy" (1977) pela Capitol.

A técnica, afiada no chorinho, no samba e no que mais aparecesse, garantiu um diferencial entre os jazzistas que ele chama de "meus mestres". "Mas eu achava pouco, e inventei o 'souzabone'", disse, sobre o trombone adaptado com quatro pistões (um normal tem três), que só ele toca.

Desde os anos 1980, gravou com grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento e Maria Bethânia.

O colunista da Folha Ruy Castro dedicou linhas de diversas colunas ao músico, de quem era amigo e a quem chamou de "'ás do samba-jazz". "Raul tem até o título de um livro que gostaria de publicar sobre sua vida: 'De Bangu a Hollywood'", escreveu, em 2017, em um texto que também falava sobre o complexo penitenciário de Bangu.

O músico havia acabado de lançar o álbum "Plenitude" com a Raul de Souza Generations Band.

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