Três regras de ouro para 'mitar' no Cartola FC

Atropelando adversários inferiores e vencendo até os jogos mais equilibrados, o Flamengo de 2019 é um exemplo claro de time que precisa ser considerado em todas as rodadas (Buda Mendes/Getty Images)

Por Caíque Toledo (@caiquetoledo)

Olá! Seja bem-vindo ao blog da Universidade do Cartola aqui no Yahoo, um espaço para falarmos tudo sobre o Cartola FC, o fantasy game que reúne milhões de jogadores por todo país. Ao longo das próximas rodadas, vamos conversar sobre como o jogo funciona, discutir ideias para melhorar o seu rendimento e te ajudar a mitar em suas ligas.

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Basicamente, existem duas maneiras pelas quais nós podemos te ajudar a melhorar sua pontuação no Cartola: a primeira é te dar um time pronto, para você simplesmente copiar. Ela é prática, mas está longe de ser divertida. A segunda maneira, a que preferimos, é te passar os fundamentos para obter maiores pontuações no jogo, que fomos desenvolvendo ao longo de mais de uma década de experiência e bons resultados.

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Dessa forma, você pode escalar o seu time do seu jeito, mas com uma “ajudinha” de quem já joga há mais tempo. Ao contrário do que muitos pensam, Cartola não é um jogo de pura sorte. Existem técnicas para a escolha dos jogadores que, se forem aplicadas, farão com que sua pontuação aumente de forma substancial com o passar das rodadas.

Essas técnicas podem ser resumidas no que chamamos regras de ouro básicas para se dar bem no Cartola. À primeira vista você pode até achar que são coisas óbvias, mas, acredite: você já cometeu todos esses erros com alguma frequência.

Regra de ouro #1
Os melhores times ganham dos piores

Por mais óbvia que seja essa regra, em algum momento da sua disputa no Cartola você deixou isso de lado. Seja por clubismo, superstição, dados infundados ou vontade de fugir do senso comum, é bem possível que você já tenha apostado em jogadores de equipes que são claramente inferiores ao adversário. E, portanto, perdeu pontos que, a longo prazo, podem fazer toda diferença.

Geralmente essas aposta são marcadas por um extremo impulso e um estado de êxtase pré-rodada (com aquela expectativa da zebra ganhar e você mitar sozinho, deixando todos para trás) e, na maioria das vezes, por uma profunda frustração pós-rodada (quando o melhor time ganha, conforme o esperado, e você leva ferro – normalmente sozinho, enquanto todos seguiram o plano normalmente).

Por esse motivo, não invente moda: procure sempre apostar nos jogadores dos melhores times.

Em péssima fase no Brasileiro, o Cruzeiro é o único time que ainda não venceu como visitante. Fora de casa, tem sido uma presa mais fácil (Fernando Moreno/AGIF)

Regra de Ouro #2
Os mandantes ganham dos visitantes

Essa também é uma regra intuitiva e, no Brasil, corroborada pelos dados. No entanto, atentar-se a esse fato também é algo fundamental para se jogar Cartola. Se liga no gráfico a seguir, que mostra desempenho dos times do Campeonato Brasileiro desde 2006, quando passou a se jogado por 20 equipes, de acordo com o mando de campo.

Histórico dos resultados de 2006 a 2018 no Brasileirão (Caíque Toledo)

Em média, 50% dos jogos do campeonato são vencidos pelos donos da casa, 27% terminam empatados e apenas 23% são vencidos pelos visitantes. A pouca variação em torno da média ao longo dessas últimas 13 temporadas nos permite identificar a existência de um padrão. Ou seja: esse fator é importante e deve ser considerado na hora de montar seu time.

Às vezes, só pelo renome, o cartoleiro tende a apostar em um time considerado grande fora de casa contra um considerado menor, mesmo que não haja esse favoritismo. De maneira geral e tirando casos específicos, isso tende a não dar certo.

Reinaldo pode não ser badalado como Dani Alves, Rafinha ou Filipe Luís, mas no Cartola é dono de uma média melhor que esses craques (Thiago Ribeiro/AGIF)

Regra de Ouro #3
Existem jogadores melhores para o campo e melhores para o fantasy

As três regras anteriores falaram de times, mas, evidentemente, Cartola é um jogo no qual você escala atletas. E um fator muito importante a ser considerado é que os melhores jogadores do campeonato não são, necessariamente, os melhores jogadores para o Cartola.

Um exemplo: nas laterais, temos jogadores renomados como Daniel Alves, Filipe Luís, Rafinha, Fagner e Marcos Rocha no campeonato. A média de ponto desses jogadores, entretanto, é inferior à dos menos badalados Reinaldo e Nino Paraíba. Se você acha que, em campo, o nível técnico do atleta é o mais importante, na hora de escalar seu time isso faz pouca diferença.

Em suma, bons jogadores de Cartola fazem gol, dão assistências ou roubam bolas, ao mesmo tempo que não perdem pontos bobos com faltas, cartões e passes errados. Então, entre vários exemplos, atletas exaltados em campo não são boas escalações em qualquer ocasião.

É fácil ver isso ao escalar volantes: Felipe Melo é um excelente marcador, Maicon dá passes como poucos e Tchê Tchê mostra uma intensidade incrível, mas nenhum deles é exímio roubador de bolas. Ou seja, possuem médias fracas e não serão considerados em nossos times. Por outro lado, Rodrigo Lindoso tem uma média alta de roubadas, além de contribuir ofensivamente em algumas oportunidades. Já Léo Sena, do Goiás, apesar de pontuações irregulares já se mostrou um dos principais ladrões de bola do campeonato.

Isso é papo até para uma postagem solo depois, mas, então, fica a dica clara: um dos primeiros passos e com certeza uma regra de ouro do Cartola é saber diferenciar o esporte futebol e o esporte fantasy game. Cartola é diferente de bola.

Síntese das Regras de Ouro: a Frase de Ouro

Se você perceber, essas regras são complementares e podem ser sintetizadas em uma única frase: "Escale os jogadores mais 'cartoleiros', dos melhores times e que joguem em casa.”

Caso existisse alguma frase de Cartola que merecesse ser tatuada no seu braço (spoiler: não existe), provavelmente seria essa. Por mais óbvio que pode parecer, todos nós já perdemos muitos pontos por isso.

O fato é que, mesmo com toda a complexidade inerente a um fantasy game de futebol, se você escalar seu time seguindo as regras contidas nessa frase, no longo prazo, sua pontuação no Cartola será forte e consistente na maioria dos casos. Seguir a receita da segurança e de vez em quando fazer uma aposta ou outra, desde que com consciência e com motivos, é a melhor maneira de se dar bem.

Experiência própria.

* Caíque Toledo é jornalista, trabalha diretamente com futebol desde 2015 e joga Cartola desde 2006, ficando duas vezes no Top100 e com melhor desempenho em 23º na liga nacional em 2013. Faz parte do projeto da Universidade do Cartola, o @universidadedocartola no Instagram.

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