Três meses após tragédia, viúva de Boechat vira colunista da Band: 'Preciso ficar de pé'

Veruska volta ao trabalho e fala sobre luto (Foto: Reprodução/Instagram@doceveruska)

Viúva do jornalista Ricardo Boechat, Veruska vai recomeçar a sua vida profissional nesta segunda-feira (27). A morena será colunista do ‘Aqui na Band’, comandado por Silvia Poppovic e Ernesto Lacombe nas manhãs da emissora do Morumbi, em São Paulo.

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A jornalista conta que está animada para a estreia e afirma que o convite veio para ajudar a superar a dor que sente pela perda do marido, que morreu em um acidente de helicóptero no início do ano.

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No programa, ela ouvirá e ajudará a contar histórias de famílias em que as mulheres atuam como figuras principais ou únicas. O quadro terá o nome de “Doce Veruska”, apelido dado pelo próprio Boechat à mulher.

Embora esteja animada com a oportunidade, a jornalista conta que é difícil pisar nos estúdios da Band sem pensar que Ricardo poderia estar lá.

“Pedi para não usar o camarim do meu marido. Tenho muita vontade de chorar”, diz ela, que costumava levar as filhas para encontrar o pai nos bastidores da emissora. Sem querer demonstrar fraqueza, ela tem se esforçado para não chorar quando as meninas estão presentes.

Minha dor é horrível, mas a dor que sinto vendo a dor delas é pior. Se eu desabar, o que vai sobrar para elas? Eu sobrei, então preciso me manter de pé para elas verem que é possível recomeçar”, afirma a profissional.

Todos os dias, Veruska chora ao deixar as filhas na escola. Ela diz que extravasa dentro do carro porque entende ser importante viver o luto. “Dizem que se você não passar por essa fase, depois a conta chega”, afirma ela, ao confessar que ficava muito irritada ao ser chamada de “forte” logo após a morte do parceiro.

“Sempre disseram isso de mim e eu aceitava com alegria, mas logo que meu marido morreu comecei a ficar com raiva. Queria deitar, gritar, chorar, não queria ser forte. Com o passar do tempo, vi que não tinha outra opção”, admite.

De agora em diante, a jornalista se esforça para falar apenas coisas boas e diz que faz questão de mostrar para as filhas o quanto Ricardo Boechat era um pai presente. Para amenizar a dor das meninas, ela explica que muitas crianças são “órfãs de pais vivos” e, no caso delas, ainda existe o privilégio de terem convivido com um pai tão participativo mesmo que por pouco tempo.

Na escola, as filhas do casal têm recebido atenção especial para superar a perda. Será nestes momentos, inclusive, que a jornalista gravará o programa da Band para se distrair e se sentir viva de novo.

“Era difícil ficar em casa neste horário porque sempre almoçava com meu marido. Desde que ele se foi fico pensando no que ia me dizer se estivesse aqui. Às vezes, ele aproveitava esse momento para falar do trabalho ou que eu deveria pegar mais leve com as meninas porque sempre fui uma mãe rígida”, relembra, aos risos.

O retorno ao trabalho

Foto: Kelly Fuzaro/Band

Longe do mercado há 13 anos, Veruska acredita que Ricardo Boechat ficaria feliz em vê-la na televisão nesta nova fase. Segundo a jornalista, a decisão de largar o trabalho para cuidar da casa e das crianças partiu dela, mas o desejo de voltar para a redação era presente no seu dia a dia e em conversas com o parceiro.

“Cobrava muito dele para saber os bastidores das reportagens. Ele nunca me impediu de voltar, mas a rotina era puxada e se tivesse um emprego normal não ia conseguir conciliar. É aquela coisa que toda mulher passa. Ou você abre mão da profissão ou abre mão de ficar com os filhos, mesmo que não seja integralmente”, explica.

A viúva não se arrepende da decisão tomada no passado e acredita que tudo acontece no momento certo. Embora o marido entendesse e fosse grato, Veruska admite que puxava a orelha dele quando algum comentário inconveniente sobre o assunto era feito.

“Como diz a minha psicóloga, marido é como filho. Você tem que falar as mesmas coisas todos os dias. Quando ele falava que eu não trabalhava, ficava chateada e me posicionava”, diz ela, que não deixava barato.

“Eu mostrava que também tinha trabalho em casa. Ajudei meu marido a crescer. Além de cuidar das meninas, ligava na rádio para avisar quando ele errava, ficava pronta e escovada para acompanhar nos eventos. As mulheres têm que se posicionar para serem valorizadas”, aconselha.

A vida pública

Desde o dia em que Boechat morreu, Veruska tem recebido mensagens de carinho nas redes sociais e afirma que todos os comentários ajudaram muito nesta fase difícil. Ela conta que não é xingada na internet, como muitas pessoas são, e diz que se surpreendeu com a empatia dos brasileiros.

“Não era conhecida, somente ele. E agora por onde vou sou abraçada. Acho que nem o meu marido acreditaria que isso está acontecendo. Ele era muito criticado e cobrado pelos comentários que fazia. Quando falava mal do PT, era chamado de bolsominion. Quando falava algo do Bolsonaro, o chamavam de fascista. Em todo lugar apontavam o dedo”, recorda a viúva.

Nos últimos três meses, Veruska tem agido diferente em várias situações e diz que Ricardo Boechat deixou uma lição para ela e seus familiares. “Agora, não ligo muito para bobagens e sempre faço questão de me despedir das pessoas como se fosse a última vez. Afinal, a gente nunca sabe quando vai ser”, garante.