Absorventes ecológicos: pano, calcinha ecológica ou copinho? Testamos e contamos

Menstruação tem sido um tabu desde que o patriarcado ancorou nesse sistema em que vivemos. Falar que sangramos todo mês causa nojo em alguns, repulsa em outros. Mas a fase mais polêmica dos ciclos femininos merece atenção e olhar gentil. Quando olhamos para esta fase, por exemplo, podemos perceber o quanto ela pode estar envolvida em um consumo que faz mal tanto para o nosso corpo, quanto para o planeta: o uso de absorventes convencionais, compostos por diversos ingredientes, entre plástico e componentes químicos.

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O absorvente comum: um vilão mensal

Estima-se que a mulher faz uso de cerca de dez mil absorventes convencionais da puberdade até a menopausa. Como no Brasil não existe reciclagem para esse tipo de resíduo, esses absorventes acabam indo parar aterros sanitários. A boa notícia é que já temos algumas boas alternativas.  Quando fazemos substituições conscientes, além de impactar no meio ambiente, também colaboramos com a nossa saúde: deixamos de passar dias colocando nosso corpo em contato com um produto sintético cheio de químicas - e deixamos o ciclo acontecer de maneira orgânica.

Para quem usa os absorventes internos, um alerta: “Existem vários casos comprovados de Síndrome do Choque Tóxico causada pelo uso de absorventes internos. A Síndrome do Choque Tóxico é uma reação  que ocorre a partir de Stafilococcos, uma bactéria muito comum presente na flora natural de nosso organismo, mas que em determinadas circunstâncias produz uma toxina que causa um mal estar grande e repentino (dor, tontura, febre, vômitos, queda de pressão). Estudos correlacionam essa questão ao uso dos absorventes internos por conterem o Rayon,  que permite seu uso de forma prolongada e causa toxidade”, afirma a ginecologista Bel Saide em seu blog Ginecologia Natural.

Testei: absorvente de pano, calcinha menstrual e coletor

Nos últimos seis anos - já não uso absorventes convencionais. Nesta jornada, experimentei todas as alternativas presentes. Abaixo, conto um pouco de cada uma delas.

Absorvente de pano

Absorvente de pano

Antigamente, nossas avós usavam pequenas toalhinhas dobradas. A solução foi retomada e, hoje, temos absorventes de pano em formato anatômicos com tecidos coloridos e reforçados. Vantagem: são simples de usar e tem preço acessível. A apresentadora Bela Gil é uma entusiasta e, inclusive, chegou a lançar um collab com a marca Morada da Floresta. Desafio: eles podem ser usados no dia a dia no esquema sujou-lavou, feito uma peça íntima. Muitas artesãs empreendedoras tem investido no tema. Vale procurar por modelos mais modernos e tamanhos compatíveis com a intensidade do fluxo.

Calcinhas ecológicas

Calcinha menstrual parceria Pantys e Farm

Com inovação desenvolvida e já fabricada por diversas marcas nacionais, as calcinhas menstruais são uma febre à parte: com tecido tecnológico, são ainda mais reforçadas e surgem como uma versão moderna da solução ancestral das nossas avós. Marcas nacionais capitaneadas por mulheres tem investido em design e inovação, como a Pantys, que recentemente criou versões fashionistas com a Farm, e a HerSelf. Ambas tem diversas variações de modelos e tamanhos. De todas as opções, a melhor para o dia a dia, na minha opinião.

Coletor de silicone

Coletor menstrual

Ganhei meu primeiro coletor menstrual em 2011, durante uma reportagem sobre práticas alternativas de saúde feminina. Foram dois anos guardados na gaveta até ser instigada a usar após ler algumas reportagens sobre movimentos  como o sagrado feminino. Depois de começar, fica muito simples.

O coletor é um copinho feito de silicone cirúrgico. Neste caso, a mulher introduz internamente e, a cada tempo, esvazia, lava e insere de novo. A recomendação é usar um copinho por, em média, cinco anos. Na hora da compra pode parecer mais caro, mas se olharmos o quando ele dura, vale muito à pena até pensando no bolso.

O que mais gosto nesta alternativa é que ela permite a auto-observação. A cada vez que vamos esvaziar o copinho, podemos observar a cor, quantidade e cheiro do sangue. São informações importantes para o auto-conhecimento dos nossos ciclos e até mesmo para conversar com nossos médicos.

Qual a opção é a melhor? Em seis anos deixando os absorventes de lado (imaginem o quanto de plástico evitei de colocar no mundo) usei as três alternativas. Hoje, o que faço, é justamente alternar de acordo com a realidade, estado de espírito e praticidades. Regra: absorvente convencional de plástico jamais.