Trem-Bala mira em Top Gun e John Wick e acerta em Deadpool e Looney Tunes

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Brad Pitt, ao centro, de verde, e o resto do elenco de
Brad Pitt, ao centro, de verde, e o resto do elenco de "Trem-Bala", na Califórnia, dia 1° de agosto de 2022 (Foto: REUTERS/David Swanson)

Vamos direto ao ponto: nem o elenco de "Trem-Bala", estrelado e capitaneado por Brad Pitt, salva o novo filme de David Leitch da vala genérica que os blockbusters de ação caíram nos últimos anos. A diversão descerebrada que o diretor emplacou nos dois "Deadpool" chega aqui em patamares astronômicos, mas toda essa grandeza se perde como uma piada forçada por quase duas horas - é quase impossível não rir com algumas situações, se impressionar com algumas sequências, é fato, mas nada te fará sair da sala com uma lembrança duradoura.

De certa forma, Trem-Bala tenta misturar dois elementos em evidência no cinema atual: um astro old-school que, em teoria, arrasta multidões e a estética glamourizada e estilosa da ação a lá John Wick, franquia que levou Leitch ao estrelato em Hollywood.

O primeiro ingrediente funciona. Pitt abraça a aura zen e debochada do protagonista que ataca (ou mata) com algum remorso e muita ginga todos os inimigos caricatos que aparecem. Por outro lado, as sequências orquestradas de Wick dão espaço para uma ação no estilo Looney Tunes, com objetos jogados na cara dos outros e piadas insistentes entre um ataque e outro. Nem o carisma de um elenco bem escolhido consegue salvar tais sequências do cansaço.

Fato é que a presença de Brad Pitt enquanto protagonista não consegue tirar a impressão de um exercício estético vazio em Trem Bala, diferente de tudo que vimos em Top Gun: Maverick, por exemplo. No longa estrelado por Tom Cruise, o protagonista é instrumento da história, mas nunca deixa de ser o vetor da mensagem e da estética, já que ele é a representação máxima do que o roteiro tenta explorar: a superação, a glória, a emoção, a testosterona. Pitt emula uma falsa molecagem que Trem-Bala tenta transmitir, como se fosse estiloso e bem resolvido demais para se importar em explicar sua história ou organizar a ação dentro de um quadro em movimento no meio de um Japão cheio de animes e neons.

Uma pena, porém, que quase sem perceber a história se explica inúmeras vezes para que haja possibilidade do espectador sair da sala sem as respostas que ele quer dar. Não há espaço para que a ação respire, muito menos a interação entre os personagens. Tudo é ditado e telegrafado mais de uma vez, das soluções da história até os flashbacks que encenam motivações. Leitch não se dá nem o trabalho de, nesses vai e vem do roteiro, dar tempo para que a ação e a comédia tomem conta da jornada - é mais importante falar, parar, mostrar como sagaz é todo mundo dentro do trem.

Infelizmente, na união de receitas que Trem-Bala tenta apresentar, há pouco para se aproveitar. Nem tudo é perdido, claro. Os irmãos vividos por Taylor Johnson e Brian Tree se salvam, mesmo que sejam macetados pelo roteiro na obrigação de serem engraçados e irônicos o tempo todo. Pitt, porém, se presta ao papel de ser um simples fio condutor numa história que tem pouco valor.

Trem Bala está mais para uma mistura genérica de Deadpool e John Wick, e ainda que o protagonista tenha pitadas de humor de um e a habilidade com armas de outro, ele fica no meio do caminho em ambas as tentativas. E é aí que fica mais evidente como Maverick foi um em um milhão, pois nem todo mundo se entende como motor de uma história, gênero e espetáculo como Tom Cruise.

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