"Travessia": um dia de Chiara; como é ser dublê de Jade Picon?

Lai Nascimento revela como é substituir a ex-BBB nas cenas de ação da novela

Jade Picon grava cenas de
Jade Picon grava cenas de "Travessia" com dublê na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio de Janeiro. (Fotos: JC Pereira/Agnews)

Todos querem ser como Chiara, que tem o que quer e na hora que quer, mas, apesar do rosto de Jade Picon ter virando filtro no TikTok, somente Laii Nascimento chegou perto de ter essa experiência. Ela é dublê da influenciadora digital em "Travessia" e revelou os desafios de entrar em cena para substituir a ex-BBB na novela da TV Globo.

Laii começou substituindo Jade nas cenas dirigindo, mas depois de conseguir tirar a CNH, as coisas mudaram. "Desde que ela se habilitou, sou chamada principalmente em cenas que apresentam algum risco para ela ou alguém envolvido ou que exigem treinamento/especialização para serem realizadas com segurança", explicou ao Yahoo.

"Por exemplo, o quase atropelamento do Chay [Suede], que exigia direção de precisão para não ter risco pra ele, e tivemos também algumas arrancadas e freadas bruscas que são um pouco complicadas e que não aprendemos na auto escola", brincou ela.

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Semelhança no visual é mesmo necessária?

Laii é atleta, foi campeã baiana e brasileira de ginástica rítmica e campeã regional de Parkour. Foi justamente uma amiga que também praticava o esporte que a indicou para trabalhar na área. Nas redes sociais, muitos já apontaram que ela não se parece com Jade e ela explicou que a semelhança no visual não é necessária.

O stand-in é chamado dublê de corpo, que está no set para substituir o ator apenas em takes de costas, de lado, ou parado, em situações que não envolvem nenhuma ação. Já os dublês de ação são chamados para situações que envolvem algum risco ou seja de difícil execução para o ator.

“Os dublês são trazidos de acordo com sua experiência e especialização, nunca pela semelhança de rosto. É importante ter um biotipo físico e tom de pele semelhantes, porém não necessitam ser idênticos”, disse ela. “Tanto que antigamente havia poucas mulheres no mercado de dublês de ação e frequentemente homens faziam dublês de atrizes mulheres e ninguém de casa notava”.

Apesar da semelhança não ser necessária, Laii também passou a fazer acompanhamento médico, nutricional e com personal após Jade ter intensificado seus treinos e perdido peso. “O mais difícil está sendo manter o físico próximo ao dela, pois quando fui escalada como dublê dela, tanto ela quanto eu tínhamos bem mais corpo, e à medida que ela foi emagrecendo e ficando cada vez mais sarada, eu fui acompanhando pra não dar diferença nas câmeras”, relatou.

Desafios a parte, a rotina no set de filmagens é tranquila e não poupou elogios a intérprete de Chiara. “A Jade está muito dedicada em tudo nesse primeiro programa dela”, afirma Laii. Nos bastidores, elas trabalharam juntas para “garantir a verossimilhança entre as duas performances de maneira que quem está em casa consiga entender como se fosse uma pessoa só”.

O físico de Jade Picon é algo que sempre chama a atenção. Frequentemente a bela é vista treinando futvôlei. (Foto: Dilson Silva/AgNews)
O físico de Jade Picon é algo que sempre chama a atenção. Frequentemente a bela é vista treinando futvôlei. (Foto: Dilson Silva/AgNews)

Como é trabalhar como dublê no Brasil

Além de “Travessia”, Laii já trabalhou como dublê em outras novelas da Globo, como “Deus Salve o Rei”, “Mar no Sertão”, “Nos Tempos do Imperador” e “Totalmente Demais”. Ela conta que existem cursos de preparação, mas nenhum consegue deixar o profissional apto para todas as funções: “Serve mais como uma iniciação. O que realmente prepara um dublê é a empresa que o adota como funcionário. Os coordenadores de ação, que são experientes em todo tipo de cena, vão treinando e agregando conhecimentos”.

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Por ser uma profissão de risco, muitos imaginam que seja bem remunerada, mas Laii explica que as cenas são orçadas de acordo com a periculosidade:

“Quanto mais treinado e especializado um dublê for, mais cenas difíceis e perigosas ele é chamado pra fazer, e melhor ele ganha. Enquanto que as cenas simples ou sem periculosidade tem a diária mais baixa”.

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A carreira de Laii Nascimento na área começou há 10 anos, quando foi indicada por seu histórico no teatro, ginástica e parkour. Ela entrou na Delta Dublês e foi treinada para cenas a galope, quedas de cavalo, quedas em altura, lutas cenográficas, esgrima, atropelamentos, cenas de direção com carro, rolamentos de escada, cenas de apneia e mergulho. “E nesse tempo, busquei me especializar em tudo que pude pra agregar meu valor profissional, tirei carteira de carro e moto, meu brevê de mergulho pela PADI, tirei meu DRT, pratiquei esportes novos como salto ornamental, Crossfit, hipismo, ciclismo, novos tipos de dança, várias lutas e aulas de defesa e foquei em manter minha saúde e meu corpo sempre fortalecidos e prontos pro que der e vier”, finalizou.