Assim como no BBB, abusos psicológicos podem gerar traumas; como reconhecer e sair dessas situações?

Lucas Penteado no BBB21. Foto: Reprodução/Globo
Lucas Penteado no BBB21. Foto: Reprodução/Globo

Desde o início do BBB, o programa vem gerando muita polêmica e questionamentos do lado de fora. No início, o público chegou até a dizer que a cantora Karol Conká fazia abuso psicológico com o ex-participante Lucas Penteado.

Depois de inúmeras críticas, a direção do reality até colocou sessões de terapia às quartas-feiras para todos da casa. E não é só no Big Brother que podem ocorrer esses tipos de abusos.

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No dia a dia, eles são mais comuns do que imaginamos e podem se originar dentro de diversos relacionamentos.

Natalia Pavani, psicóloga do hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que abuso psicológico é caracterizado como um tipo de violência não física. “É uma violência verbal, que desrespeita o emocional e valores de alguém”, diz.

E pode ocorrer em diversos contextos que vão desde o núcleo familiar, relações de afeto e até no trabalho. Geralmente, o “agressor” invalida ou rebaixa uma pessoa a qualquer custo e estabelece um tipo de controle sobre ela.

No trabalho, por exemplo, ele pode vir acompanhado de assédio moral. “Em alguns ambientes, abusos psicológicos se tornam ainda mais difíceis de serem expostos, principalmente quando se trata de superiores e chefias”, afirma João Pedro Santos da Silva, psicólogo e mestre em Healthcare Management pela Must University (EUA).

Silva reforça ainda que, em alguns casos, quem está realizando os abusos não acha que está fazendo isso e acaba negligenciando seus atos. "Às vezes pode ofender a outra pessoa emocionalmente, sem perceber que aquilo é uma agressão”, afirma.

Sinais de abuso

-Diminuir o outro

-Violência verbal constante

-Ações de controle sobre a outra pessoa

-Diminuição da autoestima do outro

-Rebaixamento das qualidades

-Intimidação

Como reconhecer e sair desse ciclo

Na maioria dos casos, a pessoa que sofre as agressões psicológicas não consegue enxergar que está em um meio abusivo. Os especialistas ressaltam que é válido expor o problema para pessoas de fora, fazendo com que elas ajudem a vítima a sair daquela situação.

Muitas vezes, a relação já está crônica e de dependência, ficando cada vez mais difícil fugir daquilo por conta própria e sendo fundamental a ajuda de terceiros. “Alguém pode dar um toque e chamar atenção de quem está vivendo uma relação de abuso psicológico. Não vai ser todo alerta que vai fazer com que a pessoa tome uma decisão, mas é suficiente e importante para a pessoa parar e olhar um pouco para si diante dessa situação”, alerta Pavani.

A especialista explica ainda que, dificilmente, a pessoa sairá daquilo sozinha, já que em muitos casos há uma dependência emocional e até financeira.

Silva enfatiza que é fundamental procurar ajuda de um profissional de saúde mental e de pessoas que não façam julgamentos. “É muito comum ouvirmos que é mimimi ou algo do tipo. Quando, na verdade, a pessoa não consegue sair daquilo e tende a permancer”, ressalta. Ele ainda alerta que, em casos de violência extrema, ligue para polícia e denuncie.