Sofre com enxaqueca? Injeção de gordura e cirurgia estão entre tratamentos

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Sofre com enxaqueca? Injeção de gordura e cirurgia estão entre tratamentos. Foto: Getty Images

Só quem tem enxaqueca sabe que as crises não passam facilmente. A dor de cabeça – de intensidade moderada a forte – pode demorar até três dias para desaparecer e, em muitas pessoas, vem acompanhada de náusea, vômito e sensibilidade a luz e a barulho. Por isso novidades em termos de tratamento são bem-vindas.

Os gatilhos para as crises de enxaqueca são variáveis para cada indivíduo. Há quem se sensibilize com um alimento – como chocolate –, bebida alcoólica, cheiro e mesmo atividade física.

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A incidência de enxaqueca em mulheres é cerca de três vezes maior do que em homens. Cerca de 18% das mulheres e 6% dos homens apresentam o problema. A diferença é explicada principalmente por fatores hormonais e genéticos.

Se você está no grupo dos desafortunados que sofrem com o incômodo, confira o que há de mais recente no tratamento da enxaqueca.

  • Toxina botulínica

Com aplicações trimestrais, a substância funciona como uma medicação preventiva das crises. A toxina botulínica é aplicada em dezenas de pontos ao redor da cabeça e da nuca com o objetivo de paralisar a musculatura próxima aos nervos sensitivos que desencadeiam a dor.

  • Exame de genotipagem

Como ainda não há uma medicação específica para a enxaqueca – o tratamento é feito com medicamentos anti-hipertensivos, antidepressivos e anti-psicóticos, além da toxina botulínica –, o exame genético é uma maneira de prevenir alguns gatilhos para o problema.

Existem alimentos e bebidas – ou ingredientes contidos nesses produtos – que podem desencadear as crises, assim como há alguns alimentos que desempenham uma função protetora, dependendo da sensibilidade genética de cada indivíduo.

O exame de genotipagem é capaz de identificar biomarcadores genéticos que demonstrem maior propensão à dor de cabeça e à enxaqueca. Ao estimar o risco para certas substâncias, o indivíduo pode adotar medidas preventivas e, quando for o caso, atenuar sintomas e otimizar o tratamento. Por exemplo, algumas pessoas são mais sensíveis à presença de histamina – que existe em bebidas alcoólicas, alimentos defumados e enlatados – e podem desenvolver quadros severos de dor de cabeça ou enxaqueca.

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Não há tratamento específico para enxaqueca. Foto: Getty Images

Aqui é importante afirmar que uma alimentação equilibrada pode amenizar alguns dos fortes sintomas da enxaqueca. Alimentos como castanha-do-pará, atum, canela, vegetais verde-escuros e grão de bico podem ajudar a diminuir as crises.

  • Cirurgia da enxaqueca

Trata-se de um conjunto de procedimentos voltados a tratar os nervos sensitivos responsáveis pelas dores dos pacientes. Existem sete tipos diferentes de cirurgia para enxaqueca, a depender do nervo em que o paciente tem dor. Todas são pouco invasivas – feitas abaixo da pele, sem invadir o crânio – e consistem em pequenas incisões no nervo a ser tratado.

Algumas das cirurgias têm de ser feitas sob anestesia geral e em ambiente hospitalar. Outras podem ser feitas com anestesia local, em espaço ambulatorial. Como são superficiais, o risco envolvido é baixo. A cirurgia é indicada para pacientes que não conseguem ter um controle adequado do quadro apenas com as medicações ou para aqueles que sofrem com os efeitos colaterais dos medicamentos e por isso não conseguem manter o tratamento.

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Medicamento não é muito eficaz contra enxaqueca. Foto: Getty Images

A cirurgia é o único tratamento definitivo para enxaqueca. Cerca de 80% dos pacientes operados apresentam melhora das crises, sendo que em torno de 30% a 40% ficam totalmente sem sintomas. Caso o problema não seja completamente solucionado, essas pessoas mantêm o tratamento medicamentoso, mas, em geral, com menores doses.

  • Lipoenxertia

O procedimento consiste na retirada de uma pequena quantidade de gordura, em geral do abdômen, que é preparada e injetada no nervo previamente identificado com ponto de dor. Sua eficácia estaria relacionada com a presença de células tronco que promoveriam regeneração dos tecidos e nervos da região em que é aplicada. A lipoenxertia é feita preferencialmente em hospital sob anestesia geral ou anestesia local e sedação. A técnica é indicada para pacientes que já fizeram a cirurgia para enxaqueca e ainda persistem com alguma dor.

Para saber qual o melhor tratamento, o primeiro passo é se consultar com um neurologista, que distinguirá se você sofre de dor de cabeça comum ou enxaqueca. O especialista, inicialmente, tratará o problema com medicação e alterações comportamentais – como mudanças na alimentação. Caso não haja uma boa resposta ou os efeitos colaterais sejam intensos, é que o médico encaminhará para uma outra alternativa.

Fontes: Paolo Rubez, cirurgião plástico membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e Marcelo Sady, geneticista e pós-doutor em genética.

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